O governo vai
distribuir vacinas da gripe pelos portugueses com mais de sessenta e cinco anos.
Apesar da clara discriminação para com os portugueses de sessenta e quatro anos,
parece-me uma decisão acertada. O custo desta vacinação em massa será com
certeza bastante elevado mas, ainda assim, é provável que os ganhos decorrentes
desta medida profiláctica superem aqueles que resultariam da contracção da
doença.
O que já não me
parece assim tão bem é que esta súbita generosidade governativa seja atribuída em
função da idade e não, como seria de esperar, do rendimento. Poderá, até,
tratar-se do grupo de maior risco. Fico, também, satisfeito pela diminuição do
número de pessoas que vão andar por aí a tossir e a espirrar para cima de quem
está por perto. Mas – e isto não é pretender que eles faleçam por não lhes ser administrada
– acho uma indecência e uma ofensa a quem trabalha, que gente com reformas
acima daquilo que são os valores do salário médio em Portugal não pague esta
vacina. E depois venham para cá com histórias da carochinha acerca dos custos
da saúde, da necessidade de austeridade e outras badalhoquices que uns quantos
javardolas insistem em nos impingir. Para sermos um país normal bastava-nos
RIGOR. Infelizmente poucos sabem o que isso significa.
