ALCAÇOVENSE 5-5 CFE (BENJAMINS B)
Há 9 horas
Blogue de opiniões irrelevantes nem sempre fundamentadas
Faz por este dias dois anos que foi posto em prática o plano de sinalização e circulação de trânsito nos bairros da Salsinha, Quinta das Oliveiras e Monte da Razão. Não sei ao certo se é assim que chama o conjunto de disparates elaborado por um grupo de alegados técnicos, provavelmente pós-graduados em trânsito, e aprovado com sérias reservas – a imbecilidade da coisa saltava à vista - de todos os membros do anterior executivo.
Mas isso agora também não interessa nada. O que interessa é que passado todo este tempo o modelo de circulação continua a prejudicar os moradores, a não respeitar as mais elementares normas de protecção ambiental e a constituir um forte incentivo à transgressão. Sim, porque poucos estarão dispostos a percorrer inutilmente trezentos ou quatrocentos metros às três ou quatro da manhã – ou a outra qualquer hora, como já aqui documentei – só porque um plano idealizado por uns quantos “técnicos” impede que se chegue ao mesmo local percorrendo apenas dez metros. Coisa de gente sentada tranquilamente a uma secretária que desconhece a realidade do terreno e que, por qualquer motivo desconhecido mas que poderá ter a ver com alguma patologia, acha muito giro andar às voltas com o carrinho.
A linha vermelha desenhada nas imagens de satélite representa o trajecto que os residentes são agora obrigados fazer. Pelo menos os que cumprem o Código da Estrada. Não vale por isso a pena alongar-me - por hoje, porque voltarei ao tema - a dissertar acerca da dimensão da burrice que foi cometida. Neste, como noutros casos, uma imagem – ou duas – valem por mil palavras. Ou mais.
A generalidade dos comentadores económicos não está satisfeita com a proposta de Orçamento de Estado ontem apresentada. Para eles era preciso cortar mais na despesa. Muito mais. Nomeadamente nos vencimentos dos funcionários públicos. Ou até mesmo mandar muitos para o desemprego. O que seria o ideal, no entender dessas sumidades potenciais candidatos a prémio Nobel da ciência económica, embora noutra parte do seu discurso lamentem a elevadíssima taxa de desempregados e elejam isso como um dos principais males do nosso país.
Por essa internet fora anda uma turba de indignados a tecer os mais variados comentários e a ameaçar com processos judiciais uma mãe britânica que colocou no Facebook uma fotografia do seu petiz, armado em alarve, com um cigarro na boca. Coisa feia, reconheça-se. Embora, relativamente a essa apreciação, o meu grau de parcialidade seja elevado na medida em que não fumo. Apesar disso não me parece que a senhora em causa, para além do pouco juízo evidenciado, tenha cometido qualquer espécie de crime ou o seu acto ponha em causa algum direito de alguém.
Estranhamente, ou talvez não, o nível de indignação não atinge as mesmas proporções quando fotos, vindas de outros lugares onde tudo parece ser permitido e tolerado pelo multiculturalismo vigente, nos mostram crianças a fazer coisas pouco próprias para a idade. Tanto quanto se sabe, até agora nenhum iluminado terá manifestado vontade de processar os extremosos papás muçulmanos por revelarem um comportamento irresponsável e que coloca em causa a integridade física dos seus fedelhos. Sinto-me tentado a não resistir à graçola fácil e pensar que apenas não o fazem pela dificuldade em identificar o pai…
O tabaco é uma das principais causas de morte mas, ainda assim, acredito que uma arma é capaz de ser um objecto mais mortífero. Mas isso sou eu - não passo de um ingénuo - que não consigo ver o elevado simbolismo na luta contra a opressão e a tirania imperialista a que estão sujeitos os heróicos povos do oriente médio.
Não consigo evitar um sorriso trocista sempre que ouço uma peixeira mais indignada assegurar que a nossa sardinha – a portuguesa – é que é boa. Nada que se compare à sardinha espanhola que, garantem, é uma verdadeira porcaria. Afinal parece que estava enganado. A prová-lo, ao clupeídeo marítimo que escolhe as nossas águas para navegar e que por cá acaba por morrer, foi hoje, após um processo que demorou quase ano e meio de aturados estudos, atribuída a certificação de qualidade que garante que o dito peixinho é mesmo bom.
A dúvida que me atormenta é como ter a certeza que as sardinhas agora certificadas passam a vida nas águas portuguesas. É capaz de ser um trabalho difícil mas alguém terá de o fazer. Importa, de agora em diante, garantir que nenhuma delas ultrapassa a fronteira e se deleita em navegações mais que suspeitas pelos mares castelhanos antes de ser capturada pelas redes de um qualquer pesqueiro português. Para isso conto com a honestidade dos nossos pescadores e com a perspicácia das nossas peixeiras. Serão peças fundamentais para a realização de um controlo eficiente que assegure que nenhuma sardinha pôs guelra em água espanhola. Ou lá se vai a certificação de qualidade. Que, como toda a gente sabe, é uma coisa muito importante. E também muito cara, diga-se.


