terça-feira, 5 de março de 2013

Sei o que fizeram no governo passado...


Gosto da democracia. Não sei porquê, mas gosto. E em democracia as pessoas – o povo, portanto – escolhem quem os vai governar, nas urnas de voto através dessa coisa a que chamamos eleições. Por mim prefiro que continue assim. Mesmo que não ganhem aqueles em quem voto e ainda que os escolhidos para governar o façam ao arrepio das minhas convicções.
Quero acreditar que foi por isso que muita gente terá lutado durante o regime salazarento. Nem me passa pela cabeça que a generalidade dos que deram o corpo ao manifesto antes do 25A tivessem em mente algo de diferente. Que idealizassem um país onde os governantes não fossem eleitos em sufrágio livre e universal, mas antes nomeados por um grupo de “esclarecidos”, iluminados e auto-nomeados representantes do povo. Como antes, afinal.
Obviamente que em democracia também é legitimo pretender a queda de um governo. Que a acontecer nada terá de dramático. Elege-se outro e o assunto fica resolvido. Ou não. Porque não me parece que seja isso que muitos manifestantes – profissionais ou gente legitimamente indignada – desejam para o país. Se é que sabem o que desejam. Nem, menos ainda, representam ninguém. A não ser a eles próprios, quando muito.
Insiste-se agora que se deve ouvir o povo. Creio que a referência envolverá eleições antecipadas e não outra coisa qualquer. O que, a acontecer, levaria o PS de novo ao governo e que é bem revelador da fraca memória dos portugueses e da pouca inclinação que têm para os números. Preferem o regresso da festa. Esquecem apenas um pormenor. Já não há quem queira financiar os festejos.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Indignação com os indignados


Há quem se escandalize por uns quantos reformados manifestarem a sua indignação pelo roubo de que estão a ser vitimas e, para manifestarem o seu aborrecimento, terem criado um movimento a que deram o sugestivo nome de reformados indignados. O escândalo, em vez da esperada solidariedade, deriva somente do facto de alguns destes reformados auferirem uma pensão para lá de generosa. Que, segundo os próprios, é praticamente toda recolhida de volta pelo Estado. Seja sob a forma de cortes ou impostos.
Por mim estou solidário com estes reformados. Faço, até, minha a indignação deles. Verdade que o valor da pensão que lhes tem sido paga é mais que obsceno. Igualmente verdadeiro que, por mais cortes que sofram ou impostos que paguem, nenhum destes aposentados vai morrer de fome, de falta de assistência médica ou de qualquer outra coisa relacionada com falta de dinheiro. O que me indigna é que estas pensões não sejam cortadas por serem imorais, mas apenas porque, circunstancialmente, o Estado não tem dinheiro para as pagar. O mesmo Estado – em todos os seus níveis de poder - a quem parece não faltar o guito para esturrar em despesas absolutamente parvas, inúteis e que deviam cobrir de vergonha aqueles que as fazem. E, também, todos os que as aplaudem.

domingo, 3 de março de 2013

Bichano esfomeado


Diz que a curiosidade matou o gato. Alegadamente, claro, que eu não sou de acusar ninguém. E se algum bichano morreu por causa da sua bisbilhotice não foi de certeza este que, quando deu pela minha presença, se revelou muito mais assustado do que curioso.
O coitado do bicho mais não é do que um gato vadio que vagueia aqui pelas redondezas. Procura comida no lixo e, em consequência disso, um destes dias ainda é capaz de bater a bota. Basta alguém fechar a tampa do contentor...E aí não vai ser a curiosidade a matá-lo. Será a fome. Ou a vontade de comer.

sábado, 2 de março de 2013

25 de Abril ou uma espécie de D. Sebastião


É preciso outro 25 de Abril, proclama-se. Com armas desta vez, garante-se convictamente, porque os militares têm de fazer qualquer coisa. Se necessário for que haja uma guerra civil, profere alguém num momento de exaltação de que mais tarde se envergonhará. Ainda que as expectativas quanto ao discernimento da maioria dos manifestantes não sejam elevadas, hesito quanto às capacidades mentais de quem assim fala. Ou será que esta malta acha que os militares, ainda que hipoteticamente possam fazer os 25 de Abril que quiserem, têm dinheiro e empregos para distribuir por todos?! Derrubar o governo é fácil. A parte complicada vem depois. Ou talvez não. No caso da coisa dar para o torto faz-se outro 25 de Abril...e outro...e outro...e outro...

E que tal exigir rigor?!


Tal como escrevi por ocasião de manifestações anteriores todos, ou quase todos, temos motivos de sobejo para nos manifestarmos contra o estado a que chegámos. A trajectória que estamos insistentemente a seguir já deu demasiadas provas que é a errada e que, a não se arrepiar caminho, mais cedo do que tarde a coisa estoira de vez.
O que me deixa mesmo lixado é ver muita gente que contribuiu para a tragédia que estamos a viver ter agora a distinta lata de se associar a este protesto. Estou a pensar, entre outros, em inúmeros autarcas, nomeadamente vereadores e presidentes de câmara, que nas suas páginas do fuçasbook apelam à contestação ao governo e fazem questão de demonstrar o seu apoio e entusiasmo perante a “revolta popular”. Esta criaturas, que contribuíram decisivamente para rebentar com o país, são responsáveis em grande medida pelo agravar da situação dos seus munícipes. Veja-se, dentro de poucos dias, a continha do IMI, analise-se a factura da água e olhe-se para as prestações de contas ou simplesmente para as informações que divulgam on-line e é fácil perceber o que esta malta tem andado a fazer. É só ir às respectivas páginas na internet que está lá tudo.
O mesmo se pode dizer de muitos dos que hoje vão manifestar a sua indignação. Durante anos aplaudiram o esbanjamento e a delapidação dos recursos que não tínhamos. Ainda agora não faltam os que continuam a exigir e a congratular-se com obras faraónicas de interesse duvidoso sem perceberem, ou sem quererem perceber, que não há dinheiro e que tudo isso contribui para agravar a situação que tanto criticam. Mesmo com o país falido são também bastantes os que se acham no direito de reclamar subsídios e apoios para as suas organizações ou iniciativazinhas. Muitas delas sem outro interesse que não o gastronómico ou folclórico. Isto para não mencionar todos aqueles que entendem que isso de exigir factura é coisa para gajos com tiques pidescos.
É preciso encontrar alternativas. Mas elas não passam, seguramente, pela esmagadora maioria das palavras de ordem que hoje vão entoar pelas ruas da capital. Por mim, insisto no que escrevo desde o tempo em que ainda nem sequer se sonhava que ia haver crise. Não precisamos de austeridade, apenas de rigor. O rigor, por parte de todos, teria chegado e sobrado para evitar que tivéssemos chegado até aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Neve em Estremoz


Não é que seja especial apreciador de neve. Seria mesmo incapaz de assapar umas quantas dezenas de quilómetros apenas para a ver. A bem dizer nem umas centenas de metros... mas pronto isso sou eu que apenas gosto de ver neve através da janela. Prefiro o calor. Estou como diz o outro:
Ó sol és a minha crença
nem que eu morra queimado
ainda assim não me compensa
dos frios que tenho passado”


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vem aí o IMI


Vamos, dentro de poucos dias, começar a receber as notas de cobrança do IMI. Abrir a caixa do correio e deparar com contas a pagar é algo que aborrece qualquer um, mas esta missiva das finanças vai ser coisa para deixar a maioria dos proprietários de imóveis com os níveis de irritabilidade em alta. Dependendo do montante a pagar – do tamanho do saque, por assim dizer – a conta será dividida até três prestações. A última, curiosamente, será paga apenas lá para Novembro. Depois da eleições autárquicas. Quando a malta já votou, colocando assim a salvo os muitos candidatos que vão andar por aí ao abrigo de algum percalço mais ou menos desagradável. Pelo menos daqueles relacionados com este imposto desgraçado, inútil e que, nos moldes actuais mais não é do que um roubo descarado aos nossos bolsos.
De positivo neste esbulho vejo apenas um aspecto. O de os portugueses terem finalmente a oportunidade de perceber que é o seu dinheiro que paga as festas de que tanto gostam, as obras que não se cansam de exigir e tudo o mais que tanto apreciam no governo e nos governantes da sua terra. Ou na parte do IMI resultante da reavaliação dos prédios, como vai suceder neste e no próximo ano, para pagar os empréstimos contraídos por estes junto da banca. É que isto não há almoços grátis. Nem promessas “deles” que nós não paguemos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Deve ser uma espécie de perseguição religiosa

Ainda que baptizado e casado pela igreja não me considero católico. Nem sequer, embora provavelmente as estatísticas me incluam nesse número, católico não praticante. Digamos que as minhas relações com a igreja serão muito mais circunstanciais do que movidas por qualquer espécie de convicção.
Apesar disso não aprecio muitos dos ataques que quase constantemente são dirigidos à igreja, enquanto instituição ou à sua hierarquia, nomeadamente quando as outras religiões não são postas no mesmo patamar de exigência. Desagrada-me sobretudo que se critique de forma despudorada a igreja católica e se deixe impune à critica, seja por cobardia ou em nome do pensamento politicamente correcto vigente, outras religiões que claramente oferecem mais motivos de reprovação. Refiro-me, entre outras, ao islão. Crença acerca da qual todos parecem ter um imenso receio de tecer o mais moderado dos comentários.
A foto que acompanha este post é um dos exemplos mais elucidativos do que acabo de escrever. Tem sido partilhada no fuçasbook e divulgada em sites e blogs como forma – se bem interpreto a mensagem – de denunciar a alegada indiferença da igreja perante a fome de milhares, quiçá milhões, de criancinhas africanas e de outras paragens menos favorecidas. Terão os que partilham este tipo de imagem alguma razão. Se calhar uns quantos indivíduos vestidos de forma abichanada podiam fazer mais qualquer coisa para minorar o sofrimento destas e de outras pessoas. Mas, se mal pergunto, os ayatollahs de toalha na cabeça, que rezam de cú para o ar e a quem também não faltam riquezas, não podiam fazer nada? Até porque estão lá mais perto. E, mesmo sabendo que são estes fulanos que muitas vezes impedem o auxilio a estas crianças, não há por aí umas quantas fotos desses seguidores do profeta que se possam colar às destas criancinhas?
Não se pode exigir que quem partilha e divulga estas palermices pare muito tempo para pensar. Ou que, em muitas circunstâncias, tenha sequer grande capacidade para o fazer. É por isso que aquela rede social substitui quase na perfeição a parede do WC. Sinal dos tempos e da evolução tecnológica. Que não, necessariamente, do utilizador.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Onde é que está a dúvida que andámos a viver acima do que podíamos?


São muitos os que ficam com os cabelos em pé quando ouvem dizer que vivemos – e se calhar continuamos a viver – acima das nossas possibilidades. Isto enquanto país, obviamente. Não gostam e acham que os problemas estão algures noutros pontos quaisquer da nossa vivência em sociedade. Terão, sem dúvida, toda a razão relativamente a muitos argumentos que evocam para rebater a tese, que abominam , de termos andado a esbanjar o dinheiro que tínhamos, o que não tínhamos e o que provavelmente nunca chegaremos a ter.
O pior é que a razão deles não chega. O problema vai muito para além dela. E o gráfico junto é por demais elucidativo. Os juros e encargos com a divida representam a mais importante parcela da despesa financiada com os nossos impostos, superam até os gastos com a saúde, o que, somando o BPN, torna o país praticamente ingovernável. Digamos que se fosse uma empresa, ou mesmo um particular, um destes dias era declarado falido. 
Ora estes encargos resultam de empréstimos que foram contraídos para financiar investimentos e para irmos mantendo o nosso simpático nível de vida. O mesmo que muitos portugueses fizeram, portanto. Desgraçadamente todos os créditos têm aquela parte chata, aborrecida e muito desagradável que envolve o seu reembolso e o pagamento dos respectivos juros. Coisa para a qual não temos graveto porque não geramos riqueza para isso. Se isto não foi viver acima das possibilidades, então não sei o que lhe chame. Talvez mania das grandezas, querer fazer figura com dinheiro alheio ou não ter onde cair morto mas fazer vida de rico, é capaz de não ser, também, desajustado de todo. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Peçam muitas facturas em meu nome que eu não me importo!


Desatar a trautear a Grândola vila morena quando nas imediações se encontra um qualquer membro do governo pode parecer um bocadinho a atirar para o estranho mas, enfim, ainda se tolera. Mesmo correndo o risco de o fulano que democraticamente se pretende silenciar desate, também ele, a cantar a dita cantiga. O que, convenhamos, tira todo o brilho ao putativo protesto.
Já fazer uma compra, paga-lá e no fim pedir factura em nome de outro é, para ser simpático, das atitudes mais parvas de que já ouvi falar. Apesar disso, parece, é o que andarão a fazer uns quantos totós. Diz que será uma forma de protestar contra a obrigação de pedir factura. Desconheço o que ganhará com isso quem assim procede ou em que medida ficará prejudicado o possuidor do número de contribuinte a quem a factura foi emitida. O efeito é, desconhecerão os idiotas mentores desta acção, exactamente o contrário. Eles ficam a perder e os contribuintes identificados a ganhar. Por causa de palermas desta estirpe PPC, Relvas e outros terão já direito a pagar menos 250 euros de IRS. ¹
A ideia é tão estúpida que já tem milhares de seguidores no facebook - um local onde as ideias estúpidas surgem a uma velocidade estonteante. De estranhar é apenas ter surgido agora. Se a intenção de mandar facturar em nome de outro tem a ver com a possibilidade deste vir a ser investigado para determinar a origem dos proveitos que lhe permitiram adquirir bens acima dos seus rendimentos, porque raio ninguém se lembrou de pedir facturas em nome de um alegado engenheiro desempregado até há uns dias atrás?! Ou da senhora sua mãe? Ou de outra pessoa qualquer que compre apartamentos de centenas de milhares de euros quando ganha apenas uma reforma miserável.

¹ Se quiserem pedir factura em meu nome é só deixar o contacto na caixa de comentários que eu disponibilizo o meu NIF para o efeito. Abater 250 euros ao IRS dá sempre jeito. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O que o álcool faz... a um pobre diabo!


Que os vinhos de Estremoz são dos melhores que se produzem no país parece ser, a acreditar na opinião dos especialistas em matéria vinícola, uma realidade incontornável. Por mim, que não não sou grande entendido nessas coisas da pinga, posso apenas garantir que possuem qualidades insuspeitas. Pelo menos ao nível do efeito que produzem na fluência do discurso e clareza do raciocínio dos seus consumidores. Sobretudo daqueles que o consomem em quantidades mais elevadas.
Foi por causa desses efeitos que um destes dias num popular tasco cá da terra, enquanto aguardava o registo do euro-milhões, tive a oportunidade de assistir a um verdadeiro comício improvisado em torno de umas quantas garrafas de um tinto aqui da zona. O orador improvável, um borra-botas qualquer incapaz quando sóbrio de dizer burro duas vezes seguidas, discorria fluentemente sobre o carácter e a conduta de um conhecido politico local. Fluente, mas em termos que a decência aconselha a não reproduzir. Mesmo num espaço como este.
Nada de mais se atendermos ao que todos os dias se diz dos políticos, pensará quem se dá ao trabalho de me ler. De facto, o episódio não teria nada de especial não fosse a piece de resistance da história. É que para gáudio dos que assistiam,  o homem terminava invariavelmente cada frase com um sonoro “e eu sou amigo dele”. Nem quero pensar o que a criatura dirá, quando com os copos ou até mesmo sem eles, de quem não grama.
Ainda assim o discurso inflamado do bêbado contribuiu involuntariamente para a divulgação do produto. Alguém por perto pediu “um daqueles que o gajo está beber”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Autárquicas 2013


À semelhança do que aconteceu em 2005 e 2009, em 2013 o Kruzes Kanhoto vai acompanhar as eleições autárquicas com toda a atenção que elas merecem. Pouca, portanto. Mais uma vez serão as promessas extravagantes, as ideias delirantes e as candidaturas mais ou menos excêntricas em que estes actos eleitorais costumam ser pródigos, que vão merecer destaque aqui pelo blogue. Ainda que outras patetices e até mesmo as coisas relativamente sérias não sejam esquecidas e possam, de vez em quando, merecer uma referencia. Necessariamente breve, como é óbvio, que isto há que manter o padrão a que os leitores já se habituaram.
Comecemos, como nas outras ocasiões, por Estremoz. Parece que um dos candidatos afinal já não é. Deixou de ser antes que fosse. Nunca chegaremos, por isso, a saber se a pessoa em causa, com a sua vastíssima experiência neste ramo de actividade, seria uma mais valia para o concelho. Isto se ganhasse ou se, sequer, fosse eleito. Hipóteses que – a primeira - os auto proclamados especialistas em matéria de previsões nem colocam ou, quanto à segunda, manifestam as mais sérias reservas. Garantem até saber que nem o ex-candidato votaria nele próprio. Mas isso agora, como diria a outra, não interessa nada. São contas, se houver outro volte-face e o agora ex-candidato for mesmo a votos, para fazer lá mais para o inicio do Outono.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Governo alternativo precisa-se


Como aconteceu no tempo do governo do Partido Socialista, também agora Passos Coelho e os seus ministros são apupados para onde se deslocam. Estarão, portanto, a governar mal e com isso a provocar um elevado nível de irritabilidade aos portugueses. Tal como Sócrates e seus acólitos o fizeram antes, recorde-se.
Já no poder local, agora como nos últimos vinte anos, a deslocação do presidente da câmara, seja de que partido for, a qualquer parte do território que administra constitui uma festa. Estarão, portanto, a governar bem e com isso a provocar um elevado nível de satisfação aos portugueses. Tal como todos os seus antecessores o fizeram antes, recorde-se.
Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, era capaz de não ser má ideia promover a constituição de um governo de união nacional, onde estivessem representados todos os partidos, integrado exclusivamente por presidentes de câmara. Seriamos, acredito, um povo muito mais feliz. E o país seria, seguramente, um lugar divertido, com muita animação e onde tudo constituiria motivo para uma festa. Fosse a colocação de uma máquina de multibanco numa aldeola ou a oferta de uma gaita de beiços para uma filarmónica qualquer.  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

À vontade!


Num tom de voz claramente irritado e em circunstâncias que não vêm ao caso, porque pouco ou nada acrescentariam à historieta, alguém me fez notar que era “autarca da Câmara do (…) só para o pôr à vontade”. Dada a grande velocidade a que o alegado autarca produziu esta afirmação nem dei conta da ligeira pausa, que daria sentido à frase, e que significaria a existência de um ponto final a seguir à identificação da autarquia. Apesar disso admito que a criatura a tenha feito. Até porque será muito mais coerente que o homem desempenhe o cargo que alega por amor à sua terra do que para me pôr à vontade. Admiti, por isso, que o senhor terá afirmado que é “autarca da Câmara do (uma determinada terra). Só para o pôr à vontade.”
Lamentavelmente ficaram por esclarecer as inquietantes duvidas que manifestei perante o interesse da extemporânea revelação. O alegado autarca tratou de desviar a conversa. Apesar de não ter visto esclarecido o motivo porque ficaria à vontade perante a informação que me estava a ser transmitida, acredito que foi melhor a troca de palavras ter seguido outro rumo e, principalmente, ter terminado pouco depois. É que entre as muitas coisas que me irritam, as referências aos lugares que se ocupam estão no topo da lista. Nomeadamente quando isso envolve a intenção de deixar o interlocutor à vontade. Seja lá o que for que isso queira dizer.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Temos piada nós


Tantos anos a reclamar de serem sempre os mesmos a pagar impostos, a lamentarmos a generalizada fuga ao fisco e a criticar a inépcia da máquina fiscal para caçar aqueles que em nada contribuem para as finanças do país e, agora que podemos fazer alguma coisa para contrariar esta situação, o que fazemos nós? Zombamos da possibilidade de, finalmente, aquilo que sempre exigimos – pôr muitos dos que não pagam a fazê-lo – se tornar realidade. Pior ainda. Barafustamos e recusamos participar no esforço colectivo que deve mobilizar a sociedade contra a fuga e evasão fiscal. Achamos que controlar a cobrança de impostos é um acto pidesco e manifestamos a nossa repulsa por nos pretenderem obrigar a exigir a factura que nos é devida por cada compra que efectuamos. Somos uns tristes. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estacionamento tuga


O Rossio, um dos maiores “largos” do país, fica tão longe quanto o outro lado da rua. Ainda assim demasiado distante quando o objectivo é estacionar o popó o mais perto possível do local de destino.
Esta imagem, cada vez mais frequente nas placas da zona lateral do Rossio Marquês de Pombal, faz-me sentir saudades do Sandokan. Aquele policia excessivamente zeloso das suas funções que, durante a permanência no comando da polícia local, aterrorizou os automobilistas estremocenses e muitos dos incautos visitantes desconhecedores do seu modus operandi.
A julgar por aquilo que se vai assistindo começo a suspeitar que as horrorosas barracas de lata, que estão paulatinamente a desaparecer, vão acabar substituídas por automóveis. Entre uns e outros venha o diabo e escolha. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval II





Para o ano, se houver mais, volto a refilar da ausência de gajas nuas e da quase inexistente sátira política ou social. Por hoje o destaque, não necessariamente por esta ordem, vai para a Cergal, a Sagres e a Argus. E para o “assalto” à loja dos chineses. 

A vasta gama de tolerâncias governativas não inclui o carnaval


Só os papalvos acreditarão na bondade da justificação do governo para não conceder tolerância de ponto na terça-feira de carnaval. Os motivos que se prendem com esta decisão não estão, obviamente, relacionados com a produtividade, a presença da troika, nem com a crise. Primeiro porque a relação custo beneficio para o país deste dia de intolerância de ponto estará por demonstrar. Segundo, porque se de facto estivessem preocupados com os argumentos que mencionam, não permitiam, entre outras coisas, a verdadeira vergonha nacional que são as greves nos sectores dos transportes.
Estamos a ser governados, tal como aconteceu anteriormente, por um bando de catraios mal-educados, incompetentes, inconsequentes mentais movidos por preconceitos ideológicos e orientados apenas para resultados financeiros. E também, convém não ser ingénuo, por uma agenda eleitoral manhosa. As pessoas, a economia, o futuro do país e das gerações futuras, esse pouco importa. Só assim se percebe a tolerância com a greve dos estivadores e a ausência de vontade em acabar com as sucessivas greves dos transportes das regiões de Lisboa e Porto. Autocarros e comboios parados e funcionários a descontar os dias sem trabalhar representam uma enorme poupança de recursos para as respectivas empresas. Todas públicas, por sinal. Como a receita com a venda dos títulos de transporte está previamente assegurada é fácil perceber o quanto a situação agradará ao governo e aos geniozinhos traquinas acabados de largar as fraldas que cirandam pelos corredores do poder.
Acredito, mas isso sou eu que só sei dizer mal e escrever pior, que meio-dia de greve nos transportes provoca muito mais estragos à economia e causa muitíssimo mais transtorno aos portugueses do que a tolerância de ponto no dia de carnaval. Mas disso aquela malta não quer saber. Nem lá está para se preocupar com minudências dessa natureza. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval






Todos os anos lamento a ausência de gajas nuas no carnaval cá do burgo. Prefiro, desta vez, dirigir as minhas queixas para a falta de público. Admito que possa estar enganado mas, assim de repente, parece-me que este terá sido o corso com menor assistência de sempre. Pelo menos dos que me recordo. Seja do tempo, da crise ou do pessoal não ter grande vontade para carnavais, o que se afigura evidente é que o número de visitantes não justifica a despesa. Já quanto aos figurantes, mesmo deixando de parte a falta das moçoilas desnudadas, pode dizer-se que a coisa estava jeitosa. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Modernices é o que é...


Este anúncio – reclame, como se dizia antigamente – é no mínimo ambíguo. Capaz, até, de se prestar a equívocos. E de, ao contrário do pretendido, afastar a clientela. Um prato de caracóis por confeccionar, vivinhos da costa e cornitos de fora, não me parece que seja a coisa mais apetecível para acompanhar umas bejecas. A menos que se trate de uma nova moda. Assim uma espécie de sushi em versão gastrópode. Mas melhor, porque o bicho, para além de cru, ainda está vivo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lixados...


A cena repete-se todos os anos por estas paragens quando o frio começa a apertar. Caixotes do lixo a arder, pelo menos a fumegar, são coisa que não falta, principalmente nos bairros residenciais. Menos mal que, no caso, o contentor é de metal. Se assim não fosse lá seriam mais umas centenas de euros do nosso dinheiro a derreter. O que para esta malta friorenta e preguiçosa não terá importância nenhuma.  Se nem percebem as consequências de despejar os restos da lareira ainda acesos, quanto mais imaginar que os estragos que causam também lhe saem da algibeira.
O contrário do que acima escrevo poderá ser igualmente verdade. Por desconfiar do elevado preço que é pago para depositar os resíduos em aterro, algum munícipe mais zeloso terá deitado fogo ao lixo. Ou, quiçá, a treinar para num futuro próximo queimar todos os restos que produzir. Quando, depois de concluída a privatização da água, a recolha dos resíduos sólidos urbanos for também ela privatizada e, então, cada quilo de lixo nos custar os olhos da cara. Como é que nos vão cobrar isso? Não se preocupem que eles hão-de pensar numa maneira manhosa de nos lixar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Foi para isto que andaram a estudar?!


Posso, ainda que vagamente, perceber a intenção de baixar os vencimentos dos funcionários públicos. Não que isso, como está amplamente demonstrado, constitua um ganho para as finanças publicas no seu conjunto, mas dada a popularidade da medida admito que possa ser defensável do ponto de vista eleitoral. Compreendo até que economistas e outros doutores destas áreas estejam convictos da sua bondade. Incompetentes e parvos há em todas as profissões e gente com canudos comprados a saber tanto daquilo em que se diplomou como eu a perceber de cozinha tchechena é coisa que não falta.
Já quanto à ideia mirabolante de reduzir os vencimentos intermédios e baixos da função pública, aumentado em contrapartida os mais altos, é que nem sei o que diga. Principalmente em face dos argumentos utilizados para defender a tese que, segundo os alucinados que a propõem, pagando mais aos do topo eles não vão à sua vidinha laborar para outro lado e pagando menos aos outros adequa-se o seu vencimento ao que se paga no privado onde, ao que nos querem fazer acreditar, se ganha muito menos.
Vinda de um iletrado perdido de bêbado esta teoria era capaz de ter a sua piada. Agora dita de forma séria – no sentido de que não se estão a rir – faz-me reflectir na utilidade da parte dos meus impostos que tem servido para financiar os cursos a estas bestas. Alguém que explique a esta gentalha quanto pagam hoje a generalidade das empresas aos licenciados. E já agora, se eles souberem, que esclareçam para onde é que os técnicos superiores do Estado, que ganham cinco ou dez vezes mais e têm as tão apregoadas regalias, vão que melhor estejam. Seria também interessante saber quanto pensam reduzir os vencimentos dos que menos recebem. Quatrocentos e oitenta e sete euros não darão para baixar muito. A menos que queiram instituir um salário ainda mais mínimo para a função pública.
Será muito pouco provável que entre os três leitores que vão ler este texto se encontre alguma das alimárias que tem sugerido esta medida. Mas, se por uma estranha coincidência isso acontecer, aconselho que vá perguntar à mamã ou ao papá quanto é que pagam à empregada doméstica lá de casa. Quando souber é capaz de começar a pensar que no Estado os menos qualificados não são assim tão bem pagos. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Estacionamento tuga


Este pode ser considerado o tuga dois em um. A dobrar. Daqueles que merece um par de sopapos bem aviados. Verdade que estacionar seja lá onde for é um verdadeiro suplício. É o que dá termos, per capita, um dos maiores parques automóveis da Europa. Fruto da nossa vaidade e de uma suposta necessidade de nos fazermos deslocar de carrinho para todo o lado, por menor que seja a distância a percorrer. Daí que talvez o Nando do BPI tenha alguma razão. Se calhar aguentamos mais. Como diz o outro “quem não aguenta larga a carga”. Parece é que estamos relutantes em largá-la e insistimos em continuar a carregar o peso para que não temos arcaboiço. O popó, por exemplo…

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Quem corre por gosto...


Li um destes dias num blogue claramente alinhado à esquerda, por onde passei acidentalmente, onde ao longo de vários textos sobre o assunto é feita uma intransigente defesa da classe política. São abordados, entre outros temas, a aposentação da presidente da Câmara de Palmela e a intemporal e pertinente questão dos alegadamente baixos vencimentos dos políticos. No caso em apreço dos autarcas.
Para o autor, a senhora edil tem toda a legitimidade em ir para casa – ou para onde ela quiser – desfrutar dos mil e oitocentos euros da pensão. Coisa pouca, como refere. Até porque, acrescenta, presidir a uma Câmara é uma actividade desgastante, que comporta riscos e que obriga quem a desempenha a quase abdicar da vida privada e familiar. Será tudo isso e o mais que ele quiser. Mas, digo eu, não deve ser assim tão mau nem provocar os estragos anunciados. Pelo menos a senhora parece-me em muito bom estado. E o número de candidatos a presidentes de câmara que por esse país fora surgem diariamente, desmente qualquer argumento que envolva a penosidade do lugar. Para além de, mas isso o articulista esqueceu-se de mencionar, integrarem o restrito número de portugueses que podem violar todas as leis sem ir parar à prisão. Atingiram o nível supremo da inimputabilidade. Aquele em que por mais tribunais decretem a sua detenção, ela jamais ocorrerá.
Vem, depois, a questão do vencimento. Ainda que reconhecendo não ser esta a melhor altura para debater o assunto, não deixa de considerar modesta remuneração dos cargos políticos. Interroga-se – e interroga-nos – se “faz sentido que um presidente de câmara tenha uma remuneração (2800 a 3900 euros brutos, conforme o número de eleitores) que fica a anos-luz de um qualquer administrador ou gestor de empresa de média dimensão”. Provavelmente não fará. Tal como também não faria sentido um administrador ou gestor que arruíne uma empresa privada perpetuar-se no lugar. Nem, muito menos, que os accionistas o aclamem e sucessivamente o elejam para lhes continuar a derrear o capital. A menos que sejam parvos. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Pérolas a porcos


Num momento particularmente difícil é absolutamente assombroso e constitui para mim um mistério, para o qual não encontro explicação racional, que umas quantas pessoas – muito mais do que é suposto ser o número natural de malucos – se preocupem com assuntos sem importância nenhuma e que no campo das ralações deveriam estar, numa escala de zero a cem, no lugar cento e cinquenta.
Vem isto a propósito de sucessivas ondas de indignação causadas por assuntos menores normalmente envolvendo animais. Primeiro contra a decisão de abater o cão que matou uma criança. A causa motivou um apreciável número de palermas, meteu as habituais petições e envolveu até figuras públicas na discussão quanto à necessidade de preservar a vida do bicho. Depois, serenada a anterior, uma nova polémica surgiu motivada por um vídeo onde é possível vislumbrar um militar da GNR a pontapear um porco que teimava em não abandonar o asfalto, na sequência do tombo do camião onde era transportado. Agressão que deixou à beira de um ataque de nervos os sensíveis frequentadores do facebook, que não tardaram a espalhar pelos seus amiguinhos  as imagens da brutalidade policial.
Está tudo parvo. Só pode. Esta gentalha parece não ter mais nada com que se preocupar. Podiam, digo eu, horrorizar-se com coisas um bocadinho mais importantes. Assim, sei lá, a ausência de paz no mundo, as criancinhas com fome, a extinção do lince na Malcata ou outra causa igualmente nobre. Como a crise do Sporting, por exemplo. Sim, porque convém não elevar muito a expectativas quanto ao nível de problemas que podem interessar a esse pessoal. E depois ainda criticam a jove da mala channel… É pá vão-se mazé catar, ou o camandro!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quem foi ao mar... perdeu o lugar!


Tal como muitas outras localidades também Évora foi afectada pelo mau tempo que recentemente se fez sentir. Entre as vítimas do temporal está a estátua do navegador Vasco da Gama, abalroada e atirada ao chão por uma árvore de grande porte que não aguentou a forte ventania.
Provavelmente incomodado com a demora no regresso do herói dos descobrimentos ao seu pedestal, um munícipe mais impaciente tratou de arranjar um substituto. O Vasco. Um canito de louça que esta manhã ocupava o lugar do celebre marujo. Podia, digo eu que não sou de intrigas, ter colocado ali um Obama. Cão de água português, para quem não perceba a tentativa de piadola, Sempre estava mais de acordo com a temática que o monumento pretende homenagear. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Estacionamento tuga


O largo da República foi, em tempos, um dos locais mais policiados de Estremoz. Quiçá do país. Um ou dois agentes da PSP, às vezes até mais, passavam por ali o dia inteiro para irritação de comerciantes e automobilistas. Situações como esta eram, portanto, quase impensáveis. Hoje não é assim. Seja pela crise, a escassez de efectivos ou outro motivo qualquer, já não se vêem polícias naquele local. Nem noutro, agora que penso no assunto. Deve ser por isso que o proprietário desta bomba se sentiu à vontade para estacionar na passadeira, em contra-mão e em cima do passeio.  Se calhar foi só comprar qualquer coisinha que não conseguia carregar até ao Rossio…

sábado, 26 de janeiro de 2013

Tropa não!


Foi o governo de coligação PSD/CDS, com Paulo Portas em ministro da defesa – e de mais uma quantidade de coisas – que o serviço militar obrigatório acabou. Tarde, demasiado tarde, diga-se. Já à época não se justificava a quantidade absolutamente parva de gente que era mobilizada. Para nada. A não ser, talvez, justificar um imenso batalhão de empregos bem pagos e generosos em mordomias. Daí que me pareça assombroso que sejam os mesmos protagonistas a ressuscitá-lo. Seria de um nível de coerência fantástico até para quem se dedica à política. Que, como se sabe, são pessoas que mantêm com ela – a coerência – uma relação praticamente inconciliável.
Passei lá dezasseis meses da minha vida de que não guardo saudade nenhuma. Foi um tempo absolutamente desaproveitado, em que não fiz nada de útil nem à sociedade nem a mim próprio. Até mesmo o argumento que mais ouço “ah e tal, fazem-se amizades e isso” não colhe.  Isto porque nunca podemos saber as amizades que se deixaram de estabelecer pelo facto de estar na tropa e não a fazer outra coisa qualquer. A trabalhar, por exemplo, como era o meu caso. O que, para além de outros aspectos não menos relevantes, me fez perder o ordenado no quase ano e meio em que fui forçado a ir brincar aos soldadinhos.
Repugna-me, por tudo isso e muito mais, a ideia – que espero não passe disso mesmo – de regresso do serviço militar obrigatório. Para o diabo que os carregue. Que vão para a puta que os pariu. Se não têm dinheiro para sustentar as forças armadas, nos moldes em que estão, então que as privatizem. Ou contratem a Prossegur. Ou o raio que os parta. Ou façam uma gestão racional. Talvez deixar de mandar pessoas para a reforma – reserva, como lhe chamam - aos quarenta e poucos anos não fosse má ideia. E fechar quartéis também não.
Se a idiotice de retornar ao SMO – muito do agrado da esquerda, convém recordar – for por diante, acabará, muito provavelmente, por ser declarada inconstitucional. Mas se isso não acontecer irá provocar um êxodo ainda maior dos jovens em idade de serem chamados para a tropa. É que, hoje em dia, pouquíssimos terão paciência para aturar aquele atraso de vida. Será mais um bom motivo para bater em retirada. Estratégica. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mais um endividado


Que me recorde não voltei a escrever acerca das tropelias de José Sócrates, também conhecido como o coveiro do país, desde que o suposto engenheiro deixou de ser primeiro-ministro. Nem, a bem dizer, o pensava fazer. Até hoje e à fantástica revelação da manchete do Correio da Manhã. O homem, a acreditar no matutino, será actualmente apenas mais um português endividado. Terá, tal como inúmeros concidadãos, contraído dividas para viver acima das suas possibilidades. Isto é, fazer uma vida luxuosa que de outra forma não podia pagar. Tudo isto, claro, a fazer fé na parangona do dito jornal. É lá com ele, dirão. Pois será. Que não temos nada a ver com isso. Pois não. A menos que não pague o que pediu ao banco. Aí é que o caso é capaz de mudar de figura e a conta acabar por ser apresentada aos do costume. Assim como assim já estamos habituados.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dividazinha da boa

Vai por aí uma grande animação com aquilo a que chamam o “regresso aos mercados”. Que é o nome que se dá agora a pedir emprestado. Aparentemente a notícia não é má. Tendo em conta que há ano e meio ou dois anos não havia quem nos quisesse emprestar dinheiro parece, até, uma coisa boa. O pior é o resto. Nomeadamente aquela parte em que temos de reembolsar quem nos empresta. Ou a outra da utilização que damos ao graveto que nos emprestaram e que, diz, vai ser para pagar anteriores idas ao mercado. Não esquecendo também que o nosso fiador, um tal de Banco Central Europeu, é capaz de estar de olho em nós.
Mal comparado estamos, enquanto país, como aquele gajo que tem dez empréstimos bancários e trinta cartões de crédito com o planfond estourado que, prometendo deixar de almoçar, conseguiu convencer alguém a emprestar-lhe dinheiro. Esperemos é que o indivíduo do exemplo não fique desempregado.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Coisas com uma actualidade do caraças


Publiquei o texto que a seguir transcrevo no dia vinte e um de Maio de dois mil e seis quando o Kruzes dava os primeiros passos – tinha um ano, mais coisa menos coisa – e ainda estava alojado no Sapo. O tempo encarregou-se de nos dar razão. A mim e ao Dr. Agostinho Branquinho. Ao então dirigente social-democrata pelo esclarecimento com que olhava para os seus correlegionários e a mim pela apreciação que fiz das suas palavras. O pior é que isto de ter razão antes do tempo começa a aborrecer-me. Quase tanto como a incapacidade de muitos em ver o óbvio.
“Em todas as organizações há sempre alguém que, mesmo nas horas difíceis, mantém alguma clarividência. Dentro do PSD esse papel parece caber ao Presidente da Comissão Distrital do Porto. Disse hoje o senhor, Agostinho Branquinho,  de seu nome que "se o PSD, por um qualquer azar do destino, fosse chamado à governação do país, não estava preparado para governar". Nota-se.

PS - O "nota-se" fazia mesmo parte do texto escrito na data indicada. Há quase sete anos... 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Festanças


A comunicação social nacional deu hoje ampla cobertura noticiosa à acusação do ministério público contra o ex-presidente socialista da Câmara do Alandroal. Segundo a acusação o autarca, conhecido pela sugestiva alcunha de João Festança, ter-se-á dedicado a actividades menos próprias – pecaminosas, digamos - no âmbito de diversas viagens que terá efectuado durante o exercício do cargo. Tudo isto alegadamente, claro.
De resto, a confirmarem-se as acusações porque até ver o homem é inocente, seria interessante saber se a sua actuação trouxe ou não benefícios para o concelho que então representava. Ainda que de uma forma pouco ortodoxa ele terá feito chegar o nome do Alandroal aos lugares mais improváveis. Onde o mais certo é nunca antes ninguém ter ouvido falar dessa localidade. E o conhecimento, como sabemos, não tem preço. Paga-se, é verdade, mas isso é outra história que, por norma, quem vem atrás é que tem de contar.
Embora episódios desta natureza, a confirmarem-se, não constituam regra nas autarquias nacionais a verdade é que a sua ocorrência apanha pouca gente de surpresa. Somos um povo de desconfiados complacentes. Quase sempre, perante passeatas ou outras iniciativas mais dadas à especulação quanto aos seus motivos, verifica-se uma enorme tolerância da parte dos eleitores relativamente a estas práticas. Daí que não surpreenda se nas próximas eleições, a que será candidato, o senhor em causa volte a ocupar a cadeira do poder.  O eleitorado, mais do que as traquinices dos seus autarcas, zanga-se é com os injustificados privilégios de que desfrutam os malandros dos funcionários públicos.

P.S - Como isto anda tudo ligado, recomendo vivamente a leitura dos dois posts anteriores…

domingo, 20 de janeiro de 2013

Ora aí está uma boa pergunta…


…Lançada pelo CASPER um blogger – ou bloguista, vá – atento aos desvarios que se vão cometendo lá pela sua terra. Para ver mais é seguir a ligação. Vale a pena. O susto é garantido.

A ideia é uma boa ideia


Quando um dia for feito o ranking dos piores políticos pós 25A Luís Filipe Menezes terá nele um lugar de destaque. Na categoria de pior líder do PSD arrebatará o primeiro lugar, sem dificuldade a grande distância da concorrência e na de pior autarca não andará, também, muito longe dos primeiros lugares. É precisamente este conjunto de atributos que o tem feito vencer sucessivas eleições autárquicas e que, provavelmente, o tornará o próximo Presidente da Câmara do Porto.
Surpreendentemente, para a campanha que se avizinha, o homem apresentou uma ideia que, de tão boa e sensata que é, o poderá levar a perder as eleições. Unir, numa só cidade, Porto e Gaia. Coisa que faz todo o sentido, que fará poupar larguíssimos milhões de euros, mas que a julgar pelo folclore que se tem visto em torno das freguesias não reunirá consensos. O debate está centrado na junção de pequenas autarquias dispersas e a união de municípios populosos com sedes quase contíguas não está nos horizontes de praticamente ninguém. Luís Filipe Menezes constitui uma excepção e tem, do meu ponto de vista, toda a razão no que propõe.
Apesar dos condicionalismos legais em vigor – recorde-se que os titulares de cargos políticos já podem ser responsabilizados civil, financeira e criminalmente pelas suas decisões – as próximas autárquicas deverão ter um número recorde de candidatos a presidente de câmara. Não sei o que move esta gente para, assim, colocar em risco o seu património, bom nome e, em último caso, até a sua liberdade. Para além de um grande amor às suas terras e uma enorme ânsia de contribuir para o bem-estar das populações e desenvolvimento dos seus concelhos, claro está. Talvez, mas isso eu a especular, um enorme sentimento de impunidade…

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cuidado com o que desejas...


“Dar o braço a torcer” não me custa absolutamente nada. Faço-o com toda a naturalidade quando reconheço que os argumentos que contrapõem aos meus são melhores, mais lógicos e capazes de inequivocamente me convencerem da razão que lhes assiste. Ao contrário poucas coisas me irritam mais do que o argumentário baseado em convicções duvidosas, escorado quase sempre em preconceitos e deformado por invejas, que acaba frequentemente com alegações do tipo porque sim, porque não ou em disparates ao nível de crianças da pré-primária.
É por isso que estou com pouca paciência para continuar a aturar opiniões parvas, principalmente vindas de gente que não sabe do que fala ou escreve, acerca do eventual fim da ADSE. Não vou continuar a dar trela a todos os que defendem o fim deste regime de assistência à saúde dos funcionários públicos. Deixo apenas o desafio para que façam o seguinte exercício: O governo quer deixar de gastar os 800 milhões que o funcionamento da ADSE consome ao Orçamento do Estado. Estará, no entanto, disposto a prescindir dos 200 milhões das quotizações dos beneficiários? Irá, assim sem mais nem menos, aumentar a dotação orçamental do SNS de forma a acomodar a entrada de mais um milhão de beneficiários? Não vos parece que ao governo pode ocorrer a ideia de alargar a toda a gente a obrigação de contribuir com um impostozinho -1,5%, por exemplo, como já descontam os FP’s - para financiar o Serviço Nacional de Saúde? É que se não for assim vai ser de uma maneira parecida… 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pilha-galinhas


Ainda que, enquanto contribuinte, me insurja com frequência contra a relação desabrida que muitos autarcas mantêm com o dinheiro de todos nós, não comungo de alguma satisfação mal disfarçada que a notícia da perda de mandato do Presidente da Câmara de Faro tem provocado. Principalmente porque do homem tem sido transmitida a imagem – ignoro se verdadeira, mas quero acreditar que sim por tantas vezes repetida – de alguém rigoroso e exigente na forma de gerir os recursos financeiros e os humanos. O que, como se sabe, não traz por norma muitos amigos.
Os pecados do autarca terão, como tem sido amplamente noticiado, ocorrido no exercício de idênticas funções noutro município algarvio. Terá, ao que se conhece, violado algumas normas legais por permitir umas quantas construções em zonas de reserva agrícola e ecológica. Grande coisa! Nomeadamente num país em que se paga a agricultores para não produzirem e onde o fundamentalismo dos ecologistas conseguiu impor à sociedade legislação com restrições para lá de ridículas.   
Serão, portanto, questões de mera lana-caprina que levaram – recursos à parte – à destituição do edil. Parece, assim visto de longe, que a justiça terá caçado um pilha-galinhas. São desconhecidas consequências desastrosas resultantes das decisões que levaram à perda de mandato. Estarão também por esclarecer, pelo menos em termos públicos, quantas couves ou alfaces é que deixaram de ser produzidas e é igualmente desconhecido se as minhocas ou osgas da região sofreram alguma espécie de trauma.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Querem ter animais? Vão para o campo!


O Zico é por estes dias o cão mais famoso do país. A tentativa palerma de evitar o seu abate guindou-o a um mediatismo de todo evitável e indesejável promovido por um grupo de pretensos bem-pensantes. O animal, protagonista involuntário da trágica morte da criança, não tem naturalmente qualquer culpa nem o seu abate não se trata de nenhuma execução sumária. Não é isso que está em causa. Pena que, de forma demagógica e atirar para o parvo, os signatários não queiram perceber que o que a lei pretende precaver nestas situações são a saúde e a segurança pública.
Culpados, neste e noutros casos que se repetem com frequência demasiada, são os donos e todos os que toleram a existência de animais desta natureza. Não me parece que exista qualquer vantagem na produção destas raças nem, ainda menos, utilidade da sua posse por pessoas que vivem em apartamentos exíguos. Faz-me até muita confusão como é que se consegue partilhar o espaço de uma habitação com animais. Desta ou doutra natureza. Surpreende-me igualmente que os restantes condóminos, os proprietários no caso do arrendamento ou os Municípios no caso da habitação social, permitam a existência de cães, gatos ou outros animais exóticos dentro dos edifícios.
Causa-me também algum espanto que, por vezes, seja relatada a existência de cães de grande porte e de raças perigosas em bairros de cariz social. Na posse, portanto, de pessoas que alegadamente viverão com dificuldades de ordem económica. Ter um animal daqueles não deve sair barato. O que, a par de outros sinais exteriores de riqueza, deveria levar à intervenção de quem manda nestas coisas no sentido de libertar a casa para quem, de facto, tivesse mesmo necessidade de auxilio. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Onde pára a indignaçãozinha?!


A notícia da prematura – aos quarenta e oito anos, para este efeito, é quase uma jove - aposentação da presidente da Câmara de Palmela não está a suscitar nas redes sociais e na opinião publicada a costumeira indignação sempre que vêm a publico denúncias de situações semelhantes. Nem, tão pouco, a inspirar os seus frequentadores para as ofensas habituais ou os opinion makers cá do sítio a discorrerem longamente sobre os privilégios dos políticos e outros palhaços.
 Não quero acreditar que o facto de a senhora ser comunista tenha alguma coisa a ver com essa ausência de reacção. Até porque, também entre a malta da direita, o assunto é tratado com pinças. Ontem um daqueles indivíduos sempre prontos a reclamar a diminuição das pensões, dos ordenados dos funcionários públicos e a diminuição dessa praga conhecida por direitos adquiridos, referindo-se à aposentação da autarca, usou por diversas vezes o termo populismo para caracterizar eventuais condenações da conduta da criatura. É, acrescentou, um direito adquirido que ela tem e que não pode ser posto em causa. Ao contrário do que acontece com os comuns dos mortais, acrescento eu.
Desde há um tempo a esta parte nunca mais se falou de reformas douradas. Nem daquelas verdadeiramente obscenas. Não será por isso de estranhar que esta também passe pelos pingos da chuva sem, sequer, se salpicar. Os indignados do costume nada dizem porque ela é uma ovelha do seu rebanho e outros também não porque estão no mesmo barco. Daí que – e face ao que tenho escrito sinto-me particularmente à vontade para o afirmar – Parvus Coelho e os seus sequazes tenham toda a razão ao pretender cortar as reformas mais elevadas. Pecam, isso sim, por cortar pouco. Lamento a minha falta de sensibilidade social mas não consigo ser solidário com gente desta ou como o ex-presidente do BCP. Por mais que possa admitir que os cento e vinte e três mil euros de um mês de reforma, no caso deste último figurão, que vai perder – se o tribunal constitucional deixar - lhe dêem muito jeito. As sucessivas manifestações de solidariedade expressas por comunistas, lutadores das causas sociais, gente do apenas porque não e outros revolucionários do facebook, já lhes devem chegar. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Organizem-se...




Três capas de outros tantos jornais publicados no mesmo dia. No país há, dizem eles, funcionários a mais. E, se calhar, será verdade. A julgar pela quantidade de gente que nas últimas duas dezenas de anos tem sido encaixada na administração pública não me admira que o seu número seja manifestamente excessivo. Até porque muito desse pessoal pouco mais faz do que coçar a micose.
Por cá, parece, haverá funcionários a menos numa escola. Será, suponho, um qualquer rácio que determina o número de funcionários por aluno que não estará a ser cumprido. Não sei se assim é ou não. Nem isso me interessa muito. O que me preocupa é a existência de parangonas desta natureza aparentemente contraditória. Que poderão significar muita coisa. Nenhuma delas especialmente boa.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Um dia destes há-de resultar...


O relatório do FMI tem, como não podia deixar de ter, mãozinha do governo. O que, também sem surpresa, já foi reconhecido por um tal Moedas. Um fulaninho com ar de fuinha - secretário de estado, lacaio ou coisa parecida – que ciranda pelos corredores do poder. Não nos podemos espantar, portanto, que a receita seja a de sempre. Cortar. Se não resultou da primeira vez, pode ser que resulte à segunda. Mas se não resultar não faz mal, estaremos cá para tentar uma terceira.
Não vou, pelo menos por hoje, gastar o meu latim a chamar-lhes nomes. Nem a argumentar com os malefícios desta teimosia. Constatei horrorizado que, de certa maneira, padeço do mesmo mal. Talvez até para pior. Participo numa sociedade que joga há cinco anos no euromilhões com a mesma chave e, desde tempos imemoriais, apenas compro cautelas das lotarias, popular e nacional, terminadas em cinco. Em ambos os casos com resultados deploráveis. Tal como os das receitas da troika ou do governo. Mas, também como eles, não desisto. Antes pelo contrário. Vou apostar a dobrar. Sei lá se é desta.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As estranhas dúvidas do Provedor


Quando ouvi a notícia conclui rapidamente que estava a ouvir mal. Coisas da idade, pensei. Ou da falta de pilhas no aparelho auditivo. Lembrei-me depois que não uso aparelho para ouvir melhor e que a última audiometria que realizei demonstrou que tenho ouvido de tísico. Portanto aceitei, prestes a cair do espanto abaixo, que tinha escutado bem o que o noticiava o jornalista de serviço.
O culpado da hesitação quanto às minhas capacidades auditivas foi o Provedor de Justiça. Diz que o homem mandou para o Tribunal Constitucional algumas normas do Orçamento de Estado. Coisa muito na moda, diga-se. Terá o senhor Provedor dúvidas quanto à constitucionalidade do corte do subsídio de férias…dos pensionistas!!!!! Já quanto aos trabalhadores da função pública, curiosamente, a mesma dúvida não lhe assiste. Apesar de serem, também, vitimas de idêntica suspensão. E da entidade pagadora ser a mesma. Critérios assaz estranhos e muito pouco justos, convenhamos. E que a mim, que não sou de intrigas e nem tão surdo quanto pensava, me deixa com a pulga atrás da orelha. O que, mais uma vez, prova que isto anda tudo ligado.
O que é que a foto tem a ver com o texto? Nada, nada…

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Inovem, pá!


Pouca coisa me aborrece tanto como uma ida às compras. Pior ainda quando isso envolve uma deslocação compulsiva - por arrastamento, quase - a um qualquer antro de consumo. O desagrado e a irritação assumem, então, proporções épicas. Daí lamentar que por cá – e por lá, se calhar, também – os empresários que exploram essas superfícies comerciais não tenham pensado no segmento de visitantes em que me incluo. E que, a julgar pelas caras de enfado que se encontram à porta das lojas, não devem ser poucos. Diversificar a oferta, captar novos públicos e tornar a visita atractiva para toda a família, devia ser uma prioridade para a gestão destes espaços. Nomeadamente em tempos de crise e, dizem, de quebra de vendas. Fica a sugestão. 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Pois. Isso mesmo.


A apreciação negativa do Tribunal de Contas relativamente aos gastos dos ministérios e à forma como não estão a adoptar medidas restritivas no âmbito da despesa, apenas pode surpreender os mais desatentos. Ou os ingénuos. Os políticos, e os portugueses de uma maneira geral, não sabem poupar. Têm uma noção de austeridade como sendo uma coisa, embora necessária no momento presente, apenas se aplica aos outros. Ou não fossemos nós os que, após o anúncio de uma qualquer medida que altere seja o que for nas nossas vidas ou na nossa organização, começamos de imediato a magicar formas mais ou menos engenhosas de “dar a volta a isto”. Para que tudo fique na mesma, claro está. E para que os outros, em vez de nós, continuem a pagar a crise.  

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Uns chatos estes gajos do governo


São já mais do que muitas as demonstrações da pouca capacidade do governo – no seu todo ou de cada um dos seus membros – em comunicar, em passar uma mensagem de forma clara e objectiva. Um dos últimos exemplos foi um secretário de estado, secundado hoje por afirmações semelhantes do ministro que o tutela, que se lembrou de pedir aos portugueses para não adoecer. O que até podia parecer ser um pedido louvável, foi de imediato estragado pelo resto da frase. Para poupar dinheiro ao SNS, acrescentou desastradamente. Claro que nenhum dos governantes estaria a sugerir que falecêssemos, para poupar dinheiro ao Estado. Mas, pela maneira como a ideia foi transmitida, não faltou quem assim o entendesse e sentisse que os governantes estariam a lamentar a relutância da população em bater a bota.
Podiam ter optado por apelar ao pessoal para que desatasse a apostar no euromilhões e jogos que tais. Para além dos outros impostos associados à jogatina, cada prémio acima de cinco mil euros vai passar a pagar, desde ontem, vinte por cento de imposto de selo. Com os resultados da última extracção os primeiros 34.301,48 euros, dos 55 milhões previstos no orçamento, já estão garantidos. Pedir bons palpites aos portugueses teria sido, portanto muito mais simpático e, estou em crer, merecedor de uma resposta positiva por parte dos portugueses com uma ainda maior corrida às casas de apostas. Inclusivamente podia – e devia – ter sido lançado o desafio para ultrapassar o valor orçamentado. Mas não. Esta gente insiste em nos aborrecer.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Habemus orçamento


Foi, como se esperava, publicado ontem o Orçamento de Estado para 2013. O documento é – já se sabia – uma merda. Tal como tem vindo a acontecer nos últimos anos continua a lixar os do costume enquanto outros, como igualmente já nos habituamos, vão passando pelas entrelinhas orçamentais sem apertos dignos de grande registo. Ou seja, nada de surpresas que justifiquem o alarido que nas últimas semanas tem ocorrido em torno da promulgação do orçamento ou da sua eventual inconstitucionalidade.
O principal problema é que temos de pagar as dividas. Caso não o façamos ninguém nos empresta um “chavo”. Há, portanto, de sacar dinheiro aos nossos bolsos. De certeza que haveria outras maneiras de o fazer, outras áreas onde cortar e outra gente a sacrificar. O pior é que a “malta” não quer. Acha que devemos continuar a fazer a mesma vidinha que fizemos nos últimos vinte anos e que nos conduziu até esta desgraça. Ou melhor. Até admite que se corte em tudo, desde que não seja afectado. Se as vitimas forem apenas os funcionários públicos, então, a coisa quase atinge o êxtase em termos de concordância.
Quando os mesmos que até há pouco guinchavam contra as reformas douradas se indignam com os cortes nas pensões mais elevadas, quando ninguém levanta a voz contra os milhões que o conjunto das administrações terá estoirado em fogo de artificio ou não falta quem exija que o Estado continue a financiar a overdose cultural em que o país vive, está tudo dito acerca das capacidades intelectuais ou da honestidade com que se discute o Orçamento.
Tenham paciência. Isto vai doer. Bem-vindos ao clube.