quinta-feira, 21 de junho de 2012

Estratégias



Estes dois sapos, de aspecto simpático e jovial, não estarão propriamente a dar as boas-vindas aos clientes do estabelecimento. O capacho, de certo ao gosto do proprietário, terá, para além da finalidade geralmente atribuída aos artefactos seus congéneres, como objectivo manter à distância uma determina espécie de fregueses indesejáveis sobejamente conhecidos pela aversão aos pequenos batráquios. Embora isto, claro, seja eu a fazer um suponhamos.
Do que tenho a certeza é que o fabricante destes capachos teve olho para o negócio. Muitíssimo mais do que quem não teve a visão estratégica para colocar nesta rotunda, situada à entrada de Estremoz, em lugar desta boneca desengraçada a figura de um sapo de dimensões gigantescas. Agora, se a lei dos compromissos ainda permitir, o melhor é começar a comprar capachos…

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A colheita da crise



A colheita do alhal da crise, ocorrida por estes dias, situou-se dentro dos parâmetros esperados. Isto atendendo, nomeadamente, ao espaço semeado. Apesar, de muito provavelmente, não ser em quantidade bastante para, sequer, afastar um vampiro, sempre dará para durante algum tempo não andar no supermercado a revirar as embalagens de alhos até descobrir os que não vêm da China.
Já a produção de morangos tem-se revelado um verdadeiro desastre. Daqueles que dão lugar a pedidos de subsidio para fazer face ao prejuízos sofridos. Todas as quatro plantas sobreviveram mas, até agora, apenas uma deu frutos. Dois, no caso. E o primeiro foi comido por um passarão qualquer. Daqueles verdadeiros, com asas e tudo.  Que os outros – esses que andam por aí mas que por uma questão de higiene é melhor nem pronunciar o nome – roubam muito mais e causam estragos incomparavelmente maiores.

terça-feira, 19 de junho de 2012

É economia moderna, estúpido


Desta vez é que vai ser. Após a centésima octogésima nona alteração ao código do trabalho temos, finalmente, uma legislação laboral toda modernaça que vai permitir às empresas desatar a criar postos de trabalho como se não houvesse amanhã. Embora, se bem me recordo, para justificar as anteriores cento e oitenta e oito alterações ocorridas nos últimos vinte anos tenham garantido exactamente a mesma coisa e os resultados sejam os que se conhecem.
Agora, asseguram, é diferente. O emprego vai passar a aparecer em cada esquina. Os desempregados, por isso, que se ponham a pau. Daqui para a frente o melhor é nem saírem à rua. Caso arrisquem, o mais certo é serem de imediato contratados por um qualquer generoso e empreendedor patrão ansioso por arregimentar colaboradores.
Apesar de vir a ser sucessivamente aprimorada, a legislação laboral está ainda muito longe da perfeição. Todos concordaremos facilmente que trabalhar mais sete dias por ano, completamente de borla, constitui um passo significativo e necessário. Mas, igualmente não discordaremos, é pouco. Reduzir salários, apenas os parvos não perceberão, trata-se de um imperativo nacional. Pequeno, ainda assim. Há, de uma vez por todas, que alterar radicalmente as mentalidades tacanhas que querem a todo o custo travar o avanço inexorável do progresso. Sejamos ambiciosos. Faça-se a derradeira reforma da legislação laboral. A que ponha fim a essa aberração de obrigar um dinâmico empreendedor a pagar ordenados e que termine com o inadmissível direito a férias, descanso ao fim de semana ou que limita o horário de trabalho a oito horas diárias. Enquanto estes problemas estruturais não se resolverem jamais conseguiremos ser competitivos ou criar emprego sustentado. Daquele, como antigamente, para a vida inteira. Nem criar riqueza suficiente para os dinâmicos e empreendedores patrões tugas.

domingo, 17 de junho de 2012

A solução é a impressora


Bora lá fabricar notas para resolver a crise. A receita é de Mário Soares e dá, segundo o próprio, resultados garantidos. A seguir, se alguém fizesse caso das ideias geniais do gajo, o mais provável seria termos uma subida brutal da inflação. Mas isso não interessa nada. Aumentavam-se os ordenados em metade do valor da taxa de inflação e a malta, como não sabe fazer contas, ficava toda contente.
É, de facto, uma grande ideia. Se este mês recebesse subsídio de férias ia já comprar uma impressora das boas e, num acto de verdadeiro patriotismo, desatava a imprimir notas. Seria o meu modesto contributo para a salvação do país, da Europa e do Euro.  Para o ano já teria, de certeza absoluta, os três meses de ordenado de volta. Até podia tirá-los directamente da impressora…

sexta-feira, 15 de junho de 2012

E depois queixam-se das prioridades dos politicos...


Vivemos um momento particularmente difícil. Talvez mesmo o mais complicado, em termos de perspectivas de futuro para o país, enquanto sociedade organizada, que se viveu nos últimos quarenta anos. No entanto os portugueses continuam pacientes, nas palavras de Parvus Coelho, ou, nas minhas, absolutamente indiferentes. Uma indiferença inconsciente, digamos. Continuamos a comportarmo-nos como se o mundo tal como o conhecíamos não tivesse acabado e se aquilo que aí vem não fosse algo de terrível. Pior ainda, muito pior, do que já passámos ao longo deste ano de austeridade. Se dúvidas tivermos quanto a isso, basta estar atento ao que se vai passando na Grécia.
Mas, por cá, preferimos ignorar e orientar as nossas preocupações para outras coisas. Importantes, quase todas. Exemplos disso são os “movimentos” criados pelos cidadãos – qualquer um o pode fazer - no portal do governo. De entre os quinze primeiros em termos de popularidade, os que têm maior número de apoiantes e que reflectirão as causas que mais preocuparão os leitores, oito (!!!) estão relacionados com a defesa dos direitos, da saúde e do bem-estar…dos animais!!!!!!! Há, até, quem preconize, numa dessas iniciativas, que o Estado comparticipe nas despesas com o tratamento dos bichos. Porra! Grandes bestas. Se é isto que os preocupa então é porque, de certeza, pensam que estão imunes a essas parvoíces da crise e não revelarão grande interesse pelos direitos, pela saúde e pelo bem-estar dos vossos concidadãos, que todos os dias são postos em causa.
De referir que dos restantes sete “movimentos”, um defende as touradas e quatro são representativos de interesses específicos de classes como guia-intérprete e psicomotricista. Saliente-se que a primeira proposta dentro da normalidade surge apenas em sétimo lugar. Chama-se “Não tenho de emigrar para me formar” e propõe que, quando existam limitações no acesso a determinados cursos do ensino superior, sejam criadas vagas suplementares suportadas pelos próprios alunos. Parece inteligente. Não acredito é que, num país de burros, tenha pernas para andar.