O
amor é uma coisa muito linda. Não me canso de repetir. Seja
declarado na forma de um poema manhoso pintado numa parede igualmente
manhosa, com gatinhos fofinhos à mistura, ou em letras garrafais
pintadas à porta da amada. O jovem apaixonado, seja ele quem for,
merece uma oportunidade. Se é, digo eu fazendo votos para que sim,
que não a tem já.
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
Não era preciso ofender os varredores...
Nunca
liguei a comentários supostamente ofensivos que, de vez em quando, por aqui vão deixando. Mas, embora este nem tenha nada que me
ofenda, confesso que estava à espera de algo parecido. Foi feito às 9 horas e 54 minutos num computador, alegadamente, ligado ao servidor de uma Câmara
Municipal. Provavelmente por alguém que é pago com o dinheiro dos
contribuintes para trabalhar. Coisa que, aparentemente, não lhe
assiste. Em vez disso, por razões que só ele – ou ela - sabe
optou por utilizar o seu tempo a tentar marrar contra o autor deste
blogue. Que, pelos vistos, até sabe quem é e o cargo que
desempenha.
Está,
em relação a mim, claramente em vantagem. Não sei quem é o comentador nem o
cargo que ocupa na suposta autarquia. Se é que desempenha algum. Nem,
diga-se, é coisa que me interesse por aí além. Importa-me mais a
falta de profissionalismo. O não saber respeitar o lugar que ocupa.
A falta de respeito que demonstra pelos contribuintes. Que,
recorde-se, é também para pagar ordenados à malta que ocupa o seu
tempo a comentar blogues que serve o IMI que nos seca a carteira.
Vergonhoso, acho eu.
quarta-feira, 20 de março de 2013
De pantanas
Isto
de trabalhar para o Estado, ainda que nunca tenha sido grande coisa,
já nem sequer é o que era. Os funcionário públicos são, de uma
forma geral, mal-vistos e vitimas de uma inveja mal justificada
promovida, principalmente nos últimos anos, pelos sucessivos
governos. Nisto, tal como em muitas outras coisas, Passos não é
diferente de Sócrates. E é bom que disso se tenha memória.
Para
os agentes da forças de autoridade os tempos são ainda piores. Ao
ódio governamental e aos invejosos dos seus privilégios – sejam
lá eles quais forem – soma-se uma estranha doença que, de há uns
anos a esta parte, se espalhou de forma pandémica na sociedade
portuguesa: O politicamente correcto. De tal forma que hoje o policia
ou militar da GNR que tenha o azar de pontapear um porco, sacudir as
moscas das trombas de um meliante ou, sequer, tentar salvar a vida a
um qualquer maluco que circule de mota sem capacete, está feito ao
bife. Lixado, mesmo.
O
país está de pantanas. E não é apenas no que diz respeito à
economia ou às finanças. No plano moral não está melhor. Quando
numa sociedade a palavra de um badameco – ou mesmo de dez badamecos
- mais dado aos negócios pouco claros que ao trabalho, vale o mesmo
que a palavra de um agente da autoridade é porque está tudo virado
do avesso. O pior é que até expressar esta opinião, não tarda,
há-de ser proibido.
terça-feira, 19 de março de 2013
No gastar é que está o ganho...
O
país está a esfrangalhar-se e, ainda assim, há quem continue sem
perceber o que está acontecer à sua volta. Já nem falo dessa gente
estranha da “cultura”. Que mantém, como se sabe, uma
incompatibilidade militante com os números e nem consegue assimilar,
ainda que vagamente, a ideia de isto estar tudo falido e que não há
guito nem para mandar cantar um ceguinho. Quanto mais para pagar
programações milionárias das “casas da música” ou, em menor
escala, aos “Tóinos Carreiras” desta vida. Já não há dinheiro
para o pão mas, mesmo assim, estes desmiolados continuam a insistir
que o Estado tem obrigação de lhes de pagar o circo.
Mas,
voltando à vaca fria – que é uma bela expressão, embora
lamentavelmente caída em desuso – mais preocupante é a existência
de decisores, no âmbito politico e se calhar não só, que aparentam
não demonstrar qualquer preocupação em poupar os recursos
públicos. Não existe na administração pública a cultura da
poupança. Veja-se, por exemplo, a quase inexistente utilização de
software livre nos serviços públicos e, olhando apenas para estes
três exemplos, perceba-se a grandeza dos montantes que estão em
causa. Apenas em três municípios portugueses esturraram-se mais de
seiscentos mil euros em licenciamento de software. A Microsoft
agradece. Nós não. Pelo menos os chatos que não gostam de pagar
caro aquilo que podem ter mais barato. Ou, até, de borla.
domingo, 17 de março de 2013
Aos bancos!
Causa-me
uma certa confusão que Chipre tenha necessitado de pedir apoio
internacional. Teve até há cerca de dois meses um governo de
esquerda – daqueles patrióticos e progressistas, como se reclama
por cá, que sabem o que é bom para o povo – pelo que seria
suposto estar ao abrigo destas contingências e a salvo das
manigâncias do grande capital, especuladores estrangeiros e chulos
em geral. Não escapou, pelos vistos, a nenhuma delas.
Em
consequência disso os cipriotas foram assaltados. Pela calada da
noite, enquanto dormiam, foram vitimas de um assalto em larga escala
– um arrastão, digamos - que lhes levou uma fatia significativa
das suas poupanças. O crime foi perpetrado pelo governo local, sob
indicações da troika lá do sitio e, começo a desconfiar, é um
modus operandis que pode começar a fazer escola entre os criminosos
do ramo. Um roubo com contornos semelhantes foi, como certamente
alguns se recordarão, sugerido igualmente quando do primeiro resgate
a Portugal. Escapámos. Se calhar para a próxima não teremos a
mesma sorte.
De
resto esta é uma opção que recolherá algumas simpatias – em
alternativa a outros cortes – em alguns sectores políticos
nacionais. Excepto, talvez, no CDS os principais partidos estão
contaminados pelo vírus maoísta-blochevique transportado por muitos
que, na ânsia de encontrar tacho, procuraram nos partidos do sistema
o que não conseguiram obter com o PREC. E, assim sendo, não me
surpreenderá muito se, em desespero de causa, o vírus desperte e a opção seja sacar
umas massas a esses malandros que têm uma poupançazitas. Até
porque o deles, o mais provável, é estar ao “largo”.
sábado, 16 de março de 2013
Cagaram nos meus poejos!!!!
Que
levem os cães a cagar ao jardim ou ao relvado mais próximo, os
passeiem pelo bairro onde moram para que os gajos caguem na rua, na
calçada ou onde os filhos da puta dos donos entendam por bem, ainda,
apesar de bastante javardo, vá que não vá. Agora que um desses
animais me invada o quintal e trate de largar um monte de cagalhões
em cima dos meus poejos é que, convenhamos, já é demais.
A
plantação está, portanto, arruinada. Usar estas plantas para, por
exemplo, confeccionar uma açorda está fora de causa. Equacionava
dar-lhes uso para produzir um licor mas, depois disto, o melhor é
esquecer o assunto. Tudo graças a uma besta qualquer que não sabe
educar os seus bichinhos a cagarem naquilo que é seu. Ou, o mais
provável, que os ponha no olho da rua – e lhes feche o portão,
como já por aqui vi fazer – para que não voltem a casa sem antes
terem arreado o calhau.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Cumprir a austeridade gastando mais
Hoje,
confirmadas as noticias que já se adivinhavam, o país está ainda
mais indignado do que habitualmente. Compreende-se porquê. O que já
não se entende muito bem é – reitero o que ando a escrever desde
tempos imemoriais – a selectividade da indignação que por aí vou
vendo espalhada.
O
país está abespinhado. Não gosta da austeridade. Daí que faça
tudo o que pode para contrariar as medidas austeras que o governo vai
decretando. E se a coisa não revela particular importância se for
um qualquer cidadão a tentar, por si, furar o esquema, o mesmo não
se pode dizer quando se trata de grupos organizados. Ou, pior ainda,
detentores de cargos políticos.
No
âmbito do memorando da troika o número de funcionários públicos
teria de ser reduzido em, pelo menos, dois por cento ao ano. Não
consta que haja, por parte dos diversos organismos obrigados a
aplicar esta redução, grandes violações à regra. Mas
desenganem-se os que pensam que do religioso cumprimento desta norma
resultou uma significativa poupança para os cofres públicos. Pelo
contrário. A despesa será agora bastante maior. È que, de
imediato, as mentes brilhantes que nos representam lembraram-se de
uma forma simples, expedita e bastante cara de dar a volta à lei,
aos cortes e à impossibilidade de arranjar emprego ao séquito.
Como? Recorrendo ao maravilhoso e transparente mundo das aquisições
de serviços. Seja de trabalho temporário ou de consultadoria. E
serve para tudo. Desde a limpeza de edifícios até à observação
do atum rabilho.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Estacionamento tuga
Este
chasso está à venda. Pelo menos a acreditar no papel colado no
vidro da porta. Isto apesar de coxo. Porque, como se pode atestar
(atestar?! Isto anda tudo ligado..) tem apenas três rodas. Deve ser
por isso que não vai a lado nenhum. Ou então é para não estragar
o eventual negócio!
quarta-feira, 13 de março de 2013
Apagão blogosferico
Escrevia
um destes dias o autor de um blogue que costumo visitar
frequentemente, daqueles que estão ali na barra lateral, que os
blogues duram sete anos. Alguns, acrescento eu. Outros acabam mal
começam. Há, depois, as excepções. Os bons que pela qualidade da
matéria publicada se tornaram uma referência e aqueles que, por uma
qualquer razão ou mesmo sem ela, insistem em permanecer na
blogosfera. É a este último segmento que o Kruzes se orgulha de
pertencer. Anda por aqui a aborrecer vai para oito anos e não
estará, salvo algum imponderável, perto do fim.
Lamentavelmente
– na minha opinião, porque outros pensarão o inverso – o
universo bloguistico de Estremoz desapareceu. Sumiu-se. Finou-se,
salvo raríssimas excepções, quase tão depressa como apareceu. E
ninguém ficou a ganhar com isso. Nem mesmo aqueles que respiraram de
alivio perante a ausência de critica. Alguns terão migrado para o
Facebook. Mas não é a mesma coisa. Ainda que com perfis falsos. Uma
espécie de anonimato que parece ser muito mais tolerada mas – e
vamos ver se o futuro não me dará razão – igualmente perigosa.
terça-feira, 12 de março de 2013
Privatize-se, porra!
Dizer
que as sucessivas greves nos transportes já aborrecem é,
manifestamente, pouco. Pelo menos quando comparado com a ausência de
medidas para combater a situação por parte da tutela. Que é como
quem diz, do governo. Talvez por isso surgiu agora – um destes
dias, não sei ao certo quando – um movimento de utentes do
metropolitano de Lisboa contestando a rebaldaria que se vive no
sector. Nomeadamente o facto de serem os utilizadores os únicos
prejudicados pelas inúmeras greves.
Obviamente
que os grevistas têm todo o direito de protestarem. Principalmente
quando entendam estar em causa aquilo que consideram ser os seus
direitos há muito adquiridos. Tal como os utentes de se manifestarem
contra o fraco – ou inexistente, em caso de greve – serviço pelo
qual pagaram antecipadamente. O governo, por sua vez, tem a obrigação
de assegurar o regular funcionamento da rede de transportes. Se não
está em condições de satisfazer as exigências de uns, nem de
indemnizar os prejuízos de outros, então que obrigue os primeiros a
trabalhar ou que arranje quem o queira fazer.
Não
é que me pareça boa ideia, mas, aproveitando esta onda de simpatia
póstuma para com Hugo Chavez, podiam copiar algumas das suas medidas
enquanto presidente da Venezuela. Como, por exemplo, aquela em que
ele despediu cerca de vinte mil grevistas da companhia de petróleos
lá do sitio. A julgar pela admiração que as redes sociais dedicam
ao falecido, seria coisa para recolher um aplauso quase unânime. E
com melhor resultado do que ir cantar a “Grândola” para as
estações de metro em dia de greve...
segunda-feira, 11 de março de 2013
Sacadores ou saqueadores?
O
resultado de vinte e tal anos a sacar dinheiro a Bruxelas – como
disse em certa ocasião um ex-Presidente da República e da Câmara
de Lisboa - para fazer obras, está à vista de todos que o queiram
ver. Poucos, apesar de tudo o que estamos a passar, porque a maioria
ainda acha que é uma boa ideia gastar o que não tem com obras
desnecessárias e arranjar encargos que não vai poder pagar só
porque alguém lhe dá uma ajudinha.
Despejar
dinheiro em cima dos problemas tem sido também uma prática
corrente. Mesmo daquele dinheiro que não temos, que tivemos de pedir
emprestado e que agora alguns acham que não temos nada de pagar. As
consequências são, tal como em relação ao que sacámos à Europa,
as que podemos apreciar.
Diz
que agora o governo, que politicamente tanto diabolizou esta prática
enquanto os organismos públicos de si dependentes a continuavam a
incentivar, vai lançar umas quantas obras públicas e criar uns
quantos programas para esturrar mais umas massas e, alegadamente,
criar emprego. Para gente vinda de leste e de África, presumo.
Haverá,
ao que parece, a intenção de avançar com projectos na área da
recuperação de centros urbanos degradados. Pode ser, admito, uma
ideia razoável. Os jardins suspensos em que os telhados de muitos
prédios, em todas as cidades e vilas, se estão a transformar
deviam, digo eu, constituir motivo de preocupação. Embora, em
muitos casos, já não haja nada para recuperar. Nem, sequer, razão
para o fazer. É deitar abaixo, limpar o entulho e pronto. Ou, quando
muito, alargar a rua.
domingo, 10 de março de 2013
Eleições antecipadas
A
eleição do sucessor de Bento XVI está a suscitar teorias deveras
curiosas acerca do perfil que deve ser tido em conta quando chegar a
hora do colégio eleitoral nomeado para o efeito tomar a sua decisão.
O novo Papa, alegam uns quantos, deve ser alguém do “sul do
mundo”. Presumo que tenham em mente algum candidato australiano ou
neozelandês com especiais aptidões para o cargo. Outros preferiam
ver no Vaticano um Papa negro. Não se sabe ao certo porquê mas,
sendo escuro que breu, ficariam satisfeitos.
Por
mim - que não sou dado a essas coisas das beatices e que não podia
estar menos interessado no assunto – tanto se me dá. Só não
percebo é porque a escolha parece ter de obedecer a critérios de
proveniência geográfica, cor da pele, idade ou de outra baboseira
qualquer. Pensava eu, pelos vistos mal, que quando se trata de eleger
alguém para funções com alguma relevância, a única condição
era a competência para o desempenho do lugar. Já que não é assim,
se querem algo revolucionário e a atirar para o modernaço, escolham
um Papa muçulmano e transexual e não se fala mais no assunto.
sábado, 9 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Javardolas
Verdade que o contentor está mesmo ali. Mas isso, quando se quer sujar deliberadamente o que outros acabaram de limpar, não interessa nada. Deve dar, calculo, um gozo do caraças atirar lixo para o chão, ver tudo sujo, armar-se em alarve e, às tantas, reclamar que “esta malandragem não quer é trabalhar, vejam lá que nem o lixo recolhem, os patifes”. São javardolas desta estirpe que não faltam por aqui. Nem, se calhar, noutros lados.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Das outras não resultou...Mas desta é que vai ser!
Não
vou gastar as pontas dos dedos, nem desgastar ainda mais as minhas
quase imperceptíveis impressões digitais, a escrever o que penso
acerca das cada vez mais previsíveis reduções de vencimentos na
função pública. Já o fiz em inúmeras ocasiões e, não o digo
com grande satisfação, tudo o que tem sucedido na sequência dos
cortes já efectuados tem vindo de encontro ao que por aqui tenho
escrito.
Parece
que desta vez a coisa vai ser ainda pior. Os ordenados da
generalidade dos funcionários públicos estarão, mais uma vez, sob
a ameaça de novos cortes e, consta, agora a titulo definitivo. Será,
tudo indica, por aí que o governo vai encolher a despesa pública
nos tais quatro mil milhões de que tanto se tem falado ultimamente.
Trata-se da opção mais fácil e com menos custos em termos de
popularidade mas, ainda assim, tão inútil como as tesouradas
anteriores.
Digamos
que, pelo menos nesta fase, não estou especialmente preocupado com
esta eventualidade. Ou quase certeza. Nunca gastei mais do que aquilo
que ganho e é assim que tenciono continuar a agir. Por isso se
ganhar menos, gastarei menos. E se tivermos em conta que na economia
os meus gastos são os teus ingressos, alguém é capaz de se
lixar. Mais ainda.
terça-feira, 5 de março de 2013
Sei o que fizeram no governo passado...
Gosto
da democracia. Não sei porquê, mas gosto. E em democracia as
pessoas – o povo, portanto – escolhem quem os vai governar, nas
urnas de voto através dessa coisa a que chamamos eleições. Por mim
prefiro que continue assim. Mesmo que não ganhem aqueles em quem
voto e ainda que os escolhidos para governar o façam ao arrepio das
minhas convicções.
Quero
acreditar que foi por isso que muita gente terá lutado durante o
regime salazarento. Nem me passa pela cabeça que a generalidade dos
que deram o corpo ao manifesto antes do 25A tivessem em mente algo de
diferente. Que idealizassem um país onde os governantes não fossem
eleitos em sufrágio livre e universal, mas antes nomeados por um
grupo de “esclarecidos”, iluminados e auto-nomeados
representantes do povo. Como antes, afinal.
Obviamente
que em democracia também é legitimo pretender a queda de um
governo. Que a acontecer nada terá de dramático. Elege-se outro e o
assunto fica resolvido. Ou não. Porque não me parece que seja isso
que muitos manifestantes – profissionais ou gente legitimamente
indignada – desejam para o país. Se é que sabem o que desejam.
Nem, menos ainda, representam ninguém. A não ser a eles próprios,
quando muito.
Insiste-se
agora que se deve ouvir o povo. Creio que a referência envolverá
eleições antecipadas e não outra coisa qualquer. O que, a
acontecer, levaria o PS de novo ao governo e que é bem revelador da
fraca memória dos portugueses e da pouca inclinação que têm para
os números. Preferem o regresso da festa. Esquecem apenas um
pormenor. Já não há quem queira financiar os festejos.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Indignação com os indignados
Há
quem se escandalize por uns quantos reformados manifestarem a sua
indignação pelo roubo de que estão a ser vitimas e, para
manifestarem o seu aborrecimento, terem criado um movimento a que
deram o sugestivo nome de reformados indignados. O escândalo, em vez
da esperada solidariedade, deriva somente do facto de alguns destes
reformados auferirem uma pensão para lá de generosa. Que, segundo
os próprios, é praticamente toda recolhida de volta pelo Estado.
Seja sob a forma de cortes ou impostos.
Por
mim estou solidário com estes reformados. Faço, até, minha a
indignação deles. Verdade que o valor da pensão que lhes tem sido
paga é mais que obsceno. Igualmente verdadeiro que, por mais cortes
que sofram ou impostos que paguem, nenhum destes aposentados vai
morrer de fome, de falta de assistência médica ou de qualquer outra
coisa relacionada com falta de dinheiro. O que me indigna é que
estas pensões não sejam cortadas por serem imorais, mas apenas
porque, circunstancialmente, o Estado não tem dinheiro para as
pagar. O mesmo Estado – em todos os seus níveis de poder - a quem
parece não faltar o guito para esturrar em despesas absolutamente
parvas, inúteis e que deviam cobrir de vergonha aqueles que as
fazem. E, também, todos os que as aplaudem.
domingo, 3 de março de 2013
Bichano esfomeado
Diz
que a curiosidade matou o gato. Alegadamente, claro, que eu não sou
de acusar ninguém. E se algum bichano morreu por causa da sua
bisbilhotice não foi de certeza este que, quando deu pela minha
presença, se revelou muito mais assustado do que curioso.
O
coitado do bicho mais não é do que um gato vadio que vagueia aqui
pelas redondezas. Procura comida no lixo e, em consequência
disso, um destes dias ainda é capaz de bater a bota. Basta alguém
fechar a tampa do contentor...E aí não vai ser a curiosidade a
matá-lo. Será a fome. Ou a vontade de comer.
sábado, 2 de março de 2013
25 de Abril ou uma espécie de D. Sebastião
É
preciso outro 25 de Abril, proclama-se. Com armas desta vez, garante-se convictamente, porque os militares têm de fazer qualquer
coisa. Se necessário for que haja uma guerra civil, profere alguém
num momento de exaltação de que mais tarde se envergonhará. Ainda
que as expectativas quanto ao discernimento da maioria dos
manifestantes não sejam elevadas, hesito quanto às capacidades
mentais de quem assim fala. Ou será que esta malta acha que os
militares, ainda que hipoteticamente possam fazer os 25 de Abril que
quiserem, têm dinheiro e empregos para distribuir por todos?!
Derrubar o governo é fácil. A parte complicada vem depois. Ou
talvez não. No caso da coisa dar para o torto faz-se outro 25 de
Abril...e outro...e outro...e outro...
E que tal exigir rigor?!
Tal
como escrevi por ocasião de manifestações anteriores todos, ou
quase todos, temos motivos de sobejo para nos manifestarmos contra o
estado a que chegámos. A trajectória que estamos insistentemente a
seguir já deu demasiadas provas que é a errada e que, a não se
arrepiar caminho, mais cedo do que tarde a coisa estoira de vez.
O
que me deixa mesmo lixado é ver muita gente que contribuiu para a
tragédia que estamos a viver ter agora a distinta lata de se
associar a este protesto. Estou a pensar, entre outros, em inúmeros
autarcas, nomeadamente vereadores e presidentes de câmara, que nas
suas páginas do fuçasbook apelam à contestação ao governo e
fazem questão de demonstrar o seu apoio e entusiasmo perante a
“revolta popular”. Esta criaturas, que contribuíram
decisivamente para rebentar com o país, são responsáveis em grande
medida pelo agravar da situação dos seus munícipes. Veja-se,
dentro de poucos dias, a continha do IMI, analise-se a factura da
água e olhe-se para as prestações de contas ou simplesmente para
as informações que divulgam on-line e é fácil perceber o que esta
malta tem andado a fazer. É só ir às respectivas páginas na
internet que está lá tudo.
O
mesmo se pode dizer de muitos dos que hoje vão manifestar a sua
indignação. Durante anos aplaudiram o esbanjamento e a delapidação
dos recursos que não tínhamos. Ainda agora não faltam os que
continuam a exigir e a congratular-se com obras faraónicas de
interesse duvidoso sem perceberem, ou sem quererem perceber, que não
há dinheiro e que tudo isso contribui para agravar a situação que
tanto criticam. Mesmo com o país falido são também bastantes os
que se acham no direito de reclamar subsídios e apoios para as suas
organizações ou iniciativazinhas. Muitas delas sem outro interesse
que não o gastronómico ou folclórico. Isto para não mencionar
todos aqueles que entendem que isso de exigir factura é coisa para
gajos com tiques pidescos.
É
preciso encontrar alternativas. Mas elas não passam, seguramente,
pela esmagadora maioria das palavras de ordem que hoje vão entoar
pelas ruas da capital. Por mim, insisto no que escrevo desde o tempo
em que ainda nem sequer se sonhava que ia haver crise. Não
precisamos de austeridade, apenas de rigor. O rigor, por parte de
todos, teria chegado e sobrado para evitar que tivéssemos chegado
até aqui.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Neve em Estremoz
Não
é que seja especial apreciador de neve. Seria mesmo incapaz de
assapar umas quantas dezenas de quilómetros apenas para a ver. A bem
dizer nem umas centenas de metros... mas pronto isso sou eu que
apenas gosto de ver neve através da janela. Prefiro o calor. Estou
como diz o outro:
“Ó
sol és a minha crença
nem
que eu morra queimado
ainda
assim não me compensa
dos
frios que tenho passado”
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Vem aí o IMI
Vamos,
dentro de poucos dias, começar a receber as notas de cobrança do
IMI. Abrir a caixa do correio e deparar com contas a pagar é algo
que aborrece qualquer um, mas esta missiva das finanças vai ser
coisa para deixar a maioria dos proprietários de imóveis com os
níveis de irritabilidade em alta. Dependendo do montante a pagar –
do tamanho do saque, por assim dizer – a conta será dividida até
três prestações. A última, curiosamente, será paga apenas lá
para Novembro. Depois da eleições autárquicas. Quando a malta já
votou, colocando assim a salvo os muitos candidatos que vão andar
por aí ao abrigo de algum percalço mais ou menos desagradável.
Pelo menos daqueles relacionados com este imposto desgraçado,
inútil e que, nos moldes actuais mais não é do que um roubo
descarado aos nossos bolsos.
De
positivo neste esbulho vejo apenas um aspecto. O de os portugueses
terem finalmente a oportunidade de perceber que é o seu dinheiro que
paga as festas de que tanto gostam, as obras que não se cansam de
exigir e tudo o mais que tanto apreciam no governo e nos governantes
da sua terra. Ou na parte do IMI resultante da reavaliação dos
prédios, como vai suceder neste e no próximo ano, para pagar os
empréstimos contraídos por estes junto da banca. É que isto não há almoços
grátis. Nem promessas “deles” que nós não paguemos.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Deve ser uma espécie de perseguição religiosa
Ainda
que baptizado e casado pela igreja não me considero católico. Nem
sequer, embora provavelmente as estatísticas me incluam nesse
número, católico não praticante. Digamos que as minhas relações
com a igreja serão muito mais circunstanciais do que movidas por
qualquer espécie de convicção.
Apesar
disso não aprecio muitos dos ataques que quase constantemente são
dirigidos à igreja, enquanto instituição ou à sua hierarquia,
nomeadamente quando as outras religiões não são postas no mesmo
patamar de exigência. Desagrada-me sobretudo que se critique de
forma despudorada a igreja católica e se deixe impune à critica,
seja por cobardia ou em nome do pensamento politicamente correcto
vigente, outras religiões que claramente oferecem mais motivos de
reprovação. Refiro-me, entre outras, ao islão. Crença acerca da
qual todos parecem ter um imenso receio de tecer o mais moderado dos
comentários.
A
foto que acompanha este post é um dos exemplos mais elucidativos do
que acabo de escrever. Tem sido partilhada no fuçasbook e divulgada
em sites e blogs como forma – se bem interpreto a mensagem – de
denunciar a alegada indiferença da igreja perante a fome de
milhares, quiçá milhões, de criancinhas africanas e de outras
paragens menos favorecidas. Terão os que partilham este tipo de
imagem alguma razão. Se calhar uns quantos indivíduos vestidos de
forma abichanada podiam fazer mais qualquer coisa para minorar o
sofrimento destas e de outras pessoas. Mas, se mal pergunto, os
ayatollahs de toalha na cabeça, que rezam de cú para o ar e a quem
também não faltam riquezas, não podiam fazer nada? Até porque
estão lá mais perto. E, mesmo sabendo que são estes fulanos que
muitas vezes impedem o auxilio a estas crianças, não há por aí
umas quantas fotos desses seguidores do profeta que se possam colar
às destas criancinhas?
Não
se pode exigir que quem partilha e divulga estas palermices pare
muito tempo para pensar. Ou que, em muitas circunstâncias, tenha
sequer grande capacidade para o fazer. É por isso que aquela rede
social substitui quase na perfeição a parede do WC. Sinal dos
tempos e da evolução tecnológica. Que não, necessariamente, do
utilizador.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Onde é que está a dúvida que andámos a viver acima do que podíamos?
São
muitos os que ficam com os cabelos em pé quando ouvem dizer que
vivemos – e se calhar continuamos a viver – acima das nossas
possibilidades. Isto enquanto país, obviamente. Não gostam e acham
que os problemas estão algures noutros pontos quaisquer da nossa
vivência em sociedade. Terão, sem dúvida, toda a razão
relativamente a muitos argumentos que evocam para rebater a tese, que
abominam , de termos andado a esbanjar o dinheiro que tínhamos, o
que não tínhamos e o que provavelmente nunca chegaremos a ter.
O
pior é que a razão deles não chega. O problema vai muito para além
dela. E o gráfico junto é por demais elucidativo. Os juros e
encargos com a divida representam a mais importante parcela da despesa financiada com os nossos impostos, superam até os gastos com a saúde, o que, somando
o BPN, torna o país praticamente ingovernável. Digamos que se fosse
uma empresa, ou mesmo um particular, um destes dias era declarado
falido.
Ora
estes encargos resultam de empréstimos que foram contraídos para
financiar investimentos e para irmos mantendo o nosso simpático
nível de vida. O mesmo que muitos portugueses fizeram, portanto.
Desgraçadamente todos os créditos têm aquela parte chata,
aborrecida e muito desagradável que envolve o seu reembolso e o
pagamento dos respectivos juros. Coisa para a qual não temos graveto
porque não geramos riqueza para isso. Se isto não foi viver acima
das possibilidades, então não sei o que lhe chame. Talvez mania das
grandezas, querer fazer figura com dinheiro alheio ou não ter onde
cair morto mas fazer vida de rico, é capaz de não ser, também,
desajustado de todo.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Peçam muitas facturas em meu nome que eu não me importo!
Desatar
a trautear a Grândola vila morena quando nas imediações se
encontra um qualquer membro do governo pode parecer um bocadinho a
atirar para o estranho mas, enfim, ainda se tolera. Mesmo correndo o
risco de o fulano que democraticamente se pretende silenciar desate,
também ele, a cantar a dita cantiga. O que, convenhamos, tira todo o
brilho ao putativo protesto.
Já
fazer uma compra, paga-lá e no fim pedir factura em nome de outro é,
para ser simpático, das atitudes mais parvas de que já ouvi falar.
Apesar disso, parece, é o que andarão a fazer uns quantos totós.
Diz que será uma forma de protestar contra a obrigação de pedir
factura. Desconheço o que ganhará com isso quem assim procede ou
em que medida ficará prejudicado o possuidor do número de
contribuinte a quem a factura foi emitida. O efeito é, desconhecerão
os idiotas mentores desta acção, exactamente o contrário. Eles
ficam a perder e os contribuintes identificados a ganhar. Por causa
de palermas desta estirpe PPC, Relvas e outros terão já direito a
pagar menos 250 euros de IRS. ¹
A
ideia é tão estúpida que já tem milhares de seguidores no
facebook - um local onde as ideias estúpidas surgem a uma velocidade
estonteante. De estranhar é apenas ter surgido agora. Se a intenção
de mandar facturar em nome de outro tem a ver com a possibilidade
deste vir a ser investigado para determinar a origem dos proveitos
que lhe permitiram adquirir bens acima dos seus rendimentos, porque
raio ninguém se lembrou de pedir facturas em nome de um alegado
engenheiro desempregado até há uns dias atrás?! Ou da senhora sua
mãe? Ou de outra pessoa qualquer que compre apartamentos de centenas
de milhares de euros quando ganha apenas uma reforma miserável.
¹
Se quiserem pedir factura em meu
nome é só deixar o contacto na caixa de comentários que eu
disponibilizo o meu NIF para o efeito. Abater 250 euros ao IRS dá
sempre jeito.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O que o álcool faz... a um pobre diabo!
Que
os vinhos de Estremoz são dos melhores que se produzem no país
parece ser, a acreditar na opinião dos especialistas em matéria
vinícola, uma realidade incontornável. Por mim, que não não sou
grande entendido nessas coisas da pinga, posso apenas garantir que
possuem qualidades insuspeitas. Pelo menos ao nível do efeito que
produzem na fluência do discurso e clareza do raciocínio dos seus
consumidores. Sobretudo daqueles que o consomem em quantidades mais
elevadas.
Foi
por causa desses efeitos que um destes dias num popular tasco cá da
terra, enquanto aguardava o registo do euro-milhões, tive a oportunidade de assistir a um verdadeiro
comício improvisado em torno de umas quantas garrafas de um tinto
aqui da zona. O orador improvável, um borra-botas qualquer incapaz
quando sóbrio de dizer burro duas vezes seguidas, discorria
fluentemente sobre o carácter e a conduta de um conhecido politico
local. Fluente, mas em termos que a decência aconselha a não
reproduzir. Mesmo num espaço como este.
Nada
de mais se atendermos ao que todos os dias se diz dos
políticos, pensará quem se dá ao trabalho de me ler. De facto, o
episódio não teria nada de especial não fosse a piece de
resistance da história. É que para gáudio dos que assistiam, o homem terminava invariavelmente cada frase com um sonoro “e eu
sou amigo dele”. Nem quero pensar o que a criatura dirá, quando
com os copos ou até mesmo sem eles, de quem não grama.
Ainda
assim o discurso inflamado do bêbado contribuiu involuntariamente
para a divulgação do produto. Alguém por perto pediu “um
daqueles que o gajo está beber”.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Autárquicas 2013
À
semelhança do que aconteceu em 2005 e 2009, em 2013 o Kruzes Kanhoto
vai acompanhar as eleições autárquicas com toda a atenção que
elas merecem. Pouca, portanto. Mais uma vez serão as promessas
extravagantes, as ideias delirantes e as candidaturas mais ou menos
excêntricas em que estes actos eleitorais costumam ser pródigos,
que vão merecer destaque aqui pelo blogue. Ainda que outras
patetices e até mesmo as coisas relativamente sérias não sejam
esquecidas e possam, de vez em quando, merecer uma referencia.
Necessariamente breve, como é óbvio, que isto há que manter o
padrão a que os leitores já se habituaram.
Comecemos,
como nas outras ocasiões, por Estremoz. Parece que um dos candidatos
afinal já não é. Deixou de ser antes que fosse. Nunca chegaremos,
por isso, a saber se a pessoa em causa, com a sua vastíssima
experiência neste ramo de actividade, seria uma mais valia para o
concelho. Isto se ganhasse ou se, sequer, fosse eleito. Hipóteses
que – a primeira - os auto proclamados especialistas em matéria de
previsões nem colocam ou, quanto à segunda, manifestam as mais
sérias reservas. Garantem até saber que nem o ex-candidato votaria
nele próprio. Mas isso agora, como diria a outra, não interessa
nada. São contas, se houver outro volte-face e o agora ex-candidato
for mesmo a votos, para fazer lá mais para o inicio do Outono.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Governo alternativo precisa-se
Como
aconteceu no tempo do governo do Partido Socialista, também agora
Passos Coelho e os seus ministros são apupados para onde se
deslocam. Estarão, portanto, a governar mal e com isso a provocar um
elevado nível de irritabilidade aos portugueses. Tal como Sócrates
e seus acólitos o fizeram antes, recorde-se.
Já
no poder local, agora como nos últimos vinte anos, a deslocação do
presidente da câmara, seja de que partido for, a qualquer parte do
território que administra constitui uma festa. Estarão, portanto, a
governar bem e com isso a provocar um elevado nível de satisfação
aos portugueses. Tal como todos os seus antecessores o fizeram antes,
recorde-se.
Se
calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, era capaz de não
ser má ideia promover a constituição de um governo de união
nacional, onde estivessem representados todos os partidos, integrado
exclusivamente por presidentes de câmara. Seriamos, acredito, um
povo muito mais feliz. E o país seria, seguramente, um lugar
divertido, com muita animação e onde tudo constituiria motivo para
uma festa. Fosse a colocação de uma máquina de multibanco numa
aldeola ou a oferta de uma gaita de beiços para uma filarmónica
qualquer.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
À vontade!
Num
tom de voz claramente irritado e em circunstâncias que não vêm ao
caso, porque pouco ou nada acrescentariam à historieta, alguém me
fez notar que era “autarca da Câmara do (…) só para o pôr à
vontade”. Dada a grande velocidade a que o alegado autarca produziu
esta afirmação nem dei conta da ligeira pausa, que daria sentido à
frase, e que significaria a existência de um ponto final a seguir à
identificação da autarquia. Apesar disso admito que a criatura a
tenha feito. Até porque será muito mais coerente que o homem
desempenhe o cargo que alega por amor à sua terra do que para me pôr
à vontade. Admiti, por isso, que o senhor terá afirmado que é
“autarca da Câmara do (uma determinada terra). Só para o pôr à
vontade.”
Lamentavelmente ficaram por esclarecer as inquietantes duvidas que manifestei perante o interesse da
extemporânea revelação. O alegado autarca
tratou de desviar a conversa. Apesar de não ter visto esclarecido o
motivo porque ficaria à vontade perante a informação que me estava
a ser transmitida, acredito que foi melhor a troca de palavras ter
seguido outro rumo e, principalmente, ter terminado pouco depois. É
que entre as muitas coisas que me irritam, as referências aos
lugares que se ocupam estão no topo da lista. Nomeadamente quando
isso envolve a intenção de deixar o interlocutor à vontade. Seja
lá o que for que isso queira dizer.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Temos piada nós
Tantos anos a reclamar de serem sempre os mesmos a pagar impostos, a
lamentarmos a generalizada fuga ao fisco e a criticar a inépcia da máquina
fiscal para caçar aqueles que em nada contribuem para as finanças do país e,
agora que podemos fazer alguma coisa para contrariar esta situação, o que
fazemos nós? Zombamos da possibilidade de, finalmente, aquilo que sempre
exigimos – pôr muitos dos que não pagam a fazê-lo – se tornar realidade. Pior
ainda. Barafustamos e recusamos participar no esforço colectivo que deve
mobilizar a sociedade contra a fuga e evasão fiscal. Achamos que controlar a
cobrança de impostos é um acto pidesco e manifestamos a nossa repulsa por nos pretenderem obrigar a exigir a factura que
nos é devida por cada compra que efectuamos. Somos uns tristes.
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