São necessários os mais variados estratagemas para proteger a agricultura da crise dos ataques impiedosos de hordas dos mais variados inimigos. Cada uma – a horda – mais agressiva e nefasta que a outra, como se houvesse um campeonato inter-espécies para ver quem me lixa mais a horta. A plantação em vasos, garrafões ou outro tipo de recipientes tem evitado os ataques da passarada. Ao menos não destroem as plantas. Mais difícil de evitar é que as vão debicando. E são mais que muitos. Mais parece um restaurante buffet em regime de self-service a abarrotar de excursionistas esfomeados.
Devido a uma doença mental que se instalou na sociedade - e, pior, nos malucos que elegemos para gerir o manicómio - não é hoje possível matar nem um pardal, melro ou seja lá o que for. Esta gente desconhece o conceito de praga. Para eles é tudo “biodiversidade”. Se um dia tiverem ratos na sala, vão chamar-lhes “coabitantes urbanos”. Ou, se calhar, considerá-los membros da família. Não admira. Decidem fechados em gabinetes, são eleitos por quem vive em apartamentos e da natureza apenas conhecem o que veem pela janela do automóvel quando vão à terra dos pais ou dos avós. O tempo em que qualquer gaiato tinha uma pressão de ar e matava duas ou três dúzias de pássaros por dia, já lá vai. E os passarinhos fritos, também…
Por estes dias as formigas e as borboletas estão a ser os atacantes mais difíceis de controlar. Para controlar as primeiras a Internet recomendou-me uma mistura de açúcar branco com bicarbonato. Diz que a sua ingestão provoca gases às formigas e estas, por não terem forma de se libertar deles, acabam por falecer e causar uma mortandade enorme dentro do formigueiro. O esquema – uma espécie de ataque quimico - terá resultado apenas no primeiro dia. Em pouco tempo levaram uma dose industrial da mistela, mas as consequências desse acto irreflectido devem ter sido de tal ordem que nunca mais tocaram um grão. A alternativa tem sido o café. Parece que evitam caminhar sobre a aquela substância. Confesso o meu cepticismo quanto a isso. Desconfio que apenas ficam mais aceleradas.
Quanto às borboletas, são mais difíceis de abater do que os drones que agora usam nas guerras. E, mesmo que abata duas ou três por dia, há sempre mais e mais a esvoaçar, firmemente dispostas a largar ovos e mais ovos de onde irão sair as lagartas que me devoram as couves com uma eficiência que só visto. Aquilo não é alimentação, é desflorestação em larga escala. A solução é dar caça aos ovos antes que ecluda lagartagem com fartura. Ou seja, fazer um controlo preventivo da natalidade. Não deve ser proibido, espero...mas, ainda que seja, no meu quintal mando eu. E, principalmente, a minha Maria.
