sábado, 4 de maio de 2013

Corta, corta!


A montanha pariu um rato. Pouco mais do que isso me ocorre depois de ouvir o discurso de Parvus Coelho e o anúncio de um conjunto de medidas que, mais uma vez como o tempo se encarregará de demonstrar, de muito pouco servirão para endireitar as contas do país. Não diminui o número de deputados, não se reduz o número de cargos políticos, não se estabelecem limites à contratação de assessores nem, sequer, se estabelece a proibição de contratação externa ao nível de empresas de trabalho temporário, consultadoria e outras aquisições de serviços. Juntos, todos estes itens oneram muitíssimo mais os cofres públicos do que os vencimentos dos funcionários públicos que pretendem pôr no olho da rua.
Nem tudo, no entanto, me parece mal de todo. As mexidas no horário de trabalho e no regime de férias da função pública, por exemplo, só pecam por tardias. Devia ter sido exactamente por aqui que se devia ter começado. Igualmente a intenção de mexer nos suplementos remuneratórios se afigura como da mais elementar justiça. Há, de facto, de acabar com privilégios absurdos. Nomeadamente o suplemento de trinta por cento que, a titulo de despesas de representação, acresce ao vencimentos dos titulares de cargos políticos e dirigentes da administração pública.  A não ser assim mais vale que lhes cortemos o pescoço.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Prazo médio de pagamento dos municipios


Embora não constitua, pela maneira como é calculado, um indicador com um elevado grau de exactidão, o prazo médio de pagamento divulgado pela DGAL não deixa de constituir um elemento de referência quando se pretende analisar a relação de um município com os seus credores e a partir do qual se podem tirar ilações quanto à forma como as autarquias são governadas.
Cinco, entre os trezentos e oito municípios portugueses, segundo os dados divulgados demoram mais de mil e duzentos dias a pagar aos fornecedores. É obra. E muito tempo, também. Entre as câmaras do distrito, Évora lidera - com o décimo segundo lugar a nível nacional - o ranking das más pagadoras com um PMP de quinhentos e quarenta e um dias. Seguem-se, no que diz respeito ao distrito, os municípios de Borba e Alandroal num nada honroso vigésimo quinto e vigésimo sexto lugar na tabela dos pouco cumpridores a nível nacional. O atraso no cumprimento da obrigação de pagar é de, respectivamente, trezentos e oitenta e trezentos e setenta e sete dias.
No lado oposto da lista, aqueles que cumprem a tempo e horas, estão setenta e três municípios que pagam aos seu fornecedores a menos de trinta dias. Entre eles contam-se cinco autarquias do distrito de Évora. São elas Arraiolos, Mora, Portel, Redondo e Viana do Alentejo.
Normalmente quando se fala, seja governo ou oposição, em politicas de crescimento, apoio às empresas e combate ao desemprego, a solução envolve sempre esturrar mais dinheiro. Provavelmente, digo eu que não percebo nada disto, não era preciso. Bastava obrigar toda a gente a proceder como estes autarcas e a cumprir as obrigações que assume no prazo acordado. Talvez não houvesse tanta empresa a fechar, nem tantos portugueses sem trabalho. Mas isso, se calhar, não dá votos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Nem o que tu queres...


Compreendo o anarca anti-fascista borrador de paredes – javardola, por assim dizer – que passou por aqui. Também não nutro especial apreço por divindades, o sentimento patriótico não me atinge com particular intensidade e não gosto por aí além de patrões.
Apesar da manifesta compreensão relativamente à mensagem, recuso-me a admitir a mais pequena afinidade com o mensageiro. Logo porque essa coisa da anarquia soa-me assim um bocado a atirar para o parvo. Depois porque desconfio dos que sentem necessidade de andar a proclamar que são anti-fascistas. Nomeadamente porque sei o que fizeram – e o mais que pretendiam fazer – quando o fascismo acabou.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Esclarecimento importante (ou nem por isso)


A propósito dos comentários que foram feitos em relação a este post entendo por conveniente esclarecer o seguinte:
- O responsável pelo estado lastimável do terreno sou eu. Enquanto proprietário cabe-me, de facto, a responsabilidade por permitir a existência de toda aquela erva. E, já agora, de muita mais que não coube na fotografia;
- Como será fácil calcular, conforme saliento naquele e noutros escritos acerca do tema, o rigoroso e prolongado Inverno foi o culpado pela proliferação de ervas daninhas. Pior ainda. As chuvas contínuas impediram que, sequer, pudesse tratar do que lá cultivei dado que o acesso ao terreno ficou impraticável;
- De salientar que a fazenda fica num ermo a uma dúzia de quilómetros do local onde moro não sendo, por isso, um sitio onde me possa deslocar todos os dias;
- Naturalmente que tudo aquilo será cortado. Em seu devido tempo, como é evidente. A cortar agora voltariam a crescer. O que, isso sim, representaria um potencial perigo de incêndio quando, no Verão, secassem;
- Finalmente, recordo que nada arde por combustão espontânea. Por mais inflamável que seja o pasto em que esta erva se vai tornar apenas arderá se alguém lhe deitar fogo. Coisa que, diga-se, acredito perfeitamente um ou outro “vizinho”, que de vez em quando por ali se deslocam propositadamente à procura de algum item, possa fazer.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Moda Verão 2013



Por alguma razão, de certeza muito válida mas que escapa ao meu entendimento, a rapaziada gosta de usar as calças ao fundo do rabo com uma parte dos boxers à vista de todos. Será, segundo algumas teorias, uma moda relacionada com tiques de paneleiragem. Seja como for, isso é lá com eles. As calças são deles, os boxers também, portanto usem-nos lá como lhes dê maior satisfação.

Há, no entanto, sempre quem esteja disposto a ir mais além. A inovar, digamos. E o campo da moda é propicio a inovações e a ir sempre mais longe. Presumo que seja isso que o jove mais à direita na fotografia está a fazer. Quiçá a ditar as novas tendências da moda verão 2013. Exibir a roupa interior já era. A moda vai ser mostrar a peida. O que não terá nada de mais. O cú é deles. Assim sendo que façam com o dito o que mais lhes agradar. 

domingo, 28 de abril de 2013

Anda por aí uma malandragem...


Tenho alguma dificuldade em perceber o objectivo de certos roubos. Furtos, vá. Os motivos porque alguém arrisca, se apanhado com a mão na massa, levar uma tareia para furtar ninharias constitui desde sempre um enigma apenas vagamente justificado pela imbecilidade do meliante.
Não estou a pensar em quem rouba uma lata de atum ou um pão porque tem fome. Embora, na generalidade dos casos em que isso acontece, quase sempre se faça um drama quando a realidade, na maioria das circunstâncias, apresente uma configuração bastante diferente.
Recordo-me, por exemplo, quando há trinta anos atrás a malta ainda era pobre e andava de motorizada. Daquelas de barulho irritante e acessíveis a todas as bolsas que pouco tinham a ver com estas todas sofisticadas e caríssimas que agora por aí circulam. Nesse tempo roubavam-se, nunca soube porquê, as tampas dos depósitos de gasolina das motoretas. Apesar de, mesmo para a época, o preço ser praticamente insignificante chegavam a gamar dúzias delas de uma só vez.
Neste fim-de-semana prolongado furtaram os tampões das rodas – embelezadores, parece que é assim que se diz - do meu rodinhas. Ao meu e a mais uns quantos automóveis estacionados no mesmo parque. Uma parvoíce, porque aquilo não vale nada. Um conjunto de quatro coisas daquelas custa nove euros e noventa no Continente. Duvido, por isso, que algum esfomeado ou vitima das politicas de direita e da sociedade capitalista – expressões que ficam sempre bem para justificar a pequena criminalidade - consiga matar a fome, sua ou dos seus, com o que me gamou. Mas que lhes façam bom proveito. A ele e ao Belmiro.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Erva.


Um matagal onde só a muito custo se conseguem lombrigar as couves, alhos, ervilhas, espinafres e outras hortícolas, foi no que a prolongada e rigorosa invernia transformou a fazenda. A reforma agrária – no sentido de reformar o aspecto do terreno agrícola - terá de passar por aqui nos próximos tempos. Talvez até uma revolução. Para revolucionar a aparência da courela, claro. 
Lamentavelmente esta erva não é da que se fuma. Se fosse estava rico. Ou preso, se calhar. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Não há dinheiro, não há pópó...


Lamentava-se hoje um presidente de junta de não poder assegurar o transporte – para a escola, presumo - a umas quantas crianças da sua freguesia. Estava visivelmente triste, o senhor. Acrescentava, agastado com a situação, que as criancinhas não têm culpa nenhuma e que coisas destas não se fazem. Tudo culpa da politiquice pré-eleitoral, quase que sugeria.
Estive prestes a solidarizar-me com o autarca. As ideias para um post, a desancar nos patifes que obrigam os fedelhos a andar a pé, começavam já a fervilhar quando chegou a segunda parte da noticia. Não havia transporte porque um credor mais impaciente tratou de penhorar as carrinhas da junta para garantir o pagamento do que lhe será devido e que a autarquia, alegadamente, não terá pago. Foi por essa altura que a minha solidariedade mudou de campo. Passou, definitivamente, para o lado do credor. Os lamentos do homem afinal mais não eram do que lágrimas de crocodilo e as suas queixas apenas desculpas de mau pagador.
Acredito que apenas o desconhecimento, o deixa-andar que ainda caracteriza grande parte dos empresários ou o medo de perder futuros negócios, estará a fazer com que as autarquias não estejam já paralisadas por terem grande parte dos seus bens alvo da penhora dos credores. E também, convém não esquecer, por o governo revelar uma incapacidade confrangedora em aplicar as medidas previstas no memorando com a troika para o sector da justiça.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Ai aguenta, aguenta...


Há, obviamente, espaço para muitos cortes na despesa pública. Todos somos capazes de identificar inúmeras situações de gastos do Estado onde uma valente tesourada seria muitíssimo bem aplicada. Principalmente quando os afectados são os outros. Não fujo, tal como toda a gente, a esta tendência. Reconheço, no entanto e ao contrário da maioria, que isso de cortar em motoristas, gabinetes, mordomias diversas ou no BPN, por mais moralidade que revele, não passa de trocos e é preciso ir muito mais fundo.
Saúde, educação, segurança social e autarquias são alguns dos sectores onde é necessário cortar a sério. Não concebo, por exemplo, que apesar de não haver dinheiro se continuem a fazer abortos - sem ser por motivos de saúde - completamente gratuitos. Ou porque não se privatizam serviços de saúde aplicando o mesmo principio da ADSE. Tenho também dificuldade em perceber que, na educação, não haja coragem – como parece que, afinal, não há – de acabar com aquilo a que chamam actividades de enriquecimento curricular. Ou porque se insiste em construir escolas onde não existem crianças. Faz-me igualmente espécie, quanto à segurança social, que não se mexa nos subsídios de toda a espécie atribuídos sem qualquer controlo. Ou de retirar as reformas, pequenas ou grandes, a quem nunca descontou e tem contas bancárias com muitos zeros do lado certo da virgula. E, no que respeita ao poder local, nem é bom falar da incapacidade de moralizar os autarcas que, alheios ao mundo que os rodeia, continuam a esturrar dinheiro como se não houvesse amanhã.
Um dia, mais cedo do que tarde, com este governo ou com outro – por mais patriótico e de esquerda, seja lá o que for que isso signifique - vamos chocar frontalmente contra um cofre vazio. O que, lamento dizer, não será necessariamente mau. Parece ser a única maneira de, finalmente, percebermos o significado da frase “não há dinheiro”. Pena é que vamos todos no mesmo autocarro. 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Minoria ruidosa


Vai uma grande azia entre os poucos adeptos do pontapé na bola que não torcem pelo Benfica. Nomeadamente entre os dez ou quinze por cento que têm os leões ou o clube do porto como emblemas da sua preferência. Só grandes penalidades não assinaladas diz que foram para aí umas dez. Ou mais. Jogadores de vermelho vestidos que deviam ter sido expulsos e continuaram em campo consta que também foram uns quantos. Uma lástima de arbitragem, portanto. Responsável, garantem, por esta derrota dos verde e brancos. Das outras, e esta época já foram mais que muitas, não se conhece a paternidade. Mas isso agora, parece, não interessa nada.
É surpreendente a exigência que os adeptos – os oitenta por cento de apreciadores do pontapé na bola que torcem pelo Glorioso são igualmente assim – colocam no rigor e na qualidade do trabalho dos árbitros. Impressionam as atitudes de pessoas aparentemente normais e ajuizadas quando estão em causa futilidades como o futebol. Se fizéssemos o mesmo relativamente às decisões dos políticos e manifestássemos a mesma intolerância quando considerássemos que estes agiam de forma errada, teríamos, de certeza um país muito melhor. Mas não. Os erros do árbitro é que nos chateiam. 

domingo, 21 de abril de 2013

Mas esta malta pensa que ainda estamos no PREC?!


Não gosto de touradas. Nem de fados. Apesar disso não me incomoda, nem considero que deva ser proibida, a realização de espectáculos de nenhuma dessas actividades artísticas  Ou de outras. Incluindo o lançamento de anões. Isto desde que não seja o dinheiro dos contribuintes, o tal que não há para a saúde ou a educação, a financiar a sua existência, promoção ou divulgação.
O que já me desagrada é a maneira como os promotores destes espectáculos – e de outros, diga-se – promovem os eventos. Espalham impunemente cartazes por todo o lado. O que, para além do impacto visual extremamente negativo, causa com frequência danos em bens públicos e privados cuja conta raramente é apresentada aos responsáveis pelos estragos. O mesmo não acontece ao cidadão comum. Esse todos os meses paga, na factura da água, o lixo que produziu durante o mês. Ou, mesmo que tenha reciclado tudo, aquele que a entidade cobradora acha que terá produzido.
No caso da imagem, se ninguém fugiu com a receita da bilheteira, provavelmente sobrará “algum” para pagar a multa. Sim, porque neste caso nem duvido que os serviços competentes foram-no de facto e agiram em conformidade. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Se a moda pega... (isto anda mesmo tudo ligado)


Um alegado grupo de alegadas esposas de Viseu resolveu criar um blogue onde pretende denunciar publicamente os alegados clientes das alegadas prostitutas alegadamente estabelecidas na alegada cidade de Viriato. Até aqui nada de mais. O pior é o método escolhido. As alegadas esposam estão a divulgar matriculas de automóveis que, alegadamente, pertencerão a alegados clientes. O que é, acho eu, uma insensatez. Nomeadamente se o alegado freguês e pretenso prevaricador se tiver deslocado até ao local da alegada prevaricação num carro emprestado, roubado, ou, simplesmente, sem que a respectiva transferência de propriedade tenha sido efectuada. Isto para não falar de matriculas falsas, erros de digitação da matricula e deficiente leitura da mesma. Até porque estas actividades são predominantemente nocturnas e, como se sabe, de noite todos os gatos são pardos e as matriculas mais difíceis de ler.
Sugiro, portanto, se alguma destas alegadas esposas me ler, uma mudança de estratégia. Fotografem os automóveis e coloquem as imagens no blogue. Ou, melhor ainda, filmem ou tirem fotografias aos alegados frequentadores da alegada fornicação pecaminosa que, alegadamente por aí se pratica. E publiquem-nas. Quem se sentir incomodado que recorra aos tribunais. É para isso que eles servem. Alegadamente, claro.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Férias de Natal


Se eu fosse um chalaceiro como os gajos do governo, diria, assim a jeito de graçola de oportunidade, que a passagem dos duodécimos do subsidio de natal a subsidio de férias, com este a ser pago pelo natal e a “levar” com o acerto do irs, estaremos em presença de um subsidio de férias de natal. Pequenino, como as férias que alguns gozam por essa altura.
Podia, em alternativa, dizer que estamos perante mais uma palhaçada. Que não constitui qualquer surpresa, diga-se. Nada de muito diferente seria de esperar vindo do conjunto de palhaços que – enquanto povo – colocámos no poder em substituição dos palhaços que lá estavam antes. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Comer sem pagar


Os agricultores são uns chatos. Reclamam de tudo. Da chuva e da falta dela, do calor, do vento, dos produtos espanhóis e, agora, dos impostos. Nomeadamente daqueles que não querem pagar. Acham-se, vá lá saber-se porquê, no direito de viver à margem do sistema fiscal e de não contribuir para o funcionamento do país.
Alegam que é ridículo passar uma factura quando vendem uma alface, uma couve ou um molho de coentros. Será. Mas, passando facturas ou não, terá de haver uma forma de colocar esta gente a pagar impostos sobre o rendimento, muito ou pouco, que obtêm com os seus negócios. E não havendo facturação parece-me que há-de ser difícil fazê-lo.
Enquanto isso vão exigindo mais subsídios para a sua actividade. Ou seja. Querem comer uma fatia cada vez maior de um bolo cada vez mais pequeno. E o pior é que não querem contribuir com farinha nenhuma para a sua confecção. Nem com qualquer outro ingrediente. Uns lambões, portanto.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Tudo à borla!


Desde tempos imemoriais que ando a lamentar a ausência de juízo e a incapacidade de muita gente para perceber a realidade em que vivemos. Nomeadamente daqueles que, tendo responsabilidade na gestão de dinheiros públicos, o fazem de forma absolutamente descuidada. Chamemos-lhe, simpaticamente, assim.
Se, por um lado, o governo – estejamos ou não de acordo quanto à receita aplicada – procura reduzir de forma drástica a despesa do Estado, por outro, as autarquias esforçam-se por fazer exactamente o oposto. Gastar o mais que podem. Os espectáculos sucedem-se, os eventos multiplicam-se e o “investimento” prolifera. Em consequência disso os credores desesperam e os contribuintes vêem os seus rendimentos esmifrados para pagar o desvario instalado. Mas acabar com este estado de coisas deve ser, presumo, claramente anticonstitucional. E pouco popular entre os eleitores, talvez.
Vamos lá, o tempo já está bom, a inscrição é gratuita, há transporte até ao local e lanche no final. Não há desculpa para ficar em casa!”. Escrevia, no seu espaço no facebook, o presidente de uma das câmaras mais endividadas da região, visivelmente empenhado em divulgar um evento promovido pela sua autarquia. Não será, obviamente, por causa desta iniciativa que a tesouraria municipal fica mais aflita do que já estará. O pior é o exemplo. Foi a falta dele e muitíssimos milhares de iniciativas como esta que contribuíram para nos fazer chegar até aqui. Mas, toda a gente sabe, a culpa é do Gaspar e da troika. Nem me passa pela cabeça insinuar que “gestores” destes possam ter a mais leve responsabilidade. Até porque é disto que o povo gosta! E que a brigada do croquete aplaude!

sábado, 13 de abril de 2013

Abre um dia destes, portanto.


As gralhas são lixadas. Estão por todo o lado. Inclusivamente - e até com uma frequência inusitada – aqui pelo Kruzes. Mas quando acontece aos outros tem muito mais piada. De resto as que vão pousando neste espaço quase não têm visibilidade enquanto as desta montra são vistas, diariamente, por largas centenas de pessoas. Seja como for o destaque não é por “mangação”. Que é uma bela expressão infelizmente caída em desuso. É apenas porque não tinha nada de mais – nem de menos - interessante para postar. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Protestem, pá!


Presumo que por esta altura já Passos Coelho, todos os seus ministros e secretários de estado, deputados e restante malta dos partidos da coligação, bem como toda a panóplia de comentadores que, para além de comentar, recebem ordenado e ou pensões pagas pelo estado, tenham dado indicações aos serviços processadores que não pretendem receber o subsidio de férias. É que isto a coerência é muito bonita e o exemplo é muito lindo. E era uma maneira eficaz de manifestar o desagrado que lhes vai na alma pela decisão dos juízes do Constitucional...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Não é que me importe, mas...


Em conferência de imprensa o presidente do Sporting – o Bruno, como é carinhosamente conhecido entre os sportinguistas – explicava que vai concretizar a promessa eleitoral de fazer uma auditoria à forma como a instituição tem sido gerida. Pretende, com certeza, obter explicações quanto aos motivos que levaram o clube – a SAD, ou seja o que for – a chegar a este ponto. A ideia, digo eu, será identificar os erros para, de ora em diante, mudar de vida e recolocar a agremiação no lugar que merece. Tarefa difícil espera o homem. Especialmente se a nova forma de gestão envolver essa coisa do rigor. Será, provavelmente, uma caminhada solitária. O que até pode ser bom. Nem todos os compagnons de route são boa companhia quando o trajecto a seguir não deixa espaço para fantasias. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Alimárias


Um quadrúpede perto de uma bomba de gasolina constitui um cenário capaz de proporcionar umas quantas piadolas. Se a isso juntarmos o proprietário da alimária e os apreciadores do bicho – potenciais compradores, quiçá – estarão reunidos todos os ingredientes para meia-dúzia de dichotes a atirar para o javardote. Coisa que, como se sabe, não constitui prática deste blogue. É por isso que o post fica por aqui. Curtinho. Antes que a coisa descambe. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Dia do cidadão de etnia cigana


Diz que se assinalou hoje o dia do cigano. Talvez tenha estado desatento - ou mais preocupado com isso da crise – mas não dei conta de comemorações a assinalar a efeméride. O que, a não ter acontecido, se revela a todos os títulos inconcebível e me deixa deveras desapontado. Não digo a distribuição de casinhas, cheques do rendimento mínimo ou, para as mulheres ciganas, broches com a figura de um sapo. Não era preciso tanto. Chegava uma festa, um almoço, um lanche ao menos. Mas não. Nada. Népias.
Vão ver esqueceram-se. Mas pior que o esquecimento é organizar debates, colóquios, simpósios ou o raio que os parta. E disso fizeram uns quantos. A participação deverá ter sido intensa e as conclusões, presumo, brilhantes. Ou não fossem os ciganos conhecidos pela intensidade das suas participações em coisas e pelo brilhantismo das suas conclusões. Acerca das coisas. Também. Talvez mais para a noite se ouçam uns tiros. Para o ar ou noutra direcção qualquer. É, ao que consta que eu não sei nada disso, a forma costumeira desse pessoal comemorar datas importantes. Para eles, claro.

domingo, 7 de abril de 2013

Agricultura da crise


A agricultura da crise está, também ela, em crise. A invernia, anormalmente rigorosa e prolongada, tem inviabilizado a aposta na produção hortícola. Da courela há muito que não tenho noticia. O estado do terreno e a muita erva que entretanto cresceu não permitem sequer uma aproximação à área. Salvar-se-ão, presumo, os alhos da crise que, da última vez que foram avistados, estavam benzinho. Cá pelo quintal só o faval tem aguentado as agruras do clima. O pior é que já estamos em Abril e favas nem vê-las...

sábado, 6 de abril de 2013

Qual é o drama?! Sim, qual é a porra do drama?!


O roubo de um mês de vencimento – prefiro chamar-lhe assim – aos funcionários públicos a que o Tribunal Constitucional finalmente pôs cobro era, insisto, uma opção apenas baseada na convicção ideológica de que é necessário empobrecer os portugueses. A sua relevância para as finanças públicas não é, nem de perto, aquela que os partidos da área governativa, a generalidade dos comentadores e outros parvos, lhe querem atribuir.
Está, de facto, em causa muito dinheiro. Mas, como quase toda a gente sabe, um orçamento tem duas componentes. A receita e a despesa. E, por uma razão qualquer que me escapa, toda a gente está apenas a olhar para a segunda em lugar de ter em conta a diferença entre ambas. Que, no caso, é negativa originando o famigerado deficit. Os tais 1,2 milhões que o Estado terá de despender e com os quais não contava farão, naturalmente, aumentar a despesa inicialmente prevista. Mas – e parece que há muita gente a esquecer isso – mais de metade deste valor regressa aos cofres do Estado sob a forma de impostos e contribuições. O que significa um aumento de receita que, se as contas do Orçamento foram feitas correctamente, não estaria nas previsões.
Em termos líquidos, o que realmente conta para o deficit, serão seiscentos milhões de euros. Muita massa, ainda assim. Mas Passos Coelho e os seus comparsas deverão encarar isso como uma oportunidade. Com a falta de hábitos de poupança dos portugueses muito desse dinheiro irá fazer crescer as receitas do IVA. Ou, no caso dos mais poupadinhos, aumentar as contas bancárias. O que é bom na mesma. Melhora a liquidez dos bancos e diminui a necessidade de o governo lá injectar mais uns milhões.
Por último, mas não menos importante, também era bom que alguém explicasse por que raio toda a gente achou uma esplêndida ideia a injecção de mil milhões de euros nas autarquias, através do PAEL, e considere agora dramático, capaz até de pôr em causa a sobrevivência do país, que metade desse dinheiro seja colocado à disposição das famílias. A menos que achem que os autarcas gerem melhor o dinheiro que lhe colocam à disposição do que, por exemplo, eu faço a gestão das minhas finanças. Mas isso já seria um caso do foro clínico.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não percebo


Essa coisa da filosofia nunca foi a “minha praia”. Não sou dado a filosofices e detesto aquela malta que recorre sistematicamente a frases feitas, quase sempre desprovidas de sentido, pensando que estão a fazer uma grande figura. Deve ser, admito, por ter manifesta dificuldade em entender a fantástica mensagem que se esconde dentro de tão grandes tiradas.
Isto para dizer que não estou a ver onde quer chegar o líder do partido socialista quando nos garante que “há uma primavera a despontar, há um Abril a nascer em Portugal”. Não percebo. A primavera já por cá anda vai para quinze dias e chove como o caraças. Se isto é despontar vou ali e já venho. O Abril, esse, vai no dia quatro. Para um mês de trinta dias não o podemos considerar propriamente um nascituro. Nem, sequer, um recém-nascido. Vá lá, com boa vontade, um puto da escola primária.
Prefiro os números. Não mentem e dificilmente se prestam a baboseiras como a proferida pelo aspirante – lagarto, lagarto, lagarto – a primeiro-ministro. Verdade que há quem diga que, sob tortura, dizem aquilo que nós quisermos. Até pode ser. Mas o torturador corre o sério risco de fazer figura de parvo. Olhem, por exemplo, os apaniguados do mais recente comentador da RTP.

terça-feira, 2 de abril de 2013

E o principio do poluidor pagador não vos diz nada?!


Este mastim é um dos principais responsáveis pelas cagadelas de proporções épicas que, não raramente, documentam a minha indignação perante a atitude absolutamente javardola de gente que se acha no direito de poluir o espaço que é de todos. Não é o único mas é, seguramente, o maior cagão das redondezas.
Intrigam-me os motivos que levam os gajos com responsabilidade neste país – a troika, o governo, os autarcas – a ignorar esta potencial fonte de receita. Se um imóvel, que é um bem indispensável a todos os cidadãos, paga centenas de euros por ano para o município – e, recorde-se, não provoca qualquer despesa aos cofres públicos – não se percebe porque raio a posse de um cão não tem igual tratamento. Deve haver aqui algo que me escapa. A coisa é de tal forma surreal que eu pago à câmara uma taxa por causa do cabo que passa por cima do meu quintal, mas o dono do cão que vem cá cagar não paga nada por isso. Estranhas as prioridadezinhas da malta que nos desgoverna.

Ontem foi mentira. Amanhã não garanto.


Já dizia um figurão qualquer que aquilo que hoje é verdade amanhã pode ser mentira. Ou o contrário. Por isso o post de ontem, que à data era mentira, pode muitíssimo bem transformar-se em verdade. Foi, de todo, impossível proceder a este esclarecimento mais cedo. O que faz com que lamente ainda mais os eventuais transtornos, nomeadamente ao nível emocional, que esta inocente mentira do primeiro de Abril possa ter causado. É, reitero, mentira que venha aí a tal TMIP. Hoje. Amanhã não posso garantir.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

TMIP. A nova taxa que vamos pagar um dia destes


Os municípios cobram-nos taxas por tudo e por nada. Mas, na opinião dos autarcas, ainda não são as suficientes. Temos de pagar mais. Há que financiar o regabofe autárquico que não parece dar mostras de se conter perante a austeridade. A crise e a recessão forneceram até uma janela de oportunidade para esturrar ainda mais dinheiro a pretexto do combate às ditas e de um suposto auxilio às populações. Daí que - com crises ou sem elas, com austeridade ou não – será sempre necessário esmifrar os bolsos ao contribuinte. Pelo menos enquanto, como até aqui, a malta apenas se chatear com os ministros das finanças e for perdoando as tropelias dos seu autarcas.
Depois da inacreditável taxa sobre as dormidas que alguns municípios já estão a cobrar, cerca de um euro por noite e por pessoa em unidade hoteleira situada na área de circunscrição do respectivo município, pensou-se que já não haveria mais para taxar na esfera das competências municipais. Puro engano. Vamos, em breve, ter mais uma. Lembraram-se uns génios auto proclamados que existe ainda um serviço prestado pelas autarquias que não é pago directamente pelos munícipes. A iluminação pública. Trata-se de um serviço pelo qual os municípios pagam anualmente muitos milhões de euros, que requer investimentos avultados e do qual não têm qualquer retorno. Adivinha-se, por isso, que na factura da electricidade, um destes dias, apareça mais uma linha. A TMIP. Taxa Municipal de Iluminação Pública. Para nos deixar um pouco mais às escuras.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sites com as contas escondidas e a cultura à mostra


Isto de procurar informação de carácter financeiro no site de muitos municípios revela-se uma tarefa bastante complicada. Até parece que têm alguma coisa a esconder ou que lhes desagrada que os contribuintes tenham acesso a uma informação que, por força da lei, deve estar acessível ao público. Acha-lá, no entanto, nem sempre é fácil. Presumo que – nem todos, é bom de salientar – sigam o estratagema que um autarca sugeriu, num determinado local que agora não vem ao caso nem eu vou revelar que se tratava de uma reunião de divulgação da lei dos compromissos, que consistia em esconder tudo tão bem escondido que quem lá quisesse meter o nariz desistisse antes de ver fosse o que fosse.
Vá lá saber-se porquê, o mesmo não sucede relativamente à divulgação daquilo a que chamam actividades culturais. Essas merecem lugar de destaque nos respectivos sites e em tudo o que é lugar para onde qualquer cidadão seja obrigado a olhar. Desde a televisão aos sinais de trânsito. Compreende-se. As festarolas sempre deram mais votos do que a boa gestão. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Também tu, Sócrates?!


Como escrevi anteriormente poucas coisas me podiam interessar menos do quer que seja que tenha para dizer o suposto engenheiro e ex-dirigente politico que ontem foi entrevistado na televisão. O estado do país fala por ele. Retenho apenas uma frase que, segundo os muitos rescaldos que têm sido feitos e a que estou com manifestas dificuldades em fugir, o homem terá proferido: “Quando deixei de ser primeiro-ministro pedi um empréstimo ao meu banco para, durante um ano, ir estudar para Paris”. Ora, a ser verdade – e quem somos nós simples mortais para duvidar do honestíssimo cidadão – estaremos perante mais um caso de alguém que, manifestamente, viverá acima das suas possibilidades. Um endividado, portanto. Mais uma ou duas entrevistas e ainda há-de jurar que as fatiotas eram alugadas e que teve de pedir um crédito à Cofidis para equipar a cozinha.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Vamos lá registar a facturazinha...

Nem é preciso procurar muito para encontrar – na Internet e no mundo real – gente indignada com aquilo a que chamam novas regras de facturação. Ainda estou, confesso a minha ignorância, para saber porquê. Parece-me, a menos que ande distraído, que pouco ou quase nada mudou na lei que suscite tanta irritação ou que implique uma alteração radical no dia a dia do cidadão comum. Quem vende um bem ou presta um serviço tem de passar factura e quem o compra, caso o vendedor ou prestador de serviços não o faça, tem obrigação de pedi-la. Nada que não fosse já assim nem que constitua motivo para dúvidas.
Há quem se orgulhe, até, de recusar liminarmente que lhe seja passada factura. Se calhar será gajo para, também, se lamentar da elevada carga fiscal que lhe incide sobre o magro ordenado. Ou mesmo refilar dos comerciantes que, lá no colégio do filho, pagam uma mensalidade muito menor do que ele. Está, agora, nas mãos de todos evitar que esse Estado de coisas, embora não acabe, seja combatido. Todos, ainda que pensemos que não, ganhamos alguma coisa com isso. Se mais não for, termos pelo menos a certeza que o dinheiro que pagámos de imposto sobre o consumo não fica no bolso do comerciante.
Segundo os últimos dados são mais que muitas as “empresas” que nunca tinham emitido uma factura. Serão também algumas as que, passando, não incluem no respectivo ficheiro - o tal SAF-T – a totalidade da facturação. É para isso que existe a possibilidade, de uma forma simples e intuitiva, ser o próprio contribuinte a fazê-lo. Tal como acabei de fazer relativamente a uma factura em que suportei mais de cinquenta euros de iva e que, apesar do comerciante já ter carregado o ficheiro do mês em que efectuei a compra, não constava na lista das minhas aquisições registadas no e-fatura. Temos pena. Contas são contas e se o valor do IVA não era para entregar ao Estado então tivesse-me feito o desconto correspondente. 


terça-feira, 26 de março de 2013

...E orgulham-se disso!


Nos últimos dias têm-se sucedido as noticias de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia que, de forma gratuita, disponibilizam os seus serviços para preenchimento da declaração de IRS aos eleitores residentes na sua área de circunscrição. Das duas uma: Ou não sabem o que hão-de dar a fazer ao pessoal que têm ao serviço ou, razão tão plausível como a primeira, ainda não ouviram falar de crise, desemprego, falta de oportunidades ou concorrência desleal. Embora uma terceira hipótese não seja igualmente de descartar: Agradar ao eleitorado mais velhote para ir garantindo a reeleição.
Discordo em absoluto que as autarquias prestem este e outro tipo de serviço. Ainda sou do tempo em que era exigido, para tudo e para nada, o execrável “papel selado”. Nessa altura, com uma taxa de analfabetismo muito superior à actual, os funcionários estavam terminantemente proibidos de fazer qualquer requerimento aos contribuintes. Ainda que estes não soubessem ler nem escrever. Para isso existiam por perto de repartições de finanças, tribunais ou câmaras municipais, pessoas que ganhavam a vida a tratar destas burocracias.
Era aquilo a que hoje se chama iniciativa. Empreendedorismo, vá. Em escala nano-mini-micro, admito. Que, dizem, é necessário estimular. Conversa fiada, como se vê. Se algum jovem quiser, por estes dias “montar barraca” a preencher declarações de IRS a quem não sabe ou não tem paciência para papeladas estará condenado ao insucesso. Verdade que não ganharia muito mas, para quem não tem emprego e lhe sobra o tempo, uma centenas de euros dariam algum jeito. Mas isso é coisa que um caçador de votos não entende. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Que o Sporting nos continue a dar muitas alegrias...


O Sporting tem um novo presidente. Será, provavelmente, mais um dos muitos a cair em desgraça pouco tempo depois de a sua eleição ser celebrada de forma apoteótica. A instituição estará praticamente falida, fruto de décadas de péssima gestão desportiva e de desvalorização continua de activos, pelo que apenas um milagre pode colocar de novo o clube em condições de, nos próximos anos, chegar perto dos lugares cimeiros da Liga portuguesa. Inverter esta situação será uma tarefa ciclópica na qual o novo lagarto-mor dificilmente, este ou qualquer outro, terá sucesso.
Reconheça-se no entanto que o homem agora eleito parece revelar uma visão para a coisa bastante superior à dos seus antecessores. Integrar na sua lista o treinador do Moreirense é uma jogada ao nível de génio. Enfraquecer os adversários, indo buscar o treinador de um rival directo na luta pela manutenção - que para mais ainda terá de se deslocar a Alvalade – afigura-se uma boa estratégia que não lembrava a todos. Comparado com isto, contratar jogadores dos adversários em véspera de jogo é coisa de meninos.


domingo, 24 de março de 2013

Venham de lá mentiras novas!


Poucos assuntos me podiam deixar mais indiferente do que a anunciada contratação de José Sócrates para comentador politico na RTP. Não compreendo o entusiasmo de alguns, os muitos que ainda o veneram, nem a indignação de outros, os que o responsabilizam por todo o mal que aconteceu ao país. Menos ainda percebo a existência de petições – essa moda parva e inútil – a favor e contra a presença do ex-primeiro ministro, a mandar bitaites, na televisão pública. Deixem lá o homem falar. Ou, os que não gostam da criatura, que mudem de canal. É, de resto, para isso que serve aquela coisa com botões a que chamamos comando. 
Comentadores há muitos. Ex-políticos a botar opinião também não faltam em nenhum dos canais principais. Não vejo, portanto, motivo para tanto alarido. Neste caso até me parece que fizeram a escolha acertada, pois este é o gajo indicado para explicar aos portugueses os motivos porque estamos nesta situação. O que, caso ele mantenha a performance que o caracterizava antes de bazar para Paris, contribuirá seguramente para o enriquecimento do anedotário nacional. Valha-vos isso. Por mim dispenso. Quando quiser ver palhaços vou ao circo.

sábado, 23 de março de 2013

A dama e o Lulu vieram ao mercado


Embora incomparavelmente menos do que noutros tempos, o mercado de sábado de manhã em Estremoz continua a atrair muita gente das redondezas. Mas se as pessoas, as galinhas ou os coelhos são cada vez menos, os cães que os visitantes passeiam são cada vez mais. Mas antigamente os animais, excepto os destinados a venda, ficavam no “monte”. Hoje trazem-nos à cidade. Para nos cagar as ruas. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Kruzes Kupido



O amor é uma coisa muito linda. Não me canso de repetir. Seja declarado na forma de um poema manhoso pintado numa parede igualmente manhosa, com gatinhos fofinhos à mistura, ou em letras garrafais pintadas à porta da amada. O jovem apaixonado, seja ele quem for, merece uma oportunidade. Se é, digo eu fazendo votos para que sim, que não a tem já. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Não era preciso ofender os varredores...


Nunca liguei a comentários supostamente ofensivos que, de vez em quando, por aqui vão deixando. Mas, embora este nem tenha nada que me ofenda, confesso que estava à espera de algo parecido. Foi feito às 9 horas e 54 minutos num computador, alegadamente, ligado ao servidor de uma Câmara Municipal. Provavelmente por alguém que é pago com o dinheiro dos contribuintes para trabalhar. Coisa que, aparentemente, não lhe assiste. Em vez disso, por razões que só ele – ou ela - sabe optou por utilizar o seu tempo a tentar marrar contra o autor deste blogue. Que, pelos vistos, até sabe quem é e o cargo que desempenha.
Está, em relação a mim, claramente em vantagem. Não sei quem é o comentador nem o cargo que ocupa na suposta autarquia. Se é que desempenha algum. Nem, diga-se, é coisa que me interesse por aí além. Importa-me mais a falta de profissionalismo. O não saber respeitar o lugar que ocupa. A falta de respeito que demonstra pelos contribuintes. Que, recorde-se, é também para pagar ordenados à malta que ocupa o seu tempo a comentar blogues que serve o IMI que nos seca a carteira. Vergonhoso, acho eu.

quarta-feira, 20 de março de 2013

De pantanas


Isto de trabalhar para o Estado, ainda que nunca tenha sido grande coisa, já nem sequer é o que era. Os funcionário públicos são, de uma forma geral, mal-vistos e vitimas de uma inveja mal justificada promovida, principalmente nos últimos anos, pelos sucessivos governos. Nisto, tal como em muitas outras coisas, Passos não é diferente de Sócrates. E é bom que disso se tenha memória.
Para os agentes da forças de autoridade os tempos são ainda piores. Ao ódio governamental e aos invejosos dos seus privilégios – sejam lá eles quais forem – soma-se uma estranha doença que, de há uns anos a esta parte, se espalhou de forma pandémica na sociedade portuguesa: O politicamente correcto. De tal forma que hoje o policia ou militar da GNR que tenha o azar de pontapear um porco, sacudir as moscas das trombas de um meliante ou, sequer, tentar salvar a vida a um qualquer maluco que circule de mota sem capacete, está feito ao bife. Lixado, mesmo.
O país está de pantanas. E não é apenas no que diz respeito à economia ou às finanças. No plano moral não está melhor. Quando numa sociedade a palavra de um badameco – ou mesmo de dez badamecos - mais dado aos negócios pouco claros que ao trabalho, vale o mesmo que a palavra de um agente da autoridade é porque está tudo virado do avesso. O pior é que até expressar esta opinião, não tarda, há-de ser proibido.

terça-feira, 19 de março de 2013

No gastar é que está o ganho...




O país está a esfrangalhar-se e, ainda assim, há quem continue sem perceber o que está acontecer à sua volta. Já nem falo dessa gente estranha da “cultura”. Que mantém, como se sabe, uma incompatibilidade militante com os números e nem consegue assimilar, ainda que vagamente, a ideia de isto estar tudo falido e que não há guito nem para mandar cantar um ceguinho. Quanto mais para pagar programações milionárias das “casas da música” ou, em menor escala, aos “Tóinos Carreiras” desta vida. Já não há dinheiro para o pão mas, mesmo assim, estes desmiolados continuam a insistir que o Estado tem obrigação de lhes de pagar o circo.
Mas, voltando à vaca fria – que é uma bela expressão, embora lamentavelmente caída em desuso – mais preocupante é a existência de decisores, no âmbito politico e se calhar não só, que aparentam não demonstrar qualquer preocupação em poupar os recursos públicos. Não existe na administração pública a cultura da poupança. Veja-se, por exemplo, a quase inexistente utilização de software livre nos serviços públicos e, olhando apenas para estes três exemplos, perceba-se a grandeza dos montantes que estão em causa. Apenas em três municípios portugueses esturraram-se mais de seiscentos mil euros em licenciamento de software. A Microsoft agradece. Nós não. Pelo menos os chatos que não gostam de pagar caro aquilo que podem ter mais barato. Ou, até, de borla.

domingo, 17 de março de 2013

Aos bancos!


Causa-me uma certa confusão que Chipre tenha necessitado de pedir apoio internacional. Teve até há cerca de dois meses um governo de esquerda – daqueles patrióticos e progressistas, como se reclama por cá, que sabem o que é bom para o povo – pelo que seria suposto estar ao abrigo destas contingências e a salvo das manigâncias do grande capital, especuladores estrangeiros e chulos em geral. Não escapou, pelos vistos, a nenhuma delas.
Em consequência disso os cipriotas foram assaltados. Pela calada da noite, enquanto dormiam, foram vitimas de um assalto em larga escala – um arrastão, digamos - que lhes levou uma fatia significativa das suas poupanças. O crime foi perpetrado pelo governo local, sob indicações da troika lá do sitio e, começo a desconfiar, é um modus operandis que pode começar a fazer escola entre os criminosos do ramo. Um roubo com contornos semelhantes foi, como certamente alguns se recordarão, sugerido igualmente quando do primeiro resgate a Portugal. Escapámos. Se calhar para a próxima não teremos a mesma sorte.
De resto esta é uma opção que recolherá algumas simpatias – em alternativa a outros cortes – em alguns sectores políticos nacionais. Excepto, talvez, no CDS os principais partidos estão contaminados pelo vírus maoísta-blochevique transportado por muitos que, na ânsia de encontrar tacho, procuraram nos partidos do sistema o que não conseguiram obter com o PREC. E, assim sendo, não me surpreenderá muito se, em desespero de causa, o vírus desperte e a opção seja sacar umas massas a esses malandros que têm uma poupançazitas. Até porque o deles, o mais provável, é estar ao “largo”. 

sábado, 16 de março de 2013

Cagaram nos meus poejos!!!!


Que levem os cães a cagar ao jardim ou ao relvado mais próximo, os passeiem pelo bairro onde moram para que os gajos caguem na rua, na calçada ou onde os filhos da puta dos donos entendam por bem, ainda, apesar de bastante javardo, vá que não vá. Agora que um desses animais me invada o quintal e trate de largar um monte de cagalhões em cima dos meus poejos é que, convenhamos, já é demais.
A plantação está, portanto, arruinada. Usar estas plantas para, por exemplo, confeccionar uma açorda está fora de causa. Equacionava dar-lhes uso para produzir um licor mas, depois disto, o melhor é esquecer o assunto. Tudo graças a uma besta qualquer que não sabe educar os seus bichinhos a cagarem naquilo que é seu. Ou, o mais provável, que os ponha no olho da rua – e lhes feche o portão, como já por aqui vi fazer – para que não voltem a casa sem antes terem arreado o calhau. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cumprir a austeridade gastando mais








Hoje, confirmadas as noticias que já se adivinhavam, o país está ainda mais indignado do que habitualmente. Compreende-se porquê. O que já não se entende muito bem é – reitero o que ando a escrever desde tempos imemoriais – a selectividade da indignação que por aí vou vendo espalhada.
O país está abespinhado. Não gosta da austeridade. Daí que faça tudo o que pode para contrariar as medidas austeras que o governo vai decretando. E se a coisa não revela particular importância se for um qualquer cidadão a tentar, por si, furar o esquema, o mesmo não se pode dizer quando se trata de grupos organizados. Ou, pior ainda, detentores de cargos políticos.
No âmbito do memorando da troika o número de funcionários públicos teria de ser reduzido em, pelo menos, dois por cento ao ano. Não consta que haja, por parte dos diversos organismos obrigados a aplicar esta redução, grandes violações à regra. Mas desenganem-se os que pensam que do religioso cumprimento desta norma resultou uma significativa poupança para os cofres públicos. Pelo contrário. A despesa será agora bastante maior. È que, de imediato, as mentes brilhantes que nos representam lembraram-se de uma forma simples, expedita e bastante cara de dar a volta à lei, aos cortes e à impossibilidade de arranjar emprego ao séquito. Como? Recorrendo ao maravilhoso e transparente mundo das aquisições de serviços. Seja de trabalho temporário ou de consultadoria. E serve para tudo. Desde a limpeza de edifícios até à observação do atum rabilho.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Estacionamento tuga


Este chasso está à venda. Pelo menos a acreditar no papel colado no vidro da porta. Isto apesar de coxo. Porque, como se pode atestar (atestar?! Isto anda tudo ligado..) tem apenas três rodas. Deve ser por isso que não vai a lado nenhum. Ou então é para não estragar o eventual negócio!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Apagão blogosferico


Escrevia um destes dias o autor de um blogue que costumo visitar frequentemente, daqueles que estão ali na barra lateral, que os blogues duram sete anos. Alguns, acrescento eu. Outros acabam mal começam. Há, depois, as excepções. Os bons que pela qualidade da matéria publicada se tornaram uma referência e aqueles que, por uma qualquer razão ou mesmo sem ela, insistem em permanecer na blogosfera. É a este último segmento que o Kruzes se orgulha de pertencer. Anda por aqui a aborrecer vai para oito anos e não estará, salvo algum imponderável, perto do fim.
Lamentavelmente – na minha opinião, porque outros pensarão o inverso – o universo bloguistico de Estremoz desapareceu. Sumiu-se. Finou-se, salvo raríssimas excepções, quase tão depressa como apareceu. E ninguém ficou a ganhar com isso. Nem mesmo aqueles que respiraram de alivio perante a ausência de critica. Alguns terão migrado para o Facebook. Mas não é a mesma coisa. Ainda que com perfis falsos. Uma espécie de anonimato que parece ser muito mais tolerada mas – e vamos ver se o futuro não me dará razão – igualmente perigosa.

terça-feira, 12 de março de 2013

Privatize-se, porra!


Dizer que as sucessivas greves nos transportes já aborrecem é, manifestamente, pouco. Pelo menos quando comparado com a ausência de medidas para combater a situação por parte da tutela. Que é como quem diz, do governo. Talvez por isso surgiu agora – um destes dias, não sei ao certo quando – um movimento de utentes do metropolitano de Lisboa contestando a rebaldaria que se vive no sector. Nomeadamente o facto de serem os utilizadores os únicos prejudicados pelas inúmeras greves.
Obviamente que os grevistas têm todo o direito de protestarem. Principalmente quando entendam estar em causa aquilo que consideram ser os seus direitos há muito adquiridos. Tal como os utentes de se manifestarem contra o fraco – ou inexistente, em caso de greve – serviço pelo qual pagaram antecipadamente. O governo, por sua vez, tem a obrigação de assegurar o regular funcionamento da rede de transportes. Se não está em condições de satisfazer as exigências de uns, nem de indemnizar os prejuízos de outros, então que obrigue os primeiros a trabalhar ou que arranje quem o queira fazer.
Não é que me pareça boa ideia, mas, aproveitando esta onda de simpatia póstuma para com Hugo Chavez, podiam copiar algumas das suas medidas enquanto presidente da Venezuela. Como, por exemplo, aquela em que ele despediu cerca de vinte mil grevistas da companhia de petróleos lá do sitio. A julgar pela admiração que as redes sociais dedicam ao falecido, seria coisa para recolher um aplauso quase unânime. E com melhor resultado do que ir cantar a “Grândola” para as estações de metro em dia de greve... 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sacadores ou saqueadores?


O resultado de vinte e tal anos a sacar dinheiro a Bruxelas – como disse em certa ocasião um ex-Presidente da República e da Câmara de Lisboa - para fazer obras, está à vista de todos que o queiram ver. Poucos, apesar de tudo o que estamos a passar, porque a maioria ainda acha que é uma boa ideia gastar o que não tem com obras desnecessárias e arranjar encargos que não vai poder pagar só porque alguém lhe dá uma ajudinha.
Despejar dinheiro em cima dos problemas tem sido também uma prática corrente. Mesmo daquele dinheiro que não temos, que tivemos de pedir emprestado e que agora alguns acham que não temos nada de pagar. As consequências são, tal como em relação ao que sacámos à Europa, as que podemos apreciar.
Diz que agora o governo, que politicamente tanto diabolizou esta prática enquanto os organismos públicos de si dependentes a continuavam a incentivar, vai lançar umas quantas obras públicas e criar uns quantos programas para esturrar mais umas massas e, alegadamente, criar emprego. Para gente vinda de leste e de África, presumo.
Haverá, ao que parece, a intenção de avançar com projectos na área da recuperação de centros urbanos degradados. Pode ser, admito, uma ideia razoável. Os jardins suspensos em que os telhados de muitos prédios, em todas as cidades e vilas, se estão a transformar deviam, digo eu, constituir motivo de preocupação. Embora, em muitos casos, já não haja nada para recuperar. Nem, sequer, razão para o fazer. É deitar abaixo, limpar o entulho e pronto. Ou, quando muito, alargar a rua.

domingo, 10 de março de 2013

Eleições antecipadas


A eleição do sucessor de Bento XVI está a suscitar teorias deveras curiosas acerca do perfil que deve ser tido em conta quando chegar a hora do colégio eleitoral nomeado para o efeito tomar a sua decisão. O novo Papa, alegam uns quantos, deve ser alguém do “sul do mundo”. Presumo que tenham em mente algum candidato australiano ou neozelandês com especiais aptidões para o cargo. Outros preferiam ver no Vaticano um Papa negro. Não se sabe ao certo porquê mas, sendo escuro que breu, ficariam satisfeitos.
Por mim - que não sou dado a essas coisas das beatices e que não podia estar menos interessado no assunto – tanto se me dá. Só não percebo é porque a escolha parece ter de obedecer a critérios de proveniência geográfica, cor da pele, idade ou de outra baboseira qualquer. Pensava eu, pelos vistos mal, que quando se trata de eleger alguém para funções com alguma relevância, a única condição era a competência para o desempenho do lugar. Já que não é assim, se querem algo revolucionário e a atirar para o modernaço, escolham um Papa muçulmano e transexual e não se fala mais no assunto.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Javardolas


Verdade que o contentor está mesmo ali. Mas isso, quando se quer sujar deliberadamente o que outros acabaram de limpar, não interessa nada. Deve dar, calculo, um gozo do caraças atirar lixo para o chão, ver tudo sujo, armar-se em alarve e, às tantas, reclamar que “esta malandragem não quer é trabalhar, vejam lá que nem o lixo recolhem, os patifes”. São javardolas desta estirpe que não faltam por aqui. Nem, se calhar, noutros lados. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Das outras não resultou...Mas desta é que vai ser!


Não vou gastar as pontas dos dedos, nem desgastar ainda mais as minhas quase imperceptíveis impressões digitais, a escrever o que penso acerca das cada vez mais previsíveis reduções de vencimentos na função pública. Já o fiz em inúmeras ocasiões e, não o digo com grande satisfação, tudo o que tem sucedido na sequência dos cortes já efectuados tem vindo de encontro ao que por aqui tenho escrito.
Parece que desta vez a coisa vai ser ainda pior. Os ordenados da generalidade dos funcionários públicos estarão, mais uma vez, sob a ameaça de novos cortes e, consta, agora a titulo definitivo. Será, tudo indica, por aí que o governo vai encolher a despesa pública nos tais quatro mil milhões de que tanto se tem falado ultimamente. Trata-se da opção mais fácil e com menos custos em termos de popularidade mas, ainda assim, tão inútil como as tesouradas anteriores.
Digamos que, pelo menos nesta fase, não estou especialmente preocupado com esta eventualidade. Ou quase certeza. Nunca gastei mais do que aquilo que ganho e é assim que tenciono continuar a agir. Por isso se ganhar menos, gastarei menos. E se tivermos em conta que na economia os meus gastos são os teus ingressos, alguém é capaz de se lixar. Mais ainda.