domingo, 1 de março de 2026

O lucro é bom quando tem a forma de imposto.

 As empresas vivem para o lucro. Seja a mercearia da esquina ou a banca. Mas há quem não aprecie essa intenção. Os invejosos, por norma, ou aqueles falhados da vida que nem na gestão das suas finanças pessoais conseguem ter saldo positivo. E, quanto a estes últimos, estou apenas – e sublinho, apenas – a pensar naquela malta que possui rendimentos médios ou elevados, mas que esturra tudo em futilidades e que depois leva a vida a queixar-se do capitalismo ou de outra coisa qualquer que justifique a sua penúria. 

Isto a propósito dos recentemente divulgados lucros recorde da banca portuguesa. Ou, melhor, a operar em Portugal. Esta divulgação suscitou umas quantas reacções curiosas. Houve quem ficasse indignado, por os considerar pornográficos - nomeadamente os dos bancos privados – e quem ficou manifestamente satisfeito com o lucro da Caixa Geral de Depósitos e o facto do banco público ter entregue ao Estado a parte de leão desses resultados.

Por mim, sinto-me dividido quanto ao sentimento a adoptar. Por um lado, gosto do lucro. Mais ainda quando envolve os bancos. Até porque, a existir prejuízo sabemos que não é o respectivo conselho de administração quem o paga. Mas, no que diz respeito à CGD, a coisa já me provoca algumas comichões. Sendo um banco público, o lucro, pelo menos a parte respeitante ao território nacional, é imposto pago pelos clientes. Por mais que o embrulhem em linguagem contabilística para consumo de audiências parolas. Sei que isto não incomoda muita gente. Há quem adore impostos com devoção religiosa. O que não tem nada de mal, diga-se, até porque só tem conta na Caixa quem quer.