domingo, 18 de março de 2012

"Ele há lá torre mai linda!"


Acabadinha de limpar, tão acabadinha que os andaimes ainda lá estão, a torre de menagem está de cara lavada. Como nunca a vi. Nem, provavelmente, ninguém até agora. E está bonita. Acho eu.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O sol (ainda) não paga impostos


Se, por um lado, este tempo esquisito não me está a dar grande ajuda na horta da crise, por outro vai contribuindo para a eficiência energética cá de casa. Cansado de carregar com botijas de gás - nos meses mais frios eram duas por mês – optei, há coisa de um ano, por colocar um painel solar para aquecimento de água. Recuperar o investimento inicial demora, naturalmente, algum tempo mas, mesmo assim, é uma opção que recomendo. O consumo de gás diminuiu de forma drástica, as minhas costas nunca mais se queixaram e, com este inverno solarengo, quase nem tem sido necessário recorrer à energia eléctrica para aquecer a água do banho matinal. O astro-rei tem-se encarregado de a pôr a escaldar.
No processo de aquisição e instalação do sistema apenas um pormenor me deixou escandalizado. O painel foi fabricado na Austrália. Inacreditável. Somos um país em que o sol brilha a maioria dos dias do ano mas, apesar disso, não aproveitamos a sua energia nem desenvolvemos uma indústria que vise a produção de equipamentos que potenciem o seu aproveitamento e precisamos de importar estas coisas. Afinal, ainda que o sol quando nasce seja para todos, parece que do outro lado do mundo ilumina muito mais. Pelo menos no que diz respeito às ideias, à iniciativa e ao que se faz com elas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

E que tal pô-lo a juros?


Não falta quem ache o ministro da economia um verdadeiro totó. Talvez seja. Ou então será apenas um académico com pouca noção do que é a vida real. Um teórico, portanto. Daí que hoje tenha teorizado acerca da forma como deverão ser, de ora em diante, aplicados os fundos comunitários do QREN. Para combater o desemprego e gerar riqueza, acha ele, em lugar de servirem para construir rotundas, acrescentou.
Em tese não se afigura como uma ideia despropositada. É, até, algo que devia ter acontecido desde que o primeiro euro – ou, à época, outra unidade monetária qualquer – chegou a Portugal vinda dos cofres europeus. O pior é que não é disso que o povo gosta. E o povo, pelo menos até que o Otelo promova outra Abrilada, é que vota e escolhe quem quer ver no poleiro. Por norma aqueles que fazem mais rotundas e outras obras que não se sabe ao certo para o que servem.
Esta intenção governativa demonstra que o ministro Álvaro conhece mal os portugueses. Se o dinheiro não for repartido – coisa em que não acredito – por inúmeras obras inúteis, bacocas e de rentabilidade rigorosamente nula, voltará direitinho para Bruxelas sem ser utilizado. O que, diga-se, seria preferível a esturrá-lo ingloriamente a endividar ainda mais o país. Assim como assim começo a pensar que, se calhar, a ideia de fazer espectáculos musicais e outras palhaçadas com financiamento comunitário nem será das piores. Pelo menos sempre contribui para diminuir o desemprego entre os “artistas”. Ou lá o que lhes queiram chamar.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Evitar o homejacking


Quiçá, com o agudizar da crise, este equipamento urbano passe a ter outra utilização que não apenas a de servir como ponto de depósito do vidro usado. E quem diz a crise pode também dizer o aumento do IMI. Para muitos de nós, se quem manda nestas coisas não ganhar juízo, não restarão muitas alternativas para além de entregar a chave de casa à Câmara e mudar-se para um abrigo deste ou doutro género. Com a vantagem, neste caso, de se poder dispor de uma fantástica garrafeira. Pena que não seja fácil acomodar um colchão no seu interior ou que mudar de roupa lá dentro se revele uma tarefa complicada. Mas não se pode ter tudo. Principalmente se isento de impostos parvos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Quando o bom senso tem que ser imposto por uma lei...com pouco senso!


Pretende o governo, por imposição da troika e – quase de certeza – de alguns fundamentalistas, reduzir em tempo recorde o montante da divida pública e, bem assim, a quantidade de dias – que é como quem diz meses ou anos – que um fornecedor tem de esperar para receber o dinheiro do bem que vendeu, ou serviço que prestou, ao Estado ou a qualquer outra entidade pública. Para atingir tal desiderato tratou de aprovar a chamada lei dos compromissos e pagamentos em atraso, em vigor há coisa de vinte dias, com a qual pretende que os organismos oficiais apenas adquiram bens, serviços, façam obras ou atribuam subsídios se, para tal, tiverem dinheiro suficiente para pagar nos noventa dias seguintes.
A ideia, assim à primeira vista, até parece boa. É, no fundo, aquilo que qualquer pessoa precavida faz no dia-a-dia. O problema é que os portugueses, quer os que governam quer os que são governados, não são pessoas prudentes quando toca a gastar dinheiro nem nutrem particular simpatia por políticos que apliquem com rigor o dinheiro público. Pior. Durante muitos anos gastou-se sem rei nem roque e agora, assim de repente, querem que tudo mude e toda a gente fique poupada. Quem sempre gastou o que não tinha vai perder o “brinquedo” e, como se compreende, fica chateado. Para todos – ou quase todos – vai ser uma tragédia. Daquelas que, mais tarde ou mais cedo, vamos descobrir não acontecem apenas aos outros.
Tal como previ no post escrito no dia em que a lei começou a ser aplicada, começamos a assistir a situações que, por enquanto, ainda não se podem classificar de dramáticas mas que podemos – simpaticamente – considerar aborrecidas. Como, por exemplo, na área da saúde. Diz que em algumas unidades hospitalares começará já a haver dificuldade em fornecer medicação aos utentes por, alegadamente, os fundos disponíveis – vulgo o dinheiro para pagar em noventa dias – não serem suficientes.
Seguir-se-ão as autarquias. O que não admira. Pagar e morrer é a última coisa que se faz na vida e no poder local o lema, não necessariamente por esta ordem, é seguido à risca. Pretender mudar isto de um dia para o outro é capaz de ser pedir de mais.