Não sei o que a malta do governo anda a fumar nas reuniões do conselho de ministros, mas, seja o que for, deve ser do melhor. Só assim se compreendem as afirmações do ministro Maduro ao garantir, num tom aparentemente sério e sem sequer deixar escapar um sorriso maroto que sugerisse tratar-se de uma ironia, que se o Estado fosse tão bem gerido com as autarquias as contas do país estariam equilibradas. Por estas palavras ou por outras que queriam dizer a mesma coisa.
Se assim é questiono-me por que raio terá o governo tido necessidade de criar o FAM. Aquela aberração que vai fazer com que o dinheiro dos contribuintes de Estremoz, ou de outras câmaras em boa situação financeira, seja “desviado” para pagar as dividas, por exemplo, do vizinho concelho do Alandroal. Ou de outro qualquer que tenha sido governado por pessoas a quem essa coisa do rigor na gestão do dinheiro público pouco importava.
Concedo que as contas na administração local não são, de uma maneira geral, nada parecidas com as que existiam há três ou quatro anos. Mas estarão longe de ser as que se apregoam. Por trás dos números divulgados estará muita engenharia – sem ofensa para os engenheiros, nomeadamente aqueles que não se formaram ao domingo – financeira e, quiçá, contabilidade criativa. Isto alegadamente, claro.









