ALCAÇOVENSE 5-5 CFE (BENJAMINS B)
Há 9 horas
Blogue de opiniões irrelevantes nem sempre fundamentadas
Não vi o jogo de ontem entre o clube de futebol do Porto e o Braga. Mas terá, calculo, sido um grande jogo. Provavelmente terá sido o pior Braga da época – só assim se justifica que uma equipa que nos dezanove jogos anteriores apenas tenha sofrido oito golos encaixe cinco numa só partida – frente ao melhor Porto. Portistas que, recorde-se, sem a ajuda do arbitro, dos guarda-redes adversários, ou do Sporting, há muito que não marcavam tantos golos. Desde, pelos menos, que os estímulos causados pela fruta, o chocolate ou o café com leite começaram a perder algum do efeito motivador que tão bons resultados deu nos últimos trinta anos.
Seja por um motivo ou por outro a verdade é que o Braga, finalmente, claudicou. Provavelmente terá sido apenas uma noite má. Daquelas que acontecem com frequência às equipas orientadas por antigos jogadores da equipa do norte quando jogam contra o seu ex-clube. Nada que surpreenda. Aliás o mesmo já tinha acontecido ao Olhanense que, apesar de ter feito um grande jogo contra o Benfica, baqueou quando defrontou o Porto e perdeu por uns claros três a zero. Em comum, para além de ambos os treinadores terem jogado no clube do Porto, as duas equipas tem nas suas fileiras inúmeros jogadores emprestados – ou cedidos – pela equipa azul e branca.
Tudo coincidência, como é bom de ver. Porque não passará pela mente de ninguém pensar noutro motivo qualquer para justificar o facto de os jogadores daquelas equipas correrem muito mais e demonstrarem uma atitude muitíssimo mais agressiva quando jogam contra o Glorioso. Quando, numa das próximas jornadas o Braga se deslocar ao Estádio da Luz, veremos que qualquer semelhança entre a equipa que lá se apresentar e a que jogou ontem no Dragão será mera coincidência.
Este é o post número mil. Não que isso tenha qualquer importância ou significado para o autor deste blogue mas lá que é um número interessante de atingir, nomeadamente num espaço com esta natureza, lá isso é. E apenas por isso merece ser mencionado.
Para trás ficaram novecentos e noventa e nove posts com opiniões irrelevantes - poucas vezes fundamentadas - uma quantidade impressionante de disparates e um sem fim de alarvidades. Que, como não podia deixar de ser, agradaram a uns – vá lá compreender-se os gostos de certa gente – e desagradaram a muitos outros. É, como diria o outro, a vida.
De referir que esta versão do “Kruzes Kanhoto”, criada há três anos e um dia, ocupa hoje o 332º lugar do ranking “Blogómetro”, promovido pelo “Portal dos blogs portugueses” e de onde constam mais de dois mil e cem blogues nacionais. Não é nada de especial, mas quando se sabe que por cá ninguém lê blogues – e mesmo os que não lêem preferem não ler outros blogues, nomeadamente daqueles onde a má-língua tem lugar de destaque – não é nada mau. Agora o irónico da coisa é, na referida lista, o título do blogue que vem logo a seguir. Facto que, nunca se sabe, talvez não seja mera coincidência.
Uma espécie de sondagem, hoje dada a conhecer por uma estação de televisão, mostra que a maioria dos portugueses concorda com o congelamento dos salários da função pública até 2013. Pelo menos. Porque se o período temporal fosse alargado até 2100 concordariam na mesma.
Nem seria, no entanto, necessário nenhum estudo de opinião para ficarmos a saber que os portugueses não gostam de funcionários públicos, deliram com todas as penalizações que ao longo dos últimos anos tem sido impostas a esta classe profissional e que manifestam um incompreensível espírito de inveja pelos “elevadíssimos” vencimentos que são pagos pelo Estado aos seus empregados. Provavelmente muitos deles são os mesmos que em altura de eleições integram as listas de candidatos, ou de apoiantes de candidatos, com o objectivo de verem a sua participação recompensada com um emprego público para si ou algum dos seus. É que, como diz quem comenta estas coisas, não se agarraram ao pau de borla. Referindo-se, naturalmente, ao sustentáculo da bandeira que agitaram ao vento.
Podia escrever isto de outra forma, mas não quero. Nutro pelos portugueses que assim pensam um profundo desprezo. Desejo-lhes mesmo, a todos os níveis, o pior dos males. É por isso natural que nos próximos posts, ou enquanto for lendo e ouvindo opiniões deste género, manifeste por aqui algumas opiniões mais azedas relativamente a alguns problemas que afectam grande parte da população e acerca das quais as sondagens dão conta do elevado grau de preocupação com que os portugueses as encaram.
Há gente com uma memória prodigiosa. E outra que se lembra de coisas da noite para o dia.
E isso preocupa Nuno Salpico, o Presidente do Observatório de Segurança de Estradas e Cidades.
José Sócrates tem, pelo menos, uma virtude. Poucos lhe ficarão indiferentes. Para uns é um líder à altura dos desafios que se colocam ao país e revela uma coragem impar no combate aos interesses instalados que, segundo certas teorias, são a causa do atraso estrutural de que padecemos. Outros vêem nele um conjunto de defeitos difíceis de reunir numa só pessoa. Assim uma espécie de Diabo. Com cornos e tudo.
Reconheço que esta parte dos cornos era escusada e que faria muito mais sentido mencionar as ditas armações quando me referisse ao ex-ministro, e futuro manda-chuva no Banco de Portugal, Manuel Pinho. Mas bolas, isto de um gajo como o Sócrates deve-se sempre dizer mal. Mesmo que não se saiba ao certo porquê, algum motivo haverá que o justifique.
E o homem não se cansa de nos dar “razões para lhe chegar a roupa ao pêlo”. Hoje, no parlamento, garantiu para quem o quis ouvir que não são os vencimentos de políticos, administradores, assessores e toda uma vastíssima panóplia de boys que cirandam pelos lugares cimeiros da administração pública e afins, que prejudicam as contas públicas. Sugerir a redução do vencimento de toda essa malta não passa de populismo e demagogia. Provavelmente será. Que o impacto no equilíbrio do orçamento seria diminuto, também acredito. Agora que contribuiria para legitimar os sacrifícios que se pedem aos portugueses e que constituiria uma medida que podia ajudar à credibilização – se é que eles se importam com isso – de quem vive da politica, disso não duvido.
Mas não foi apenas por esta tirada que o Primeiro-ministro caiu ainda mais baixo na minha consideração. À saída do hemiciclo, confrontado pela comunicação social acerca das declarações contraditórias que tem proferido relativamente a uma das muitas trapalhadas em que estará envolvido, José Sócrates manifestou um estranho embaraço e uma incapacidade, invulgar nele, em responder de forma expedita – pregar mais uma peta, digamos assim – ou esquivar-se de forma airosa às questões suscitadas pelos jornalistas. Até parece que não está habituado.
Quanto aos meus leitores não sei, mas a mim desagrada-me profundamente que o primeiro-ministro do meu país minta de forma brilhante e ao alcance de poucos quando nos quer lixar – ou seja, quase sempre – e não seja capaz de arranjar uma mentira mais ou menos convincente quando o querem lixar a ele.
Os mais recentes casos de divulgação de dados, que supostamente deviam permanecer na confidencialidade dos processos judiciais, suscita, mais uma vez, uma questão deveras curiosa. Parece que o crime – o ilícito, vá, sejamos condescendentes – não está naquilo que nos é revelado pela comunicação social ou outros meios ainda mais acessíveis ao cidadão comum, mas, surpresa das surpresas, na divulgação do facto. Ou seja, criminoso não é quem comete o acto mas quem o torna público!!!!
Tem o primeiro-ministro toda a razão quando diz que estamos a assistir a jornalismo de “buraco de fechadura”. É perfeitamente normal que assim seja. Equilibra na perfeição com os políticos que temos. Nomeadamente com o partido que está actualmente no poder. Convém não esquecer que é no seio do PS que foi – está? – a ser cozinhado um projecto de lei que coloca online o rendimento de cada português. O rendimento declarado, diga-se, porque o obtido por meios indeclaráveis, esse, continuaremos sem notícias dele.
Também, ao que consta, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais pretenderá institucionalizar a queixa e a denúncia como forma de combate à fraude e evasão fiscal. Assim uma espécie de bufaria institucional em que os cidadãos – bufos – se substituiriam ao Estado no seu dever de fiscalizar as actividades paralelas ou todos aqueles que tentam escapar aos impostos. Num e noutro caso tenho dificuldade em encontrar outro nome, que não “politica de fechadura”, para denominar este tipo de actuação. Mas, como é iniciativa do poder, deve ser coisa de superior interesse nacional.
“Os funcionários públicos são parasitas do OGE. Vão embora de Portugal! Funcionários públicos = pessoas com cartão do partido.”
“Concordo que a classe politica suga tudo, mas não são piores que a função publica, esse o verdadeiro cancro nacional.”
Com a democratização das novas tecnologias há cada vez mais bestas, daquelas que não conseguem fazer chegar a sua voz nem sequer perto do céu, a escrever as maiores burrices. Como, por exemplo, as que se podem ler no inicio deste post.
Podia ter escolhido outras. Ou, em lugar de duas, trinta ou quarenta frases semelhantes. Mas optei apenas por seleccionar estas duas opiniões que encontrei ao consultar um fórum de que sou habitual frequentador e que demonstram aquilo que em Portugal se pensa dos funcionários públicos. Choca-me que existam criaturas quem pensem assim. Não tanto pela opinião pouco abonatória que expressam acerca dos funcionários públicos mas, muito mais, pela ignorância que evidenciam e pelo ódio que sentem relativamente a outros portugueses.
Provavelmente quem assim escreve são os mesmos que berram e fecham escolas a cadeado quando não há auxiliares para tomar conta dos filhos ranhosos e mal-educados. Ou que guincham estridentemente quando se insurgem contra a falta de policias, de médicos e de qualquer serviço que o governo queira encerrar. Aí – e noutras circunstâncias também - porque lhes dói, porque os afecta, porque de alguma forma colide com os seus interesses muitas vezes mesquinhos, já reclamam pela “indispensável” presença dos funcionários públicos.


