Não é costume recomendar livros. Esse papel fica muito melhor entregue a outros – ao professor Marcelo, por exemplo – mas hoje não resisto a deixar esta sugestão de leitura que recomendo especialmente à malta de esquerda que anda por aí a apoiar os fascistas islâmicos do Hamas. Os tais que nem Arafat queria ver por perto.
O espectacular, maravilhoso, absolutamente inigualável, brilhante como ninguém e fantástico líder do partido do governo vai voltar a ganhar as eleições. Quer, como tudo indica, se candidate pelo seu actual partido ou, protagonizando mais uma daquelas espectaculares transferências a que o mundo da política também já nos habituou, se transfira para o rival e principal opositor. Nem sequer os camaradas ficariam por aí além muito surpreendidos com a eventual mudança de emblema do primeiro-ministro maravilha do Largo do Rato para a Lapa. Primeiro porque estes – os ratos – são sempre os primeiros a abandonar o navio quando a coisa começa a correr mal e, em segundo lugar, porque as fintas e dribles mais ou menos baixos continuariam ao mesmíssimo nível. O que não desagradaria aos camaradas. Se gostam agora não iam deixar de gostar só por o homem vestir outra camisola e assim resolvia-se o problema de uma eventual ausência de maioria absoluta.
Em matéria desportiva o Benfica vai continuar a não ser campeão. O que também não constitui novidade, diga-se. Embora, ao que parece, a equipa de chinquilho, este ano bastante reforçada, se apresente como forte candidata ao título. O mesmo relativamente à sueca. Como sempre continua boa.
As pontes e fins-de-semana prolongados que se anunciam para este ano prometem esgotar as viagens para destinos exóticos e lotar hotéis no Algarve. Restaurantes e toda a espécie de superfícies comerciais continuarão apinhadas de gente, enquanto nas estradas continuaremos a assistir ao desfilar dos últimos modelos que a industria automóvel colocar no mercado. As ruas das cidades manter-se-ão engarrafadas de automóveis utilizados para pequenos percursos por cidadãos incapazes de se deslocarem a pé mas que ao fim do dia encherão os ginásios.
Costuma dizer-se, com razão, que o tempo é dinheiro. Ao espaço, seja físico ou blogosférico, aplicam-se igualmente critérios de rentabilização de acordo com aquilo que cada um pretende fazer dele. Assim, também por isso, na sequência de uma orientação editorial que há algum tempo já vem sendo seguida neste blogue, deixarão de ser disponibilizados links a todos os que não seguem igual politica de reciprocidade.
Da actualização efectuada hoje poderão ter resultado a eliminação de algumas ligações que apontam para este espaço ou a não inclusão de outras por desconhecimento da sua existência. Se assim for agradeço que as enviem para a caixa de comentários e oportunamente serão inseridas na barra lateral.
O Procurador-geral da Republica manifestou-se, um destes dias, preocupado com a criminalidade que se verifica no país e que segundo ele, poderá aumentar significativamente este ano. Atento ao problema José Sócrates terá já encontrado a solução que fará melhorar drasticamente as estatísticas nesta matéria e que envolve uma complexa e profunda revisão de toda a legislação da área criminal.
Assim, assaltar bancos ou roubar caixas multibanco deixará de ser crime. Esta actividade passará a ser conhecida como “levantamentos não autorizados” e não será punida criminalmente. À semelhança, aliás, do que já acontece quando os fundos são desviados a partir de dentro da própria instituição bancária.
Assaltos a supermercados, joalharias e outros que envolvam bens de consumo, adorno ou decoração também não serão considerados crimes. Passarão a ser designados como “recolha de bens essenciais por parte de pessoas com necessidades de consumo para além das suas posses” e o governo criará um fundo para pagar os prejuízos aos comerciantes afectados por este tipo de actuação.
O mesmo principio se aplicará ao “carjacking”. Mas, nestes casos, as viaturas serão devolvidas aos legítimos proprietários enquanto ao até agora considerado criminoso, será entregue uma viatura igual à que foi alvo da sua cobiça, com a qual poderá prosseguir livremente as suas actividades que, como já se disse, deixarão de ser crime.
Quanto aos assaltos a pessoas, apenas deixarão de ser considerados como actos criminosos se o assaltante emitir recibo, verde ou de qualquer outra cor, que será dedutível no irs do assaltado e, para além disso, não estiver em divida para com o fisco e a segurança social. Caso não se verifiquem estes pressupostos, e apenas nesse caso, o praticante desta actividade será severamente punido. Embora ainda não sejam conhecidas as medidas sancionatórias a aplicar, acredita-se que poderão passar pela suspensão da atribuição do rendimento mínimo.
Relativamente às vítimas que ofereçam resistência ou que tenham o descaramento de, ainda assim, incomodar as autoridades policiais, poderão vir a ser acusadas de desacato e desobediência civil, podendo mesmo ser expulsas do país. Refira-se que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista terão já manifestado o seu apoio a estas medidas por serem “da mais elementar justiça social, que em muito contribuirão para diminuir as assimetrias sociais e que apenas pecam por tardias”.
Quando vou às compras a caixa a que me dirijo é invariavelmente a mais lenta. Mesmo que a bicha – neste blogue não se alinha em brasileirismos – tenha metade das pessoas que as caixas ao lado, aquela em que eu estou demora sempre mais tempo. E qualquer razão é boa. Produtos com defeito, preços incorrectos ou velhotas que insistem em encontrar moedas de cêntimo no fundo da carteira. Principalmente em carteiras que não tem cêntimos no fundo.
Ontem, optei por pagar as compras numa caixa onde apenas se encontrava um grupo de três jovens, com pouco mais de meia dúzia de produtos visivelmente destinados a uma festarola de fim de ano e que aparentemente pareciam ser breves. O pior é que eles resolveram meter-se com a empregada, toda gira, diga-se, ainda que vagamente parecida com a Popota, que ficou deleitada com a tanga que a rapaziada lhe estava dar. O resultado foi larguíssimos minutos de espera em consequência de vários enganos provocados pela animada troupe e pela atrapalhação evidenciada pela rapariga que provavelmente nunca ouvira tanto elogio em tão pouco tempo.
Ainda assim não foi dos dias piores. Até nem havia ciganos. Devem ter ido todos passar o ano fora. Ou dentro, sabe-se lá.