São
muitos os que ficam com os cabelos em pé quando ouvem dizer que
vivemos – e se calhar continuamos a viver – acima das nossas
possibilidades. Isto enquanto país, obviamente. Não gostam e acham
que os problemas estão algures noutros pontos quaisquer da nossa
vivência em sociedade. Terão, sem dúvida, toda a razão
relativamente a muitos argumentos que evocam para rebater a tese, que
abominam , de termos andado a esbanjar o dinheiro que tínhamos, o
que não tínhamos e o que provavelmente nunca chegaremos a ter.
O
pior é que a razão deles não chega. O problema vai muito para além
dela. E o gráfico junto é por demais elucidativo. Os juros e
encargos com a divida representam a mais importante parcela da despesa financiada com os nossos impostos, superam até os gastos com a saúde, o que, somando
o BPN, torna o país praticamente ingovernável. Digamos que se fosse
uma empresa, ou mesmo um particular, um destes dias era declarado
falido.
Ora
estes encargos resultam de empréstimos que foram contraídos para
financiar investimentos e para irmos mantendo o nosso simpático
nível de vida. O mesmo que muitos portugueses fizeram, portanto.
Desgraçadamente todos os créditos têm aquela parte chata,
aborrecida e muito desagradável que envolve o seu reembolso e o
pagamento dos respectivos juros. Coisa para a qual não temos graveto
porque não geramos riqueza para isso. Se isto não foi viver acima
das possibilidades, então não sei o que lhe chame. Talvez mania das
grandezas, querer fazer figura com dinheiro alheio ou não ter onde
cair morto mas fazer vida de rico, é capaz de não ser, também,
desajustado de todo.







