quinta-feira, 30 de abril de 2026

Socialismo self-service

 

O Bloco de Esquerda, aquele partido do deputedo único que goza de uma estranha promoção mediática, tem sempre propostas criativas, chamemos-lhe assim, para tudo e mais alguma coisa. Todas elas, diga-se, já experimentadas noutros países onde fracassaram redondamente. Como é normal com tudo o que envolve aquela ideologia política.

Ocorreu-lhes agora propor a criação de mercearias públicas. Mais ou menos como aquele maluco, que os igualmente malucos eleitores de Nova Iorque elegeram para presidente da Câmara lá do sitio. A ideia será o Estado vender comida mais barata. Que o arroz, as batatas e restantes comestíveis comprados com o dinheiro dos contribuintes possam ser colocados pelo Estado-merceeiro à disposição dos fregueses até, concedo, pode funcionar durante um tempo. Pouco, seguramente. Nem é preciso ser bruxo para saber que não iria funcionar. Melhor seria que as pessoas a quem ocorre esta ideia se juntassem, constituíssem uma empresa e criassem uma cadeia de mercearias. Se acham que podem vender os bens alimentares a preços mais acessíveis – e, acredito, talvez possam – é meter mãos à obra. Serei cliente.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Mais uma Fiape: Das galinhas premiadas às intenções duvidosas

 

Vai decorrer por estes dias cá pela terra mais uma edição da Fiape. Um evento todo catita, garantem os especialistas especialmente especializados na especialidade. O certame mete comes e bebes, espectáculos, exposições de traquitanas relacionadas com a agricultura e envolve muitíssimas outras cenas. Uma coisa a visitar, portanto. Até porque, como já aconteceu com todas as trinta e sete anteriores edições, esta será seguramente a melhor de sempre.

A feira começa com solta de pombos e um concurso de galinhas, lá pelo meio mete um concurso de perus pretos e termina com ensinamentos acerca da melhor maneira de comunicar com o cão. Tudo bons motivos para não faltar. Eu vou. Estou aqui perto, calha-me em caminho e, tirando aquela coisa do trabalho ou lá o que é, não tenho mais nada para fazer.

Quanto a compras, talvez seja desta vez que compre uma fisga. Ando com esta ideia fisgada há anos. Desde, pelo menos, que desisti de comprar um mata-frangos. Um artefacto de utilidade duvidosa que, não sei bem porquê, tive vontade de adquirir em cada uma das vinte cinco primeiras edições. Depois passou-me. Agora é a ideia de comprar a fisga que não me sai da cabeça. O Vinicius que se cuide.

sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril, sempre. Mas mesmo sempre.

 

Nesta data, este ano mais do que nunca, há sempre quem nos lembre – e bem – que não podemos dar a liberdade e a democracia como algo garantido para todo o sempre. Com razão, reitero. Mas, no meu caso e porque já cá ando vai para muito tempo, sei isso desde mil novecentos e setenta e cinco. Muito antes, portanto, do que aqueles que agora fazem questão de me alertar para o perigo de as perder. O que não deixa de ser irónico é a esmagadora maioria desses “alertas” vir daqueles que, ainda não há assim tanto tempo, se aliaram para chegar ao poder e governar durante quase dez anos precisamente com aqueles que quiseram acabar com ambas, ainda mal as tínhamos conquistado.

Também nas redes sociais vejo inúmeras mensagens de idêntico conteúdo. Legitimas, obviamente. Mas não menos hipócritas, lamento. Defender Abril não é seguramente apreciar as ditaduras que oprimem outros povos, sejam elas de que espécie forem, nem tolerar ditadores. Não existem ditaduras boas, seja em Cuba, na Venezuela ou no Irão. Nem, sequer, aspirantes a ditadores que mereçam o apreço de quem ama a liberdade e a democracia. Chamem-se eles Orbán, Trump ou Putin. Nem tão pouco, mesmo em democracia, pactuar com gente que se acha investida do direito a governar e que tudo faz para se perpetuar no poder. E disso está o mundo cheio. Inclusive em Portugal.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Reformas. Laborais e outras

 

Esta coisa da alteração às leis laborais já aborrece. Pelos menos a mim, que para além de trabalhar num sector onde os seus efeitos serão pouco mais que nenhuns, estou a poucos meses da aposentação. Por outro lado, embora reconheça que posso estar enganado, não me parece que esta seja uma daquelas reformas que o país precisa mesmo. Se calhar a energia e o tempo que se estão a perder numa discussão que ninguém pediu, podiam ser aplicados a tratar de cenas mais úteis, urgentes e importantes. Prioridades manhosas, desconfio.

Mas, independentemente de todos os factores da equação, este é mais um daqueles aspectos em que me faz espécie o destaque mediático, por um lado, dado às posições do PCP e do BE acerca do assunto e, por outro, o desplante com que aquelas organizações se arrogam de falar em nome dos trabalhadores e dos portugueses em geral. Representam um número meramente residual do eleitorado, têm uma expressão ínfima no parlamento e, mesmo assim, acham-se no direito de dizer que nos representam. Tudo isto com o beneplácito da comunicação social, totalmente rendida – manipulada, infiltrada e controlada serão outros adjectivos igualmente aplicáveis - àqueles partidos.

Entretanto hoje o Chega vem propor a redução da idade da reforma. Seria bom que explicasse onde pensa ir buscar os recursos que sustentem tal pretensão. Seria ainda melhor que todos os partidos, incluindo o partido de André Ventura, explicassem quais foram os restantes custos, nomeadamente na área social, que foram inventados ou aumentados desde que essa mesma idade começou a subir. Só para sabermos quem é que paga o quê a quem.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Uns roubam com links, outros com leis

 


Chegar ao fim do dia, abrir o e-mail e deparar-se com uma notícia destas deixa qualquer um satisfeito. Nomeadamente a mim, que sou um gajo que detesta impostos. Só o facto de ver a palavra escrita ou ouvi-la pronunciada, é logo motivo para me nascer um camadão de brotoeja capaz de me pôr a considerar seriamente esfregar-me com uma escova de arame. Daquelas de rebarbadora, se estivesse à mão.

Isto porque recebi um e-mail com a mensagem acima, onde sou informado do meu direito ao reembolso de uma simpática quantia do IRS que paguei ao longo do ano. Quantia essa que, a julgar pelo tom da missiva, o fisco está mortinho por devolver. Quase com a mesma urgência com que eu estou para a receber. Gente séria, sem dúvida.

Estava eu a congeminar formas altamente responsáveis de investir o guito quando, assim do nada, me ocorreu um pequeno detalhe. Ainda não entreguei o IRS. Foi aí que comecei a desconfiar. Porque, pensando melhor, há qualquer coisa de poeticamente suspeito num sistema que ainda não recebeu a minha declaração e já esta impaciente para me devolver dinheiro. Mais, ainda me convida, de forma tão simpática e cheio de boas intenções a clicar num botão azul.

Portanto, caros artistas da burla, admiro o vosso esforço, a dedicação e até o sentido de oportunidade. Mas  da próxima vez tentem um público menos desconfiado. Ou, no mínimo, um que já tenha entregue o IRS. Assim poupam-se ao trabalho e evitam que eu me ria sozinho como um parvo enquanto apago o e-mail.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Banalidades apostólicas

 

Nunca fui muito dado a essas coisas da religião. Daí que tenha pouco apreço pela figura do Papa e pouco me importa o que vai papagueando. Acredito que todos eles sejam ou tenham sido pessoas cultas, inteligentes e bem intencionadas. No entanto, talvez por força do oficio – do santo oficio, diria – a maior parte do tempo limitam-se a dizer banalidades. Condenar o uso da tecnologia na guerra é mais uma. Das piores, parece-me. É que o recurso ao desenvolvimento de novas armas, tecnologicamente mais avançadas e com maior precisão, tem evitado um número ainda maior de vitimas entre a população civil e contribuído para salvaguardar a vida dos soldados, ao substitui-los por máquinas no campo de batalha ou noutro tipo de missões.

Se quisesse ser mesmo mauzinho diria que, se calhar, até se compreende a posição do cavalheiro. Menos gente a entregar a alma ao criador, às tantas não será lá muito do agrado do patrão. Mas não. Não vou por aí, até porque não creio em divindades. O homem tinha de dizer qualquer coisa e aquilo saiu-lhe. De certeza que, lá nas profundezas dos infernos, os padres da inquisição riram-se.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O multiculturalismo é uma coisa muito linda...

 


Isto que a imagem documenta, para além de pouco usual por cá, não é permitido em espaço público. A não ser no Carnaval. Embora durante a época carnavalesca o tempo não tenha ajudado e a chuva impedido os foliões de sair à rua, o que levou muitas autarquias a adiar os corsos para quando calhar, não se afigura que a exibição desta indumentária se enquadre no âmbito dessas celebrações. Mais, a lei proíbe estas tristes figuras na via pública. Infelizmente ninguém quer saber. Quando quisermos será demasiado tarde. Depois não se queixem.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Mais desigualdade?! É uma opinião...

 

Um estudo qualquer revelado hoje, provavelmente estudado por estudiosos que estudaram o assunto, concluiu que a desigualdade está a aumentar em Portugal. Um por cento da população deterá, ao que concluíram, um quarto da riqueza do país e a classe média estará cada vez menos média em resultado dos baixos salários e dos impostos altos.  Ou seja, concluíram o que quase todos nós sabemos. Só discordo quanto a essa coisa da desigualdade. É, lamento, uma realíssima mentira. Os portugueses estão cada vez mais iguais. Igualmente pobres, ao bom estilo socialista. Foi este o resultado dos sucessivos aumentos do salário mínimo, sem que isso se traduzisse no aumento do poder de compra ou no crescimento da riqueza e  da subida praticamente nula dos salários intermédios. A consequência, obviamente, não podia ser outra senão o empobrecimento generalizado.  A gravidade disto é os governos socialistas, com ou sem geringonça, terem-no feito de forma propositada e consciente.  

Quem ler esta prosa pode concordar ou não com as minhas opiniões. É a vida. Se todos pensássemos da mesma maneira o mundo seria um aborrecimento. O que não pode – poder, até pode, mas aí já entrávamos no domínio da demagogia – é desmentir os números. E os números mostram que um funcionário público que há trinta anos, no inicio de determinada carreira, ganhava três salários mínimos e que hoje, no topo da mesma carreira, não chega a ganhar dois SMN está, evidentemente, mais pobre. Mas, convenhamos, mais igual. Aos pobres. Obrigado socialismo. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Uma chatice, isso da esperança ser a última a morrer.

 

Andam há anos a convencer-me que o futuro das pensões está assegurado. Tudo graças, explicam-me a mim e aos restantes incautos, aos muitos imigrantes que demandaram o nosso país e que, com as suas contribuições garantem o futuro da segurança social tal como a conhecemos.  Se os especialistas especialmente especializados na especialidade – leia-se votantes do PS e outros esquerdistas - o dizem, não sou eu, um simples mortal quase analfabeto, que os vou contrariar.  Até porque apenas leio “A Bola” e só quando o Benfica ganha. Ou seja, leio pouco. 

Podiam, para eu os levar a sério, ficar apenas por aquela parte da necessidade da imigração para o país não parar. Mas não. Não resistem. É que até aí ainda consigo acompanhar. O pior é quando passamos ao sucessivo aumento, ano após ano, da idade da reforma. Já vai em 66 anos e 7 meses, em 2027 será de 66 e 11 meses e, consta, aumentará para 67 anos – ou 67 e 1 mês – em 2028. E é aqui que fico com uma espécie de nó cerebral. Por mais que disfarcem, eles – os esquerdistas sabedores destas cenas – também. Com tanta gente jovem e relativamente jovem a entrar no país e a contribuir para a sustentabilidade do sistema, o constante aumento da idade de acesso à reforma parece um contra-senso. 

Obviamente que existe aquilo da esperança média de vida. Uma forma manhosa que arranjaram para tirar à generalidade das pessoas o que dão de bandeja aos Centenos desta vida. Isso, mais a necessidade de pagar uma miríade de subsídios aos profissionais da subsidio-dependência. Ou de, no futuro, pagar as pensões daquelas tipas de fatiotas esquisitas, vindas do outro lado do mundo a reboque dos maridos, que todos os dias vejo a bronzear os cascos ao sol. Actividade que, ao que se saiba, ainda não paga contribuições. É, portanto, para isto que serve o crescimento da minha esperança em viver mais tempo. Ainda bem que há quem faça de mim um altruísta. Involuntário.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Irritações de Abril

 

Não gosto de Abril. O mês, embora também tenha algo a ver com o significado quase mítico que a palavra tem entre nós. Mas nada no sentido de não apreciar tudo o que o 25 do A nos proporcionou enquanto povo. Mas, escrevia eu, não gosto do quarto mês do ano.  Pela especificidade do meu trabalho tem sido sempre ao longo dos últimos trinta anos, em termos profissionais, de longe o mais desgastante de todos. 

Depois porque é o mês de acertar contas com o fisco. Coisa que me eleva a irritabilidade para um nível raramente atingido em qualquer outra época do ano. Se nos restantes meses quanto vejo a folha do vencimento é como se me estivessem a roubar a carteira, por esta altura olhar para a declaração de IRS é como se fosse vitima de um assalto à mão armada. 

Finalmente pelas inevitáveis discussões em torno do 25 de Abril em que não resisto a envolver-me. Todos os anos juro a mim mesmo que este ano é que não reajo às parvoíces que se dizem e escrevem sobre o tema. Nunca consigo. É mais forte do eu. E, por incrível que pareça, a cada ano é pior. Cada vez surge mais gente, a maioria ainda nem era nascida quando se deu o golpe militar, a ensinar-me como era a vida antes dessa data. A coisa já chegou ao ponto de me chamarem facho só por eu ter tido a ousadia de desmentir alguém que garantia que antes do 25A, nas aldeias do Alentejo, íamos para a escola descalços. Nem o facto de eu alegar ter entrado para a primária em 1968 e nunca ter visto na escola, pelo caminho ou noutro lugar qualquer ninguém descalço me torna menos fasciszóide. Pior, faz de mim também um mentiroso da pior espécie. Mas, obviamente, a culpa é minha. Se tivesse dado ouvidos à minha sábia avó não discutia com malucos.

domingo, 12 de abril de 2026

Urbano-depressivos...

 

A Internet é um espaço de indignação. Toda a gente se indigna. Até eu. Hoje, logo pela manhã, dei com gente que se indignou por causa de uma fotografia. Um bom motivo, por vezes. Outras, na maioria, nem por isso. A indignação a que me refiro era por causa da foto de um prato de passarinhos fritos que alguém resolveu partilhar. Um pitéu para alguns e para outros de repulsa capaz de os levar ao vómito. O que, na Internet, se traduz por um chorrilho de disparates e ofensas ao autor da postagem. Ou pior. É que houve até quem se desse ao trabalho de pesquisar e publicar, com ameaça de denúncia, a legislação que proíbe as práticas que envolvam o abate, captura e detenção de aves selvagens como serão as que compunham a iguaria fotografada. Presumo, embora os indignados de serviço não o refiram, que o seu uso culinário e respectiva degustação também constituam uma ilegalidade. 

Ora tudo isto, especialmente a parte que envolve a indignação de umas dezenas de parvos que acham que os pardais estão em vias de extinção, me deixou indignado. Esta gente não tem noção. Se no meu quintal não existisse já fauna suficiente, era gajo para os convidar a vir constatar in locco o quanto estão errados. Bicheza dessa é coisa que não falta. Cá na terra temos  pardais aos milhões - é vê-los e, principalmente, ouvi-los  ao anoitecer junto de qualquer árvore ou arbusto mais frondoso -  andorinhas aos milhares, pombos às centenas e passarada diversa que até aborrece. Podem levar os que quiserem, a malta agradece. 

O pessoal das cidades desconhece o conceito de praga. Por eles não se matava nem um único bicho. Devem pensar que aquilo que comem nasce de geração espontânea nas prateleiras dos supermercados. Coitados. E de nós, que temos de aturar esses malucos.

sábado, 11 de abril de 2026

Reciclar era fácil. Felizmente, corrigiram isso.

 

Já está em vigor o novo imposto. Aquele sobre as embalagens que, disfarçado de taxa, nos estimula a reciclar. Dizem. Por mim desconfio. É que, por estranho que pareça, faço isso desde que há dezenas de anos instalaram um ecoponto a cinquenta metros da minha casa. Agora, para reciclar ainda melhor – ou por outro interesse qualquer, sei lá – vou ter que andar com um saco de garrafas às costas e percorrer cerca de um quilometro até ao supermercado mais próximo para fazer exactamente o mesmo que faço hoje. Como não irei a pé, provavelmente o ambiente não vai ficar melhor. Mas isso não interessa nada. Ninguém quer saber do ambiente, querem é a taxinha.

Obviamente que isto sou só eu a divagar. Não vou fazer nada disso. Só se fosse maluco é que continuava a comprar, como até aqui, o pack de vinte e quatro garrafas de meio litro todos os meses. Dois euros e quarenta de imposto pode ser acessível à minha carteira, mas vai muito para lá da minha tolerância fiscal. Encontrarei outra solução qualquer para continuar a beber a minha água. Nem que compre uma bilha. Daquelas de barro, todas catitas e que é uma coisa mais sustentável.
 
Nisto, como no resto, o mercado vai adaptar-se. Como foi naquilo dos sacos de plástico. Excepto as grandes superfícies, são gratuitos em todo o lado. Mas eles vão continuar a tentar. Ameaçam que o próximo alvo serão as garrafas de vidro e, de certeza, irão por aí fora. Cápsulas de café, latas de conserva e embalagens “tetra pack” também acabarão por não escapar. No limite, quando precisarem de nos esmifrar ainda mais, vão taxar as fraldas e os preservativos. Entretanto, os ecopontos ter-se-ão tornado uma memória distante. Ou, então, continuarão por aí para nos lembrarmos de como era bom quando bastava fazer o óbvio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O fascinio das ditaduras encanta os europeus

Os portugueses adoram ditaduras. Deve ser por isso que mais de metade dos eleitores votaram em partidos que defendem abertamente, toleram ou apreciam discretamente regimes ditatoriais. Cuba, Venezuela e mais recentemente o Irão são apenas os exemplos mais mediáticos. Isto enquanto odeiam ferozmente os Estados Unidos da América. Aquele país, recorde-se, a quem devemos a sorte de  não  falar  alemão ou russo.  Nada  que  interesse muito a   esses      seres iluminados e devidamente doutrinados pelas sucursais da Al-Jazeera, que são os canais televisivos nacionais. 
 
Felizmente que as guerras mundiais ocorrem já lá vão muitas décadas. Se fosse agora  estaríamos tramados. Primeiro, porque o imbecil que os americanos escolheram para presidente não viria em nosso auxílio. Segundo, mesmo que viesse, com o grau de loucura que por aí anda, a oposição da população europeia à intervenção americana seria de tal ordem que os tipos seriam vistos como invasores e rapidamente passaria a apoiar os nazis. E, finalmente, ainda que nada disso acontecesse e os americanos fossem vistos como aliados, seria impossível nos dias de hoje vencer a Alemanha. Os bombardeamentos que arrasaram cidades inteiras e causaram centenas de milhares de mortos entre os civis alemães, não seriam tolerados pelas florzinhas de estufa em que os europeus se tornaram. Nem os mariconços dos actuais dirigentes teriam tomates para os ordenar. 
  
Não falta gente, na Europa e por cá, a torcer pelo Irão. Putin, que financia a extrema-direita europeia, também torce pelos aitolas. Curiosa coincidência. Ou talvez não seja coincidência. Nem curioso. Quiçá apenas uma natural convergência de pontos de vista. E de convicções.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Mictorium desaconselhável..

 


Cada um sabe de si e Deus – esse amigo imaginário no âmbito das divindades – sabe de todos. Daí que apenas a criatura e o Deus da sua predileção saibam os contornos da situação que motivou o seu autor a elaborar, trepar ao poste e afixar o cartaz apelando à não micção naquele lugar. O odor e o pulguedo  poderão constituir as principais razões. O triste espectáculo proporcionado pela incontinência dos que ali se viam obrigados a mudar a água às azeitonas, poderá ser outra. 

Curiosa é a altura do solo a que foi afixado. Quase parece que existiu o receio que fosse removido. Com razão, provavelmente. Presumo que ninguém mije com a tranquilidade que o momento exige a olhar para uma placa com a inscrição “não urinar”. Até deve fazer mal à bexiga.

domingo, 5 de abril de 2026

Especialistas especializados em inveja

A propósito da chamada crise da habitação entusiasma-se hoje o pasquim da Sonae, que em tempos foi um jornal de referência relativamente merecedor de credibilidade, por um grupo de juristas ter concluído que “o direito de propriedade não é absoluto”. Outros já concluíram noutras ocasiões que o direito à vida também não é. Pouco surpreende, por isso, que os especialistas da especialidade mencionados pelo jornaleco tenham idêntica opinião acerca dessa coisa da propriedade. Essa maléfica invenção do capitalismo, sem a qual todos seriamos muito mais felizes. E pobres, como eles gostam. 

Assim de repente, não estou a ver de que adianta ou atrasa esta opinião. É, apenas, isso mesmo. Uma opinião. Como qualquer outra. Num país em que setenta por cento das famílias são proprietárias, não estou a ver - ninguém estará, desconfio – o que um eventual e altamente improvável governo com tendências revolucionárias que resulte de umas próximas eleições venha a fazer com ela. Isto não é a Venezuela, Cuba nem nenhum outro paraíso na Terra. Daqueles que uma minoria ruidosa muito aprecia, mas para onde se revela incapaz de emigrar em busca da vida que desejam para cá.  

Reitero aquilo que já escrevi noutras ocasiões. Se – e bem – o direito à habitação está consagrado na Constituição, então o Estado que garanta, mediante as condições que lhe pareçam mais adequadas, o cumprimento das obrigações dos inquilinos. Nomeadamente se substitua aos mesmos em caso de falta de pagamento e trate posteriormente de cobrar essa divida aos caloteiros. Não deve ser difícil. Afinal a Autoridade Tributária, para além das dividas fiscais, já cobra as dividas das portagens e facturas de água dos MunicípiosNão seria nada do outro mundo. A não ser a conta que os caloteiros iriam pagar. O que, acredito, desmotivaria qualquer um de se eximir reiteramente a pagar o que deve. Até porque, os que ousassem incumprir, ficariam a saber que a AT não brinca em serviço e facilmente duplica, em seu benefício, o montante de qualquer calote. 

O sistema teria a vantagem de dar confiança aos proprietários para colocar casas no mercado, o que provocaria a inevitável queda dos preços e tornaria residual o arrendamento sem contrato gerando um maior crescimento do imposto pago pelo sector. Por outro lado, mesmo que se verificasse um nível relativamente elevado de dividas incobráveis, seria sempre inferior ao custo de construção, manutenção e gestão da habitação públicaTinha, no entanto, uma consequência muitíssimo desagradável para a esquerda. Diminuiria drasticamente a conflitualidade acerca do tema. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Impertinências relativamente pertinentes

Anda muita gente abespinhada por causa da Constituição. Aquela com C grande. Uns querem mudá-la à viva força e outros rasgam as vestes para que fique na mesma. Há, ainda, mais uns tantos a exigir que seja cumprida. Tudo muito estranho, digo eu que dessas coisas da Constituição percebo muito pouco. Nada, até. Apesar disso acho esquisito que uma lei – neste caso, para tornar tudo mais estapafúrdio, a lei fundamental do país - não esteja, pelos vistos, a ser cumprida. O quelendo e ouvindo algumas opiniões de todos os lados das barricadas, parece andar próximo da verdade.

Por mim tanto se me dá como se me deu que mudem ou deixem de mudar a Constituição. Mas, se não está a ser cumprida porquê mudar? Ou, noutra perspetiva, porque não mudar? Se não é para ser levada a sério para quê perder tempo com o assunto? Tudo questões (im)pertinentes, mas, assim como assim, não é por lá estar escrito isto ou aquilo que impediu o país de se tornar uma democracia mais ou menos liberal. Contrariamente, diga-se, ao que desejavam os gajos que a redigiram em 1976. Recorde-se que aqueles tipos pretendiam uma democracia tutelada pelos militares, a irreversibilidade das nacionalizações, o fecho de diversos sectores à iniciativa privada, a instauração do socialismo e a dissolução da Nato. Entre outras maluqueiras a que, obviamente, ninguém decente ligou patavina nestes cinquenta anos. 

Felizmente os portugueses de hoje não têm de se submeter aos desejos dos antepassados do tempo do PREC. Bem basta que lhes paguemos as mordomias que conquistaram para si próprios.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Agricultura da crise


São necessários os mais variados estratagemas para proteger a agricultura da crise dos ataques impiedosos de hordas dos mais variados inimigos. Cada uma – a horda – mais agressiva e nefasta que a outra, como se houvesse um campeonato inter-espécies para ver quem me lixa mais a horta. A plantação em vasos, garrafões ou outro tipo de recipientes tem evitado os ataques da passarada. Ao menos não destroem as plantas. Mais difícil de evitar é que as vão debicando. E são mais que muitos. Mais parece um restaurante buffet em regime de self-service a abarrotar de excursionistas esfomeados. 

Devido a uma doença mental que se instalou na sociedade - e, pior, nos malucos que elegemos para gerir o manicómio - não é hoje possível matar nem um pardal, melro ou seja lá o que for. Esta gente desconhece o conceito de praga. Para eles é tudo “biodiversidade”. Se um dia tiverem ratos na sala, vão chamar-lhes “coabitantes urbanos”. Ou, se calhar, considerá-los membros da família. Não admira. Decidem fechados em gabinetes, são eleitos por quem vive em apartamentos e da natureza apenas conhecem o que veem pela janela do automóvel quando vão à terra dos pais ou dos avós. O tempo em que qualquer gaiato tinha uma pressão de ar e matava duas ou três dúzias de pássaros por dia, já lá vai. E os passarinhos fritos, também… 

Por estes dias as formigas e as borboletas estão a ser os atacantes mais difíceis de controlar. Para controlar as primeiras a Internet recomendou-me uma mistura de açúcar branco com bicarbonato. Diz que a sua ingestão provoca gases às formigas e estas, por não terem forma de se libertar deles, acabam por falecer e causar uma mortandade enorme dentro do formigueiro. O esquema – uma espécie de ataque quimico - terá resultado apenas no primeiro dia. Em pouco tempo levaram uma dose industrial da mistela, mas as consequências desse acto irreflectido devem ter sido de tal ordem que nunca mais tocaram um grão. A alternativa tem sido o café. Parece que evitam caminhar sobre a aquela substância. Confesso o meu cepticismo quanto a isso. Desconfio que apenas ficam mais aceleradas. 

Quanto às borboletas, são mais difíceis de abater do que os drones que agora usam nas guerras. E, mesmo que abata duas ou três por dia, há sempre mais e mais a esvoaçar, firmemente dispostas a largar ovos e mais ovos de onde irão sair as lagartas que me devoram as couves com uma eficiência que só visto. Aquilo não é alimentação, é desflorestação em larga escala. A solução é dar caça aos ovos antes que ecluda lagartagem com fartura. Ou seja, fazer um controlo preventivo da natalidade. Não deve ser proibido, espero...mas, ainda que seja, no meu quintal mando eu. E, principalmente, a minha Maria.